
Raciocínio 55/200
Não compre guerras.
O problema da conspiração
Motivação para viver, a busca pela felicidade através de um método de esforço cognitivo. O método que usamos é efetuado por etapas graduais. Será o encadeamento destas etapas que nos levará a entender este processo complexo constituído por 200 raciocínios.
Começaremos vários exercícios de motivação. Poderá comentá-los, ou enviar mensagem em privado para o nosso email: Auto.ajuda.mundo@gmail.com
Iremos gradualmente e por raciocínios adquirir conhecimento motivacional. Sugerimos que comece pela 1° raciocínio para poder perceber o encadeamento dos raciocínios que iremos estabelecer, e faça a leitura ao seu ritmo. Basta em cima selecionar "Raciocínios" e 1/200, e depois por 2/200 e assim por diante.
Vamos fazer aqui um resumo de todos os raciocínios que já abordámos:
1/200 - O início de uma caminhada
2/200 - O problema de atribuir significado a pensamentos que não interessam
3/200 - Não permita que o passado exerça poder sobre si
4/200 - Transcenda as limitações do passado
5/200 - A mente e o poder incrível da imaginação
6/200 - Os rituais do imaginário
7/200 - Preferir a "felicidade" à "depressão"
8/200 - Vamos criar um raciocínio produtivo
9/200 - O problema da crença do poder da atração
10/200 - Escolher a felicidade e recusar a infelicidade (Parte 1)
11/200 - A explicação do nosso "segredo"!
12/200 - O problema da Ataraxia
13/200 - A emoção da tristeza
14/200 - Nós somos responsáveis pela maneira como nos sentimos
15/200 - A lei da fé
16/200 - O que fazer com a inveja
17/200 - Quando está tudo escuro e a luz que brilha está bem longe
18/200 - A Paz Interior o motor da vida (1/3): introdução
19/200 - A Paz Interior o motor da vida (2/3): o poder da recordação
20/200 - A Paz Interior o motor da vida (3/3): A regra do silêncio deixando de ter razão
21/200 - Retirar de nós a auto-piedade, auto-rejeição, auto-depreciação, auto-anulação (parte 1)
22/200 - Auto-acusação e Auto-piedade (parte 2)
23/200 - Esclarecimento sobre os "Autos"
24/200 - Tomar consciência dos pensamentos que temos
25/200 - Preferir a FELICIDADE em vez da infelicidade (Parte 2)
26/200 - Não tenha medo de errar
27/200 - Fortaleça a sua estabilidade interior
28/200 - Como ter potência criadora - 5 estratégias (Parte 1): Introdução
29/200 - Como ter potência criadora - 5 estratégias (Parte 2): Projetar potência criadora numa dedicação integral com todos, da mesma forma e continuamente
30/200 - Como ter potência criadora - 5 estratégias (Parte 3): ofereça presença
31/200 - Como ter potência criadora - 5 estratégias (Parte 4): "Acolhimento" - 1ª Dimensão
32/200 - Como ter potência criadora - 5 estratégias (Parte 5): "Acolhimento" (continuação)
33/200 - Como ter potência criadora - 5 estratégias (Parte 6): "Apoio" - 2ª dimensão
34/200 - Como ter potência criadora - 5 estratégias (Parte 7): "Apoio" - 2ª dimensão (continuação)
35/200 - Como ter potência criadora - 5 estratégias (Parte 8): "Projeção" - 3ª dimensão
36/200 - Como ter potência criadora - 5 estratégias (Parte 9): "Valorizar" - 4ª dimensão
37/200 - Como ter potência criadora - 5 estratégias (Parte 10): "Entrar em sintonia" - 5ª dimensão
38/200 - Como ter potência criadora - 5 estratégias (Parte 11): "ilumine o outro" - 6ª dimensão
39/200 - Como ter potência criadora - 5 estratégias (Parte 12): "Como definir o Campo de Ação e o Poder de saber o nome" - 7ª dimensão
40/200 - Como ter potência criadora - 5 estratégias (Parte 13): "Altere o seu olhar" - 8ª dimensão
41/200 - Como ter potência criadora - 5 estratégias (Parte 14): "dar espaço ao outro" - 9ª dimensão
42/200 - Como ter potência criadora - 1 estratégia: IVA (imposto de valor acrescentado)
43/200 - Como ter potência criadora - 2 estratégia: O que é um não assunto (parte 1/4)
44/200 - Como ter potência criadora - 2 estratégia: O que é um não assunto (continuação): Um segredo que revelamos - A criação das redes de pequenas maledicências no trabalho (parte 2/4)
45/200 - Como ter potência criadora - 2 estratégia: O que é um não assunto (continuação): A dificuldade de tornar um assunto em não assunto (3/4)
46/200 - Como ter potência criadora - 2 estratégia: O que é um não assunto (continuação): na prática o que deixar de fazer (parte 4/4)
47/200 - Como ter potência criadora - 3 estratégia: Não chame os outros à atenção
48/200 - Como ter potência criadora - 4 estratégia: Cale-se por favor!
49/200 - Como ter potência criadora - 5 estratégia: A história de Tolstói (uma reflexão)
50/200 - Como ter potência criadora: Finalmente - Os miminhos
51/200 - Relações horizontais e não verticais: a unilateralidade - parte 1
52/200 - Relações horizontais e não verticais: a autoresponsabilidade - parte 2
53/200 - O silêncio estúpido
54/200 - Eu adapto-me ou o outro tem de se adaptar a mim?
Hoje iremos analisar o nosso Raciocínio 55/200 - Não compre guerras. O problema da conspiração
Introduzimos este tema hoje pela necessidade de compreensão que precisamos ter sobre este assunto das desconstruções de relações.(1)
A normalização da desconstrução faz com que o vínculo(2) deixe de ser um lugar de compromisso profundo(3) e passe a ser um espaço constantemente provisório.(4)
As relações tornam-se experiências em permanente avaliação(5), como se estivessem sempre "em fase de teste"(6). Quando surgem frustrações(7), diferenças(8), dor(9), a linguagem da desconstrução(10) funciona como um atalho confortável para evitar o crescimento emocional.(11)
A linguagem da desconstrução(12)
A linguagem da desconstrução, quando não é acompanhada de crescimento emocional(13), transforma-se facilmente numa forma socialmente aceite de descarregar imaturidade(14). Em vez de elaborar internamente o que sinto(15), falo sobre o outro(16). Em vez de assumir limites a mim mesmo(17), construo narrativas(18). Em vez de silêncio consciente, escolho a conversa de corredor.(19)
Elaborar internamente o que sinto ao invés de falar sobre o outro(20)
Não é ignorar o que o outro faz(21), nem fingir que nada aconteceu(22). É mudar o eixo da atenção(23). Em vez de gastar energia a analisar, comentar e julgar as atitudes do outro(24), volto-me para mim(25) e pergunto:
- o que é que isto provocou em mim?(26)
- onde é que isto me toca?(27)
- porque é que esta situação me desorganizou tanto?(28)
Posição confortável, mas estéril(29)
Quando fico preso à avaliação constante do outro(30), entro numa posição confortável, mas estéril.(31) Confortável porque me coloco fora do problema(32); estéril porque nada em mim se transforma.(33)
Os olhos estão colocados no que o outro fez(34), por isso instala-se o desfoco(35), não há qualquer crescimento emocional da minha parte.(36)
Avaliar o outro dá uma sensação de controlo(37) e até de lucidez moral(38), mas impede o verdadeiro trabalho emocional(39), que é sempre interno e intransferível(40). Posso estar certo sobre o comportamento do outro(41) e, ainda assim, continuar emocionalmente imaturo na forma como reajo a ele.(42)
Reavaliar-me é mais exigente(43). Obriga-me a reconhecer os meus padrões:(44)
- a necessidade de aprovação(45) por isso comento com os outros o comportamento do outro(46),
- a tendência para agradar os outros falando sobre o outro(47),
- a dificuldade em colocar limites a mim mesmo, para não permitir a mim mesmo que fale sobre o comportamento do outro(48),
- o impulso de responder imediatamente (evitar reagir).(49)
Ao fazer este Movimento(50), deixo de perguntar: "porque é que ele fez isto?" e passo a perguntar "porque é que isto me afeta desta forma?".(51)
Esta pergunta não absolve o outro, mas responsabiliza-me.(52)
Elaborar internamente é conter antes de expressar.(53)
É aceitar que nem tudo o que sinto precisa de ser dito(54), explicado ou partilhado(55). Algumas emoções precisam primeiro de ser compreendidas em silêncio(56), para não se transformarem em discurso projetado(57). Quando falo antes de elaborar dentro de mim(58), falo do outro(59); quando elaboro dentro de mim, ou seja, quando penso, antes de falar(60), falo de mim(61), ou escolho não falar.(62)
Deslocamento da avaliação para a autoavaliação(63)
Marca uma viragem clara no crescimento emocional(64). A relação com o outro deixa de ser o palco onde descarrego confusão(65) e passa a ser o contexto onde testo a minha capacidade de autorregulação(66). Já não uso o comportamento alheio como matéria-prima para conversas paralelas(67), mas como informação sobre o que ainda preciso de trabalhar internamente.(68)
No fundo, crescer emocionalmente é isto: menos diagnóstico do outro(69), mais honestidade comigo.(70) Menos discurso externo(71), mais ajuste interno(72). E, paradoxalmente, é quando deixo de estar obcecado em avaliar o outro(73) que começo a relacionar-me com ele de forma mais clara, justa e inteira.(74)
As conversas de corredor(75)
Falar mal de colegas(76), comentar atitudes(77), criar alianças silenciosas(78) são o oposto do crescimento emocional(79), mas usam uma lógica parecida com a da desconstrução: "estou só a refletir", "estou a processar", "preciso falar sobre isto"(80). Na prática, não há processamento nenhum(81). Há deslocamento.(82) A emoção que não consigo sustentar em mim é espalhada no grupo.(83)
Falsa sensação de maturidade(84)
A pessoa sente-se lúcida, crítica, até evoluída, porque consegue nomear comportamentos(85), identificar padrões(86), apontar incoerências(87). Mas tudo isso acontece fora(88). Nada é assumido internamente(89). Não há silêncio(90), não há contenção(91), não há responsabilização emocional(92). Só circulação de discurso.(93)
O crescimento emocional é silencioso e solitário em muitos momentos(94). Implica calar onde seria fácil comentar(95). Implica não alinhar em cumplicidades(96) que aliviam momentaneamente(97), mas corroem o caráter relacional(98). Implica sustentar o desconforto(99) sem precisar de plateia(100). Por isso é raro(101). A linguagem da desconstrução, pelo contrário, é coletiva(102), barulhenta(103) e muitas vezes performativa.(104)
A Linguagem da desconstrução é barulhenta(105)
Pelas conversas de corredor(106), pelos comentários laterais(107), pelas partilhas que não resolvem nada(108) mas circulam(109). É um barulho emocional constante(110): fala-se muito do outro(111), elabora-se nada internamente(112). O desconforto não é metabolizado internamente, é distribuído socialmente(113). Em vez de silêncio que organiza, cria-se ruído que anestesia.(114)
Esse barulho serve uma função clara: evitar o contacto consigo próprio(115). Enquanto falo do outro, não preciso de me escutar(116). Enquanto há conversa, não há pausa dentro de mim para crescer(117). E sem pausa não há crescimento emocional(118), há apenas repetição de discurso.(119)
A Linguagem da desconstrução é performativa(120)
Quanto ao performativo, aqui o ponto é ainda mais delicado(121). A linguagem da desconstrução torna-se performativa quando deixa de ser um processo interno real e passa a ser uma encenação de consciência(122). A pessoa não está necessariamente a trabalhar emoções(123); está a demonstrar que sabe falar delas(124). Usa um vocabulário elaborado, crítico(125), aparentemente lúcido(126), que produz reconhecimento social(127): parece madura, informada, desperta.(128)
É performativa porque precisa de público(129). Não acontece no silêncio(139), acontece na partilha estratégica(140). Diz-se que se está a "desconstruir", mas o foco não é transformar-se, é ser visto(141). A fala substitui o trabalho interior(142). Nomear passa a valer mais do que integrar uma mudança interior.(143)
O foco não é transformar-se, é ser visto(144)
Preciso explicar. Quando fala dos outros(145) e entra nas conversas de corredor(146) para falar mal dos outros(147), é uma forma de ganhar reputação(148) dentro daquele núcleo de intriga(149). Se optar por ficar em silêncio não comentando a vida alheia(150), deixará de ser uma pessoa interessante para os intriguistas(151), para quem vive de fazer mal alheio.(152)
O capital social da intriga(153)
E isto precisa mesmo de ser nomeado com clareza(154). Quando o foco deixa de ser transformar-se e passa a ser, ser visto(155), falar mal dos outros torna-se uma estratégia de pertença e de poder(156). As conversas de corredor não existem apenas por imaturidade emocional(157); elas existem porque produzem reputação dentro de determinados núcleos(158). Quem comenta, quem "sabe coisas", quem valida o mal-estar coletivo sobre alguém, ganha lugar, atenção e relevância(159). A crítica partilhada cria laços(160). A intriga cria uma comunidade própria.(161)
Neste contexto, falar mal do outro não é só uma descarga emocional(162), é moeda de troca(163). Ao alinhar no discurso, a pessoa mostra que pertence ao grupo(164), que está "do lado certo"(165), que vê o que os outros veem(166). A linguagem da desconstrução entra aqui como verniz moral(167): não se fala mal, "analisa-se"; não se ataca, "problematiza-se"; não se exclui, "coloca-se limites"(168). O conteúdo é o mesmo(169), mas a forma protege a imagem de quem fala.(170)
Quem não comenta e entra no silêncio(171)
Optar pelo silêncio rompe este circuito(172). Quem não comenta, não valida, não acrescenta narrativa(173), retira alimento à intriga(174). E por isso a pessoa que silencia, deixa de ser interessante para os intriguistas(175). Não porque seja inferior(176), mas porque já não serve à dinâmica(177). O silêncio é lido como ameaça ou desinteresse(178), porque não reforça a hierarquia invisível que se constrói à custa do outro.(179)
Para quem vive do mal alheio(180)
O silêncio é quase uma traição(181). Ele impede a circulação do discurso(182), quebra a sensação de cumplicidade(183) e expõe(184), sem dizer nada(185), o vazio da conversa(186). Por isso, quem cresce emocionalmente costuma pagar um preço social(187): perde centralidade em certos grupos(188), deixa de ser convidado para determinados bastidores(189), torna-se menos "útil" enquanto aliado narrativo.(190)
Mas é precisamente aqui que está a diferença entre performance e transformação(191)
A performance precisa de palco e aplauso(192). A transformação aceita a perda de relevância num sistema que se alimenta de ruído(193). Ficar em silêncio não é neutralidade(194); é uma recusa ativa em participar de um jogo que se sustenta na diminuição do outro.(195)
Eu irei falar muito sobre a diminuição do outro(196). Quando penso nisto fico bastante triste por pensar que existem pessoas que passam a vida a falar mal de outras pessoas(197).
As narrativas que visam diminuir a outra pessoa são castradoras(198)
São castradoras porque cortam possibilidades(199). Quem é alvo dessas narrativas perde espaço simbólico para existir de forma inteira(200); passa a ser definido pelo que lhe falta(201), pelo que erra(202), pelo que incomoda(203). A pessoa que fala mal do outro não cresce(204); afina apenas a sua capacidade de explicar por que os outros são menores(205). A diminuição do outro funciona como anestesia para a própria fragilidade de quem fala mal(206).
Quando digo que vamos falar muito sobre a diminuição do outro, toco num dos núcleos mais corrosivos das relações humanas(207). Diminuir o outro não é apenas um gesto ético falho(208); é um empobrecimento emocional coletivo(209). E recusar esse tipo de narrativa, em silêncio(210), é um ato de preservação interna e de maturidade relacional.(211)
Iremos abordar esta temática novamente:(212)
Raciocínio 74 - Conspiração: As vidas diminuídas (Parte 2)
Sim, neste caso quero deixar de ser interessante(213)
No fundo, crescer emocionalmente implica aceitar deixar de ser interessante para quem só se interessa pela intriga(214). E isso, embora solitário, é um dos sinais mais claros de integridade interna.(215)
Crescimento emocional estagnado(216)
Neste registo, a desconstrução vira identidade(217). A pessoa apresenta-se como alguém que já percebeu tudo: os padrões, as dinâmicas tóxicas, as falhas do sistema, as imaturidades alheias(218). Esse discurso cria uma posição moral elevada, mas emocionalmente estagnada(219). Porque quem está verdadeiramente a crescer costuma estar menos preocupado em mostrar isso.(220)
Por isso, a linguagem da desconstrução pode ser coletiva, barulhenta e performativa:(221)
- coletiva porque se alimenta do grupo,(222)
- barulhenta porque precisa circular,(223)
- performativa porque substitui transformação por exibição da vila alheia.(224)
O crescimento emocional, ao contrário da performance de falar mal, é quase invisível(225)
Acontece quando já não há nada para dizer(226), quando o impulso de falar dá lugar ao calar(227), e quando a mudança se nota mais no comportamento do que no discurso.(228). Aqui o meu comportamento é precisamente estar calado(229), e há uma espécie de solidão que se instala em mim(230). Mas por favor compreenda que não posso diminuir o outro.(231)
Crescer emocionalmente não é estar sozinho por egoísmo ou fuga(232)
É estar só porque escolhi não reagir ao impulso de diminuir ou julgar o outro(233). O silêncio que emerge deste lugar não é vazio nem passivo(234); é uma solidão ativa, consciente e ética(235). É a escolha de não participar da redução do outro(236), mesmo quando todos à volta têm prazer em falar mal.(237)
Quando digo "já não há nada para dizer", refiro-me a este ponto em que o impulso de comentar, justificar ou criticar se dissolve(238). Não porque não haja assunto, mas porque a voz interior aprendeu a separar emoção de ação(239). O que me resta é observar, sustentar, existir sem precisar de validar a minha perceção sobre o outro(240). Esse silêncio é sólido e disciplinado: não é ausência, é postura.(241)
A solidão que se instala neste processo é inevitável(242).
Quem cresce emocionalmente muitas vezes deixa de ser interessante para grupos que vivem de intriga(243), boatos ou da diminuição alheia(244). Mas essa solidão é um sinal de integridade(245): é o preço de não participar da circulação do mal(246). É também um espaço fértil(247): dentro dessa solidão, consigo reorganizar-me(248), calibrar os meus limites e manter minha própria ética(249), sem depender do que os outros pensam ou fazem.(250)
E sim: não posso diminuir o outro(251). Este é o gesto mais claro da maturidade emocional(252). Posso estar magoado, frustrado ou incomodado, mas o crescimento exige que o outro continue inteiro na minha visão(253), mesmo quando a relação é difícil ou tensa(254). O meu comportamento, calado, atento, contido, é então ação ética e transformadora, não ausência ou passividade.(255)
Portanto, o crescimento emocional é, muitas vezes, invisível e solitário, mas é profundamente eficaz(256). Transforma-me internamente(257), protege a integridade do outro e mantém a minha própria dignidade intacta(258). É um silêncio que fala mais alto do que qualquer comentário destrutivo.(259)
Quando alguém cresce emocionalmente, deixa de precisar de narrativas sobre os outros para se regular(260). Já não precisa explicar porque se afastou, justificar porque não gosta, convencer o grupo de que tem razão(261). Ago. Calo-me. Reposiciono-me(262). O limite aparece no meu comportamento, não no discurso.(263)
Falar mal de colegas é um sintoma claro de não crescimento:(264)
A pessoa ainda precisa que o outro seja diminuído para que ela se sinta organizada por dentro(265).
A desconstrução é uma máscara para o ressentimento(266), e o vocabulário emocional substitui o trabalho emocional.(267)
No fundo, a diferença é simples, embora difícil de viver:(268)
- quem desconstrói fala muito sobre;(269)
- quem cresce emocionalmente faz silêncio em si.(270)
Em vez de atravessar a crise, desmonta-se a relação(271). Nem sempre porque já não há amor(272), mas porque falta tolerância à imperfeição e à fricção.(273)
O outro deixa de ser um parceiro com quem se constrói algo ao longo do tempo(274) e passa a ser um espelho do nosso processo individual.(275)
A questão do espelho(276)
Quando o outro passa a ser vivido apenas como espelho(277), a relação deixa de ser um encontro entre dois sujeitos e transforma-se num espaço de projeção(278). Isto tem um significado profundo(279). Ao olhar o outro deixo de o ver e vejo-me a mim mesmo.(280)
Já não olho para quem está à minha frente como alguém com história própria, limites, falhas e desejos(281), mas como uma superfície onde observo aquilo que ainda não consegui integrar em mim(282). O outro torna-se um reflexo do meu não desenvolvimento emocional(183), porque tudo o que me incomoda nele tende a apontar para zonas internas que evito trabalhar em mim.(283)
O desconforto relacional é rapidamente atribuído ao outro:(284)
- "ele ativa coisas em mim",
- "ela espelha as minhas feridas",
- "esta relação já não acompanha o meu crescimento".
A linguagem parece consciente(285), mas muitas vezes encobre uma dificuldade básica: a de assumir responsabilidade emocional(286). A minha responsabilidade, a minha maturidade.(287)
Em vez de reconhecer que certas reações são minhas(288), que certos padrões se repetem(289) porque não foram elaborados dentro de mim(290), projeto isso no vínculo(291), atribuindo ao outro a razão de eu mesmo não desenvolver emocionalmente(292). O outro passa a carregar o peso do que eu ainda não consegui olhar em mim.(293)
O eu deverá ocupar todo o espaço da relação(294)
Olhar para o outro e ver apenas um espelho é sinal de que o meu eu ocupa todo o espaço da relação(295). O verdadeiro desenvolvimento emocional começa quando o espelho deixa de ser o outro(296) e passa a ser a minha própria experiência interna(297). Por isso quando olho para o outro passo apenas a ver um espelho, e o que se pretende é mesmo que veja um espelho e não o outro.(298)
Se ao olhar para o outro o deixar de o ver e ver apenas um espelho(299), o que estarei a ver apenas, será o reflexo da minha pessoa.(300)
Quando sou capaz de perguntar a mim mesmo:(301)
- por que isto me toca tanto?(302)
- o que esta reação diz de mim?(303)
- que parte minha ainda está imatura, defensiva ou ferida?(304)
Neste Movimento(305), o outro é um instrumento de autoconhecimento(306), mas deixa de ser um álibi para a fuga ou para a minha desresponsabilização emocional.(307)
Exercício 1
Releia a Frase anterior milhares de vezes.
Quando olho para o outro e reconheço o espelho(308), não é para concluir que a relação já não serve(309), mas para perceber que aquilo que me afeta(310) revela algo que ainda precisa de ser trabalhado em mim(311). O reflexo não aponta para a falha do outro(312), aponta para uma zona minha que pede transformação.(313)
Aqui, o espelho deixa de ser acusatório e passa a ser revelador(314). Já não digo "o outro é o problema"(315), mas "o que isto desperta em mim fala de uma ferida, de um medo, de uma imaturidade ou de um padrão que ainda não foi elaborado" em mim(316). O outro não é reduzido a um símbolo descartável(317) do meu processo(318); ele torna-se o mediador desse processo(319). É através da relação(320), que me conheço melhor.(321)
Usar o outro como espelho de forma madura(322)
Exige coragem, porque obriga a sustentar o desconforto sem projetá-lo(323). Exige ficar tempo suficiente para observar a própria reação, em vez de sair quando a imagem refletida começa a incomodar(324). Neste sentido, o crescimento não acontece pela desconstrução imediata do vínculo(325), mas pela capacidade que eu tenho de permanecer consciente dentro dele(326). No meio do atrito em vez de reagir(327), eu observo-me e questiono dentro de mim: (328)
- "O que poderei fazer de forma diferente";(329)
- "provavelmente é melhor silenciar para não criar mais atrito";(330)
- "o que poderei dizer com ternura?"(331)
Há todo um Movimento interior a processar dentro de mim(332), para a construção da relação.(333)
Quando compreendo que o outro reflete o que preciso mudar em mim(334), a relação deixa de ser um teste de compatibilidade constante(335) e passa a ser um espaço para a minha lapidação emocional.(336)
Exercício 2
Releia a frase anterior milhares de vezes.
O desafio não é eliminar o espelho(337), mas aprender a lê-lo corretamente(338). Porque aquilo que mais possa irritar-me(339), fragilizar(340) ou nos confrontar no outro(341) raramente fala desse outro(342), fala, sobretudo, da parte nossa que ainda não foi integrada.(343)
Assim, o outro não me serve apenas para confirmar quem eu sou(344), mas para revelar quem ainda não consegui ser(345).
Há maturidade quando consigo olhar para o outro e vê-lo como ele é(346), sem o reduzir a símbolos do que não gosto(347), não reduzo a gatilhos(348). E há ainda mais maturidade quando, diante do conflito(349), em vez de dizer verbalmente "isto fala sobre ti"(350), sou capaz de dizer interiormente(351) "isto fala sobre mim"(352). Neste ponto, o espelho vira para dentro(353). A relação deixa de ser palco do meu não desenvolvimento(354) para se tornar espaço possível para a minha verdadeira construção.(355)
A linguagem da desconstrução oferece uma roupagem intelectual a impulsos de fuga(356)
Isso dificulta a responsabilidade afetiva(357), porque tudo pode ser justificado(358) como parte de um caminho interno legítimo(359), mesmo quando se magoa o outro(360) ou se abandona o vínculo(361) sem verdadeiro cuidado.(362)
É colocada a culpa no outro(363)
A verdadeira questão aqui, é que é colocada a culpa no lado da lá(364) sem se quer haver crescimento emocional no lado de cá.(365)
É imperioso que perceba que será mais feliz se estiver em harmonia e paz com os outros(366) do que estar a pensar numa conspiração contra si.(367)
É mesmo um ponto essencial como uma raiz invisível que alimenta tudo o resto(368). A raiz da harmonia pode tornar as relações mais leves.(369)
A paz com os outros não só é um gesto externo de gentileza ou tolerância(370), é algo interno em nós mesmos(371), onde deixamos de travar pequenas guerras silenciosas(372) para respirar e vivermos de forma mais leve.(373)
Ouvimos nos dias de hoje em termos como: (374)
- "pessoas difíceis",
- "ambientes tóxicos".
As guerras de palavras (completamente desnecessárias) não constroem mas destroem.(375)
Cale-se!(376)
Quando achamos que estamos a "ganhar", na verdade estamos a perder(377), porque perdemos a conexão(378), perdemos compreensão(379), e muitas vezes perdemos a ternura que podia ter existido entre duas pessoas.(380).
Quero que "pegue" num debate de palavras(381), cale-se(382), e em vez de exigir compreensão do seu ponto de vista(383), invista em ternura, aproximação(384). Iremos abordar esta temática exaustivamente.(385)
Nós temos um trabalho tremendo diante nós(386). A proposta de Motivação, Felicidade é tão complexa que ao visarmos a transformação da sua pessoa, vamos alterar todo o nosso interior.(387)
Há palavras que curam e outras que cortam como lâminas(388)
Quando se entra numa disputa verbal(389), o mais comum é que deixemos de ouvir para começar apenas a reagir(390) e aí, a verdade escapa, o amor retrai-se, e fica só o eco de feridas que podiam ter sido evitadas.(391). Esta normalização dos debates de palavras é para o nosso Movimento de Motivação e Auto-Ajuda, mais um sofisma.(392)
Os movimentos de Auto-Ajuda [não o nosso]: muitas vezes, essas correntes enfatizam a "expressão" constante, o "falar sobre si e os outros" como caminho de crescimento(393), e até a "desconstrução" de situações e pessoas.(394)
Mas, nós apontamos, isso como uma armadilha linguística(395): parece crescimento, mas na prática reforça padrões antigos de disputa e comparação(396). Remoer a ferida, voltar ao passado, voltar às situações que provocaram sofrimento, para nós são sofismas(397). O sofisma está em apresentar o falar ou o debate de palavras como se fosse necessariamente transformador.(398)
Quando alguém insiste em voltar ao passado a episódios que causaram dor, injustiças ou frustrações(399) — sob o pretexto de "elaborar" ou "desconstruir", muitas vezes não há transformação real acontecendo(400). O que acontece é repetição, reforço da ferida e manutenção do sofrimento(401).
A pessoa fica presa num ciclo em que o sofrimento é constantemente reavivado(402), como se o passado fosse o palco principal da sua identidade emocional.(403)
No nosso Movimento de Motivação e Auto-Ajuda, precisamos diferenciar o que é trabalho interno verdadeiro (dentro de nós) do que é apenas narrativa conveniente(404). O sofisma do passado funciona assim: parece profundo porque envolve reflexão e análise, mas na prática mantém a atenção externa nas pessoas, nos acontecimentos, nas injustiças(405) e não na mudança interna(406). A ferida é "remexida" continuamente(407), mas não se transforma em aprendizagem, em autoconsciência ou em ação diferente.(408)
O crescimento emocional, ao contrário, olha para o passado só o suficiente para compreender padrões e extrair lições(409), mas não para alimentar o ressentimento, culpa ou julgamento sobre o outro(410) ou sobre si mesmo(411). A diferença é fundamental: olhar para o passado para integrar versus reviver o passado para justificar dor ou comportamento atual.(412)
O sofisma do passado é uma armadilha sedutora(413):
Dá a sensação de Movimento, mas é inércia emocional(414). Para nós, no nosso Movimento, é essencial alertar que o trabalho real é interno, presente e proativo, não uma circulação repetida de memórias dolorosas que só reforçam o sofrimento.(415)
O ponto-chave é: o verdadeiro trabalho emocional e relacional não está em falar, mas em ouvir e processar internamente(416). Quem cresce emocionalmente aprende a reconhecer quando a palavra cura e quando corta(417); e muitas vezes, o silêncio, o calar-se, é a forma mais eficaz de proteger a relação e a própria integridade.(418)
Lembre-se que já abordámos anteriormente o Raciocínio que fala em deixarmos de ter razão:(419)
Raciocínio 20/200 - A Paz Interior o motor da vida (3/3): A regra do silêncio, deixando de ter razão
É um recusar lutar das formas tradicionais(420), mesmo quando se tem razão(421). Não é uma passividade(422) é apenas uma outra forma de agir(423). Uma ação ativa(424), bem mais ativa, mas diplomática(425). É um lutar sim mas de forma diplomática.(426)
Não vamos conseguir num pequeno texto explicitar a totalidade deste raciocínio(427), mas dentro do nosso processo de transformação irá verificar por si mesmo cada uma das etapas graduais que vou expondo.(428)
Há diversos fatores que temos obrigatoriamente de ter em consideração:(429)
1. Os valores são distintos(430)
As pessoas são diferentes e têm valores diferentes(431). Lembre-se que podemos ser honestos, podemos ser pessoas que assumem as suas responsabilidades, mas as outras pessoas têm outros valores(432). As outras pessoas podem até ter valores de mentira, destruição de vidas, conflituosas, e poderíamos fazer aqui uma listagem vasta de não qualidades.(433)
Pode até haver nos ouros uma profunda intenção de nos fazer mal(434). Isto é muito doloroso de reconhecer. Mas é real(435). Quando somos pessoas que cultivam a verdade, o cuidado, a honestidade e a responsabilidade, torna-se difícil compreender como é que outras pessoas podem, de forma consciente, mover-se no mundo com valores tão opostos, não apenas diferentes, mas por vezes destrutivos, até cruéis.(436)
É preciso termos esta distinção muito importante: não estamos a falar apenas de "falhas humanas" ou de simples "defeitos", mas sim de uma orientação ativa para o conflito, a mentira, o ataque, quase como se essas pessoas tivessem um prazer ou um objetivo em causar mal.(437)
Isso é algo que mexe connosco na "alma", porque quebra a nossa fé no bem.(438)
Já antes falámos que não acreditamos que tenha de haver reciprocidade um conceito muito, muito complexo(439). Falámos também na unilateralidade na relação. É um caminho muito diferente.(440)
Raciocínio 51 - Relações horizontais e não verticais: a unilateralidade - parte 1
Se não exigir reciprocidade e agir unilateralmente você atingirá um nível emocional brutal.(441)
Independentemente desta ação má de outros contra nós(442), algo pode ter acontecido ao longo do caminho, nessas vidas, talvez traumas, talvez escolhas repetidas de egoísmo, talvez dor não curada.(443)
O caminho aqui não se trata de desculpá-las(444), mas de entender que, ao reconhecermos isso, ganhamos liberdade(445). Não precisamos carregar a maldade delas como uma ferida aberta dentro de nós.(446)
É duro aceitar que há pessoas que não querem paz, nem verdade, nem ligação(447). Quando aceitamos, deixamos de lutar contra fantasmas e podemos proteger-nos melhor, sem perder a nossa essência.(448)
E isto é um superpoder dos corações bons: mantermos suaves por dentro mesmo quando o mundo nos quer endurecer.(449)
As circunstâncias "negativas" não nos vão endurecer, serão apenas o meu laboratório de experiência.(450)
Dito isto, claro que poderíamos buscar mecanismos no fora de nós para resolver um problema de "mau olhado", inveja e outras palavras tais que descrevem esta intenção para nos fazer mal. Esta é uma realidade que temos de aprender a lidar.(451)
Como sabem não acredito num fora de nós para resolver estas situações(452). Seria belo e rápido se tão somente fazer uma certa mezinha resolvêssemos todos estes problemas.(453)
Com sabem não buscamos a solução dos nossos problemas num fora de nós(454), mas num dentro de nós(455). Eu preciso de desenvolver skills, estratégias emocionais, para saber lidar com as situações na medida que vão aparecendo não destruindo os outros independentemente se estes outros nos querem destruir.(456)
É uma sabedoria que nasce da dor(457), assim como a mãe quando dá à luz tem uma sabedoria da experiência, e o seu sofrimento deu-lhe habilidades para amar.(458)
Gostaríamos que encarasse cada situação menos boa, como um experimento para o seu desenvolvimento social, emocional.(459)
Diante de nós temos apenas a escolha de não retribuir destruição com destruição(460), mesmo quando tudo dentro de nós clama por justiça ou vingança.(461)
Sim, seria mais fácil acreditar que um ritual, uma mezinha ou uma proteção mágica que nos pudesse salvar da inveja, do mau olhado, das intenções sombrias alheias.(462)
E embora essas práticas possam ter um valor simbólico ou psicológico(463) e legítimo [atenção que atribuímos a legitimidade a essas práticas, porque precisamos respeitar o ser humano nas suas crenças sem o rejeitarmos por causa das crenças](464), sabemos que o verdadeiro escudo(465) se constrói por dentro(466). É feito de consciência(467), de auto-regulação emocional(468), de compaixão lúcida(469). Não passiva, mas lúcida(470). Esta lucidez leva-nos a agir sobre a realidade(471) e nós queremos ser os atores principais da nossa história.(472)
Quando dizemos que não destruímos o outro(473), mesmo quando nos quer destruir(474), estaremos sempre a afirmar a nossa soberania interior(475). Estamos a dizer: "Eu não me torno igual àquilo que me magoa."(476) E isso é um gesto de poder imenso(477), não o poder que grita(478), mas o que permanece de pé, com o coração inteiro.(479)
Oh que caminho tão difícil.(480)
Mas precisamos de manter a cabeça erguida(481) diante das atrocidades que virão(482). Elas virão(483) e temos de estar lúcidos para sabermos agir em sabedoria visando sempre a construção e não destruição de vidas.(484)
Afastamento como estratégia emocional [apenas afastamento interior](485)
Quando falo em afastar-me como estratégia emocional(486), não me refiro a sair da relação(487), deixar de falar(488) ou desaparecer para me proteger(489). Isso, muitas vezes, é apenas evitamento com outro nome(490). O afastar de que falo é interior(491). Quando falo desse espaço interno, não é um exercício sofisticado de consciência emocional(492). É, muitas vezes, o calar-me(493). Não responder(494). Não explicar(495). Não reagir(496). Não entrar em conflito(497). É interromper o impulso(498) de dizer, justificar, defender, atacar ou corrigir(499). É suspender a palavra para que a emoção não governe a ação.(500)
Calar-me não é submissão nem apagamento. É contenção(501). É escolher não dar saída imediata ao que ainda está confuso, inflamado ou ferido dentro de mim(502). Porque sei que, se falar nesse momento, não será verdade, será reação(503). O silêncio, aqui, é um gesto ativo de maturidade, não uma ausência.(504)
Este calar-me cria o afastamento interior de que falo(505). Não me afasto da pessoa, afasto-me do impulso de falar(506). Não corto a relação, corto a escalada emocional(507). Ao calar-me, deixo de alimentar dinâmicas que me aprisionam(508): o conflito repetido, a necessidade de ter razão, o ciclo de mágoa e defesa.(509)
Há crescimento emocional quando consigo suportar esse silêncio sem ressentimento(510). Quando não uso o calar-me como castigo ao outro, mas como cuidado comigo e poder devolver gestos de ternura(511). Quando não fico a ruminar para depois explodir(512), mas uso o silêncio para reorganizar-me por dentro(513). Se o silêncio vem carregado de punição, ainda é imaturidade(514). Se vem de clareza, é força(515). E tudo isto exige lucidez nos meus atos.(516)
Portanto, quando digo afastar, é isto: calar-me a tempo(517). Destroem-se relações porque se fala demais(518), de imposições desamorosas(519).
Calar-me a tempo, não para desaparecer, mas para não me perder(520). Não para evitar, mas para não reagir(521). O silêncio torna-se fronteira(522). E essa fronteira não separa pessoas, separa estados emocionais(523). É aí que começa o verdadeiro domínio interno.(524)
Afastar-me, neste sentido, é deixar de reagir de forma automática(525). É não colar a minha identidade, o meu valor ou a minha paz emocional às atitudes do outro(526). Consigo ouvir, ver, sentir, mas não me fundir(527). Não entro em jogos de poder(528), não alimento expectativas irreais(529), não fico preso à necessidade de reconhecimento ou validação(530). Esse afastamento não rompe o vínculo; regula-o.(531)
É uma dança, onde a nossa paz se torna mais valiosa que qualquer batalha.(532)
Então, o primeiro ponto está visto [e é tão vasto](533). Os valores morais são diferentes e cada pessoa tem o seu valor e pode agir por nós ou contra nós(534). Na verdade preciso que perceba que sou indiferente se agem a favor ou se agem contra(535). É o meu agir para com cada pessoa que revela como a minha ternura se dá e isso transforma-me(536).
O primeiro ponto ficou cristalino como água pura: os valores morais são diferentes e cada pessoa age de acordo com os seus valores estejam eles alinhados com o bem ou virados para o confronto, a manipulação ou até com intenção de nos destruírem.(537)
Isto não é pessimismo, é realismo maduro(538). E reconhecer esta diferença de valores é o primeiro passo para nos protegermos sem deixarmos de ser quem somos(539). Aceitar que algumas pessoas não têm boa intenção é desconfortável, mas é libertador(540). E não queremos mudar os outros(541), tão somente é nosso objetivo o nosso eu(542).
Permite-me deixar de esperar o que elas não têm para dar.(543)
Exercício 2
Releia milhares de vezes a frase anterior.
E aqui entra a nossa não necessidade de reciprocidade(544). As pessoas não podem dar aquilo que não faz parte dos seus valores.(545)
Mas nós podemos dar aquilo que faz parte dos nossos valores(546). É aqui que entra o nosso conceito de unilateralidade(547). O meu modo de agir é unilateral porque são os meus valores sobre os valores da outra pessoa.(548)
E eu não posso exigir da outra pessoa esses mesmos valores(549), logo não posso exigir reciprocidade.(550)
Quando digo que o nosso modo de agir é unilateral, estou a assumir uma postura de integridade, ou seja, dou o que sou, não porque esperamos receber o mesmo, mas porque isso faz parte dos meus valores.(551)
E isso é uma nobreza rara(552). Lembra-se de termos falado no conceito de inteligência rara?(553)
A unilateralidade de que falo não é desrespeito pela relação, pelo contrário. É uma fidelidade ao meu próprio modo de amar, de cuidar, de me dar.(554)
Dou sem fazer da reciprocidade uma condição.(555)
Exercício 3
Releia a frase anterior.
Neste gesto, há liberdade(556). Porque ao dar não estou a exigir que a outra pessoa tenha os mesmos valores que eu tenho.(557)
Quando amamos, não reagimos ao outro, porque o meu agir parte de mim mesmo(558). É pensado, é calculado, é um agir em estratégia de construção de relação.(559)
Ajo assim a partir de mim(560). O amor não é uma resposta ao que o outro é ou faz(561). É uma projeção dos meus próprios valores, da minha própria forma de ser no mundo(562). E não é um ato nem de generosidade nem de tolerância: é identidade(563).
Não somos a favor da palavra tolerância (havemos de explorar isto mais à frente).(564)
Nós não esperamos da outra pessoa para começar a amar(565). Nós escolhemos construir relações horizontais.(566)
Este amor, esta entrega, esta presença, não depende dos valores do outro, nem da reciprocidade.(567)
O que está em jogo não é o comportamento do outro(568), mas a minha forma de estar(569). E é por isso que não há exigência(570). Há apenas fidelidade a mim mesmo, aos meus valores e à minha identidade.(571)
"Não é um reagir, é um agir sobre(572)." A minha ação é baseada nos meus valores não na reação das outras pessoas.(573)
No meu local de trabalho(574), adoro esboçar um sorriso no meu semblante e por cada pessoa que passo cumprimento com um "bom dia", uma "boa tarde" e quando sei os nomes das pessoas, com toda a minha ternura, digo:
- "bom dia Sr. Fernando",
- "bom dia Sra. Amélia e Sr. Filipe, tudo bem?"
- "olá Dona Celestina"
- e quando cumprimento a Dona Morena, ela responde: "como está arcanjo Miguel" [ela acha que eu sou uma espécie de anjo, kkkkk].
- a senhora da Limpeza, a Fati cumprimentou-me e trazia uns cajus para me dar.(575)
E a lista continua infinita com um sem número de afetividades(576), de projetos de amor em andamento(577), de relações horizontais cheias de vida(578), de amor genuíno, de partilha, de entrega.(579)
Não, não tenho qualquer interesse em saber das conspirações.(580)
Não, não tenho qualquer interesse nas guerras de palavras.(581)
Não, não tenho qualquer interesse nas desconstruções.(582)
Quando chego a casa não partilho o que aconteceu no trabalho de mau(583). Partilho apenas o que aconteceu de bom.(584)
Sim, quando estou com colegas de trabalho normalmente fico mais em silêncio. Não conto os males que aconteceram de trabalho.(585)
É como se o amor, para nós fosse uma extensão de um código interior, muito nosso(586). Quando lançamos este amor no mundo, não estamos à espera do reflexo(587). Estou apenas a afirmar-me como pessoa humana fazedor de uma linda história que se escreve nas vidas onde vou deixando o meu legado.(588)
Temos uma publicação sobre isso:
Seu legado são todas as vidas que você tocou(589)
É um dar não como quem espera ser correspondido, mas como quem floresce(590). Temos um Raciocínio que Fala sobre isso:
Raciocínio 56 - A teoria dos Habitats: não floresça em microclimas(591)
Desafia aquela lógica relacional clássica do "dar e receber"(592). A nossa visão coloca o amor como ato de liberdade, não de troca.(593)
Temos também uma publicação sobre isso:
Como se pode dar amor se estamos vazios de amor?(594)
Damos amor porque continuamos a ser íntegros connosco mesmos(595). O nosso caminho é unilateralmente em amor, em construção de vidas, em harmonia, em promovemos a paz, em sermos sempre os primeiros a pedir desculpas, em não deixarmos nem um segundo sem reatarmos.(596)
No meio das agruras da vida temos de ter um Movimento de amor a acontecer(597). E isto significa que se somos fazedores do bem, e começarmos a estabelecer relações horizontais [tema já abordado], então uma série de pessoas já são alvo do nosso experimento de amor.(598)
Isto significa que podemos estar a travar uma maior luta de termos de lidar com alguém que nos quer mal(599), onde nos é exigida uma maior atenção(600), um redobrar de forças de amor(601) e teremos uma série de outras pessoas onde já conseguimos desencadear este processo.(602)
Uma vez numa reunião no meu local de trabalho, a Administradora comentou: "só falam bem de si"(603). Isto significa que temos de ter em andamento um conjunto de estratégias de amor com todas as pessoas.(604)
Tenho pessoas que todos os dias quando passam pelo meu escritório vêm de propósito cumprimentar-me.(605)
Que estratégias de amor vai desenvolver com aqueles que lhe querem mal?(606)
Abraço fraterno
Nuno Miguel R. S. Gomes
(Sociólogo e Filósofo)
Fale comigo, questione: Auto.ajuda.mundo@gmail.com
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