
Raciocínio 53/200
O silêncio estúpido
Motivação para viver, a busca pela felicidade através de um método de esforço cognitivo. O método que usamos é efetuado por etapas graduais. Será o encadeamento destas etapas que nos levará a entender este processo complexo constituído por 200 raciocínios.
Começaremos vários exercícios de motivação. Poderá comentá-los, ou enviar mensagem em privado para o nosso email: Auto.ajuda.mundo@gmail.com
Iremos gradualmente e por raciocínios adquirir conhecimento motivacional. Sugerimos que comece pela 1° raciocínio para poder perceber o encadeamento dos raciocínios que iremos estabelecer, e faça a leitura ao seu ritmo. Basta em cima selecionar "Raciocínios" e 1/200, e depois por 2/200 e assim por diante.
Vamos fazer aqui um resumo de todos os raciocínios que já abordámos:
1/200 - O início de uma caminhada
2/200 - O problema de atribuir significado a pensamentos que não interessam
3/200 - Não permita que o passado exerça poder sobre si
4/200 - Transcenda as limitações do passado
5/200 - A mente e o poder incrível da imaginação
6/200 - Os rituais do imaginário
7/200 - Preferir a "felicidade" à "depressão"
8/200 - Vamos criar um raciocínio produtivo
9/200 - O problema da crença do poder da atração
10/200 - Escolher a felicidade e recusar a infelicidade (Parte 1)
11/200 - A explicação do nosso "segredo"!
12/200 - O problema da Ataraxia
13/200 - A emoção da tristeza
14/200 - Nós somos responsáveis pela maneira como nos sentimos
15/200 - A lei da fé
16/200 - O que fazer com a inveja
17/200 - Quando está tudo escuro e a luz que brilha está bem longe
18/200 - A Paz Interior o motor da vida (1/3): introdução
19/200 - A Paz Interior o motor da vida (2/3): o poder da recordação
20/200 - A Paz Interior o motor da vida (3/3): A regra do silêncio deixando de ter razão
21/200 - Retirar de nós a auto-piedade, auto-rejeição, auto-depreciação, auto-anulação (parte 1)
22/200 - Auto-acusação e Auto-piedade (parte 2)
23/200 - Esclarecimento sobre os "Autos"
24/200 - Tomar consciência dos pensamentos que temos
25/200 - Preferir a FELICIDADE em vez da infelicidade (Parte 2)
26/200 - Não tenha medo de errar
27/200 - Fortaleça a sua estabilidade interior
28/200 - Como ter potência criadora - 5 estratégias (Parte 1): Introdução
29/200 - Como ter potência criadora - 5 estratégias (Parte 2): Projetar potência criadora numa dedicação integral com todos, da mesma forma e continuamente
30/200 - Como ter potência criadora - 5 estratégias (Parte 3): ofereça presença
31/200 - Como ter potência criadora - 5 estratégias (Parte 4): "Acolhimento" - 1ª Dimensão
32/200 - Como ter potência criadora - 5 estratégias (Parte 5): "Acolhimento" (continuação)
33/200 - Como ter potência criadora - 5 estratégias (Parte 6): "Apoio" - 2ª dimensão
34/200 - Como ter potência criadora - 5 estratégias (Parte 7): "Apoio" - 2ª dimensão (continuação)
35/200 - Como ter potência criadora - 5 estratégias (Parte 8): "Projeção" - 3ª dimensão
36/200 - Como ter potência criadora - 5 estratégias (Parte 9): "Valorizar" - 4ª dimensão
37/200 - Como ter potência criadora - 5 estratégias (Parte 10): "Entrar em sintonia" - 5ª dimensão
38/200 - Como ter potência criadora - 5 estratégias (Parte 11): "ilumine o outro" - 6ª dimensão
39/200 - Como ter potência criadora - 5 estratégias (Parte 12): "Como definir o Campo de Ação e o Poder de saber o nome" - 7ª dimensão
40/200 - Como ter potência criadora - 5 estratégias (Parte 13): "Altere o seu olhar" - 8ª dimensão
41/200 - Como ter potência criadora - 5 estratégias (Parte 14): "dar espaço ao outro" - 9ª dimensão
42/200 - Como ter potência criadora - 1 estratégia: IVA (imposto de valor acrescentado)
43/200 - Como ter potência criadora - 2 estratégia: O que é um não assunto (parte 1/4)
44/200 - Como ter potência criadora - 2 estratégia: O que é um não assunto (continuação): Um segredo que revelamos - A criação das redes de pequenas maledicências no trabalho (parte 2/4)
45/200 - Como ter potência criadora - 2 estratégia: O que é um não assunto (continuação): A dificuldade de tornar um assunto em não assunto (3/4)
46/200 - Como ter potência criadora - 2 estratégia: O que é um não assunto (continuação): na prática o que deixar de fazer (parte 4/4)
47/200 - Como ter potência criadora - 3 estratégia: Não chame os outros à atenção
48/200 - Como ter potência criadora - 4 estratégia: Cale-se por favor!
49/200 - Como ter potência criadora - 5 estratégia: A história de Tolstói (uma reflexão)
50/200 - Como ter potência criadora: Finalmente - Os miminhos
51/200 - Relações horizontais e não verticais: a unilateralidade - parte 1
52/200 - Relações horizontais e não verticais: a autoresponsabilidade - parte 2
Hoje iremos analisar o nosso Raciocínio 53/200 - O silêncio estúpido
O silêncio estúpido que existe muitas das vezes nas relações humanas digo ser estúpido porque as pessoas desperdiçam esse tempo(1) e deixam de falar(2) com esposa ou marido.(3)Quero inicialmente seguir uma visão sociológico-filosófica sobre o "silêncio estúpido" nas relações humanas(4). Este "silêncio estúpido", que digo com coragem e honestidade, é aquele espaço vazio que se instala entre duas pessoas(5) — muitas vezes entre quem mais se ama(6) — não porque se escolhe o silêncio como forma de presença e contemplação (o que seria um silêncio sábio)(7), mas porque se desiste da tentativa de comunicar(8), de compreender, de se vulnerabilizar.(9)
1. Sociologia: o silêncio como reflexo da estrutura social(10). Do ponto de vista sociológico, podemos ver esse fenómeno como consequência de várias dinâmicas modernas:(11)
• Individualismo exacerbado, Zygmunt Bauman falaria de "relações líquidas"(12). Numa sociedade centrada no "eu", a escuta do outro perde espaço(13). Em vez de uma construção conjunta, o casal torna-se em dois indivíduos solitários lado a lado.(14)
• Rotina e alienação(15), inspirado em Marx: o trabalho, o cansaço, o stress diário esvaziam o tempo de qualidade(16). O silêncio surge não como escolha, mas como inércia(17). As palavras cansam mais do que libertam.(18)
2. Filosofia: a linguagem como ponte ou abismo.(19)
Do ponto de vista filosófico, este silêncio "estúpido" é a negação do que nos torna humanos(20): o diálogo, o encontro do "eu" com o "tu".(21)
• Martin Buber, na sua filosofia do "Eu e Tu", dizia que o verdadeiro encontro acontece quando falamos e ouvimos o outro como um "tu", não como um objeto.(22)
Em Buber, "Eu e Tu" é visto da seguinte forma:
- a relação Eu–Tu é viva, presente e recíproca;(23)
- a relação Eu–Isso transforma o outro em objeto, coisa, meio ou distância;(24)
- quando o encontro deixa de ser relacional, o outro deixa de ser "Tu".(25)
• Heidegger via o "dizer" como parte do nosso ser-no-mundo. Quando paramos de falar, paramos de existir plenamente no espaço do outro. O silêncio torna-se uma forma de ausência existencial.(27)
• Simone Weil falava da atenção como forma de amor. Quando deixamos de falar com quem amamos, estamos a negar-lhe atenção — e, por isso, amor.(28)
3. Uma crítica amorosa: Chamamos o silêncio de "estúpido" com razão. Esse silêncio é desperdício de tempo, de intimidade, de vida(29). O amor precisa ser dito(30), ouvido, repetido, mesmo quando parece óbvio.(31)
Todos os dias ao telefone com a minha mamã digo:
- "mamã te amo muito" - eu reconheço a falta que vai fazer quando não a tiver jamais.(32)
A intimidade cresce com palavras simples:(33)
- "estás bem?",
- "pensei em ti",
- "hoje senti saudades de nós".
Quando essas palavras não são ditas, o silêncio não é paz, é ausência.(34)
Há silêncios que matam o que deveria ser vivo(35). O amor, tal como a linguagem, é um ato contínuo.(36)
Deixar de falar é deixar de construir.(37)
Vamos ver se nos entendemos. Se na nossa relação amorosa a outra pessoa deixa de falar connosco porque ficou melindrada com algo, é tão simples: "desculpa-me!"(38) e investimos na relação(39), na aproximação e não no silêncio estúpido.(40)
Se eu por exemplo armar-me em parvo, preciso chegar-me à frente e de imediato: "desculpa, estou a agir mal contigo"(41) - E estarei a investir na relação, na aproximação e não no silêncio estúpido.(42)
Quando alguém deixa de falar, não está apenas a fazer silêncio, está a interromper o processo de construção da relação(43). Relações constroem-se em presença, palavra, gesto e reparação(44). O silêncio defensivo suspende tudo isso(45). Não resolve, não protege, não cura. Apenas afasta.(46)
Numa relação amorosa, o silêncio usado como resposta à mágoa não é neutro:(47)
ele cria distância, produz insegurança e transforma o outro num adversário implícito(48). Quem se cala não está a ganhar tempo para compreender(49); está, muitas vezes, a retirar-se do vínculo(50), ainda que fisicamente permaneça ali.(51)
O ponto central é este: o investimento vem antes da razão.(52)
Não é preciso esclarecer tudo para pedir desculpa.(53)
Exercício 1
Releia a frase anterior milhares de vezes.
Não esclareça, não entre em discussão de perspetivas(54). A frase "desculpa-me" é um gesto de preservação da ponte.(55)
Assumir "estou a agir mal contigo" não é humilhação, é maturidade relacional(56). É reconhecer que, naquele momento, o comportamento está a ferir o vínculo(57), independentemente da intenção original(58). O foco deixa de ser o ego e passa a ser a relação.(59)
O silêncio "estúpido" nasce quase sempre do orgulho(60), do medo ou da necessidade de ter razão(61). Mas relações não sobrevivem à lógica de quem vence discussões(61); sobrevivem à lógica de quem repara rapidamente.(62)
Investir na aproximação é escolher o vínculo em vez do controle.(63)
A relação é mais importante do que ter razão.(64)
Releia a frase anterior, milhares de vezes.
Os raciocínios são práticos e devem levar-nos a agir sobre a realidade(65). Será a nossa ação que produzirá o efeito que desejamos.(66)
Não podemos simplesmente agir como a maioria das relações cultivando um fosso que se aproximará.(67)
Relações duradouras fazem-se com a construção de alicerce em alicerce(68). Agora compreenda e aqui seguirá um SEGREDO - a construção é apenas unilateral.(69)
Compreendemos que a sociedade tem divulgado uma imensa bilateralidade entre os pares(70), mas precisa de concordar connosco que na maioria das relações não existe essa sintonia ou o que existe será sempre uma guerra eterna(71) de um que prevalece sobre o outro, daquele que domina e do dominado.(71)
Quando amamos de facto alguém, podemos defender a unilateralidade no amor, porque acreditamos que o verdadeiro amor não exige, dá-se.(72)
Quando dizemos que defendemos a unilateralidade, estamos a dizer:(73)
"Eu amo porque quero, porque me faz sentido, porque o amor é meu(74). Não dependo da resposta do outro para sentir respeito, entrega ou cuidado."(75)
E isso é tão diferente do que a sociedade ensina hoje, não é? Hoje tudo parece uma troca:(76)
- "Dou, se receber."(77)
- "Faço, se fizeres."(78)
- "Amo, se fores como eu quero."(79)
Afinal o que dizemos mesmo?(80)
- "Eu amo porque o meu coração quer amar(81). E quando amo, respeito(82). Não desisto só porque o outro não faz igual."(83)
Vamos ver se conseguimos fazer entender esta matéria tão complexa.(84)
Nas dificuldades das minhas relações quer com chefias, colegas difíceis, relação amorosa, tudo representa para nós mesmos uma oportunidade de crescimento.(85)
Uma oportunidade de reavaliação de palavras(86), gestos, expressões, atitudes(87) - atenção: não dos outros(88), mas as minhas atitudes, as minhas palavras, o como eu agi(89). Consegue ver a diferença?(90)
O centro não é a outra pessoa(91), não é o que o outro me disse(92), não é o que ela disse, não é o que ele disse que me afeta(93), mas sim o que eu mesmo permito que me afete, o que é bem diferente e já abordámos esta temática.(94)
Repare que as divergências nas relações devem ajudar-nos a fazermos uma reavaliação a nós mesmos:(95)
- "será que usei as melhores palavras?"(96)
- "será que poderia agir de outra forma?"(97)
O que se pretende é despertar em nós o lado mais humano.(98)
O que queremos atingir é a sensibilidade da coisa em si.(99)
Mas a sensibilidade de quem?(100)
De quem me magoa?(101)
Não! A nossa sensibilidade.(102)
Quem é que está num processo de desenvolvimento?(103)
Eu estou nesse processo!(104)
Quem tem de mudar?(105)
Eu tenho de mudar!(106)
Repare que se eu mudar, tudo muda à minha volta.(107)
Deste modo os silêncios deixam de ter sentido(108) porque eu mesmo darei o passo necessário para terminar aquele silêncio o mais depressa possível.(109)
Não me interesso por silêncios(110), eu interesso-me por relações.(111)
Não tenho interesse que me deixem de falar(112), eu falarei com respeito, com amor, com dedicação a TODAS as relações(113).
O respeito como parte do amor(114)
Quando entra o amor, entra o respeito, e que verdade tão bonita essa!(115)
Quem ama, cuida mesmo quando o outro está distante.(116)
O amor unilateral(117)
Como descrevemos não é fraqueza, é força na relação(118). É força para amar.(119)
Pode escolher todos os dias dar-se, sem esperar recompensa(120). E isso, é o amor mais maduro e profundo que pode existir.(121)
Unilateral(122)
- "Amo-te, mesmo que não me olhes".(123)
- "Respeito-te", mesmo que não percebas".(124)
O que sinto não espera permissão(125). É meu. É puro. É livre(126). E no meu amor, tu estás inteiro(127)
Mesmo quando te ausentas. Não porque me dás, mas porque te dou.(128)
Eu amo porque me entrego completamente.(129)
Me dou, respeitando as diferenças(130). Aprendendo com essas diferenças a gostar daquilo que não gosto e a fazer disso pontos de contato.(131)
Lembra-se de termos falado que precisamos estabelecer pontes com os outros?(132) Não faça abismos, construa pontes.(133)
Cada momento é uma oportunidade de amor.(134)
Se a sua relação passa o tempo a discutir pontos de vista, está bem longe deste ensino(135). Se a sua relação é uma eterna discussão então temos muito trabalho para fazermos juntos.(136)
Gostaríamos de tornar a sua pessoa mais humana(137), mais sensível para ouvir(138), mais sensível às suas próprias ações(139), e aí estaremos verdadeiramente a mexer no seu interior.(140)
Se começar a estabelecer mais vezes um diálogo interior consigo mesmo(141), então haverá oportunidade para alterar as situações à sua volta.(142)
E então, como se alteram as situações à nossa volta?(143)
Com estratégias eternas de amor.(144)
Se tentou (a) e não funcionou? Tente (b). E se não deu? Tente (c) e por aí por diante.(145)
Depois de esgotar todas as estratégias com as letras do alfabeto, comece com os números(146)
Tentativa 1, tentativa 2, tentativa 3 e encontrará estratégias eternas.(147)
Os números são eternos as letras não.(148)
Mas que estratégias fala?(149)
Tentativa 1(150)
- quando ela ou ele discordam de si pergunte: "explica me melhor para compreender" e mesmo que não entenda e porque quer relação e não discussão faz a vontade.
Tentativa 2(151)
(Estabeleceu-se um silêncio)
- "amor posso mandar vir uma pizza?"
- "olha vamos jantar fora?"...
Tentativa 3(152)
(A colega já não fala connosco)
- "olha trouxe uns bolinhos",
- "trouxe um chocolate",
- "mas que lindo vestido tens hoje"....
Já falámos sobre isto quando falámos que precisamos dar brilho nas outras pessoas(153). Dar brilho é arranjar algo que eu possa elogiar de forma genuína.(154)
Raciocínio 38 - Como ter potência criadora - 5 estratégias (Parte 11): "ilumine o outro" - 6ª dimensão
Tentativa 4(155)
(A chefe fala-me mal)
- "Dra. Teresa, nem sabe o que me aconteceu… estava a ir…." - conte histórias breves como se tivesse a falar com uma verdadeira amiga.
Tentativa 5(156)
(O filho não fala comigo)
- "querido decidi comprar-te uma viagem para ires com a tua namorada. Estava a pensar em:....." e dê-lhe oportunidade de escolher vários destinos…
As estratégias são estratégias de amor(157)
Pense em estratégias(158). O que eu posso fazer para alterar estas situações?(159)
Lembre-se: quem precisa mudar?(160)
Eu preciso mudar!(161)
Abraço fraterno
Nuno Miguel R. S. Gomes
(Sociólogo e Filósofo)
Fale comigo, questione: Auto.ajuda.mundo@gmail.com
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