Raciocínio 58/200
O desconforto: os contra-vontades (parte 2)

Motivação para viver, a busca pela felicidade através de um método de esforço cognitivo. O método que usamos é efetuado por etapas graduais. Será o encadeamento destas etapas que nos levará a entender este processo complexo constituído por 200 raciocínios.
Começaremos vários exercícios de motivação. Poderá comentá-los, ou enviar mensagem em privado para o nosso email:
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Iremos gradualmente e por raciocínios adquirir conhecimento motivacional. Sugerimos que comece pela 1° raciocínio para poder perceber o encadeamento dos raciocínios que iremos estabelecer, e faça a leitura ao seu ritmo. Basta em cima selecionar "Raciocínios" e 1/200, e depois por 2/200 e assim por diante.
Vamos fazer aqui um resumo de todos os raciocínios que já abordámos:
1/200 - O início de uma caminhada
2/200 - O problema de atribuir significado a pensamentos que não interessam
3/200 - Não permita que o passado exerça poder sobre si
4/200 - Transcenda as limitações do passado
5/200 - A mente e o poder incrível da imaginação
6/200 - Os rituais do imaginário
7/200 - Preferir a "felicidade" à "depressão"
8/200 - Vamos criar um raciocínio produtivo
9/200 - O problema da crença do poder da atração
10/200 - Escolher a felicidade e recusar a infelicidade (Parte 1)
11/200 - A explicação do nosso "segredo"!
12/200 - O problema da Ataraxia
13/200 - A emoção da tristeza
14/200 - Nós somos responsáveis pela maneira como nos sentimos
15/200 - A lei da fé
16/200 - O que fazer com a inveja
17/200 - Quando está tudo escuro e a luz que brilha está bem longe
18/200 - A Paz Interior o motor da vida (1/3): introdução
19/200 - A Paz Interior o motor da vida (2/3): o poder da recordação
20/200 - A Paz Interior o motor da vida (3/3): A regra do silêncio deixando de ter razão
21/200 - Retirar de nós a auto-piedade, auto-rejeição, auto-depreciação, auto-anulação (parte 1)
22/200 - Auto-acusação e Auto-piedade (parte 2)
23/200 - Esclarecimento sobre os "Autos"
24/200 - Tomar consciência dos pensamentos que temos
25/200 - Preferir a FELICIDADE em vez da infelicidade (Parte 2)
26/200 - Não tenha medo de errar
27/200 - Fortaleça a sua estabilidade interior
28/200 - Como ter potência criadora - 5 estratégias (Parte 1): Introdução
29/200 - Como ter potência criadora - 5 estratégias (Parte 2):
Projetar potência criadora numa dedicação integral com todos, da mesma forma e continuamente
30/200 - Como ter potência criadora - 5 estratégias (Parte 3): ofereça presença
31/200 - Como ter potência criadora - 5 estratégias (Parte 4): "Acolhimento" - 1ª Dimensão
32/200 - Como ter potência criadora - 5 estratégias (Parte 5): "Acolhimento" (continuação)
33/200 - Como ter potência criadora - 5 estratégias (Parte 6): "Apoio" - 2ª dimensão
34/200 - Como ter potência criadora - 5 estratégias (Parte 7): "Apoio" - 2ª dimensão (continuação)
35/200 - Como ter potência criadora - 5 estratégias (Parte 8): "Projeção" - 3ª dimensão
36/200 - Como ter potência criadora - 5 estratégias (Parte 9): "Valorizar" - 4ª dimensão
37/200 - Como ter potência criadora - 5 estratégias (Parte 10): "Entrar em sintonia" - 5ª dimensão
38/200 - Como ter potência criadora - 5 estratégias (Parte 11): "ilumine o outro" - 6ª dimensão
39/200 - Como ter potência criadora - 5 estratégias (Parte 12): "Como definir o Campo de Ação e o Poder de saber o nome" - 7ª dimensão
40/200 - Como ter potência criadora - 5 estratégias (Parte 13): "Altere o seu olhar" - 8ª dimensão

41/200 - Como ter potência criadora - 5 estratégias (Parte 14): "dar espaço ao outro" - 9ª dimensão
42/200 - Como ter potência criadora - 1 estratégia: IVA (imposto de valor acrescentado)
43/200 - Como ter potência criadora - 2 estratégia: O que é um não assunto (parte 1/4)
44/200 - Como ter potência criadora - 2 estratégia: O que é um não assunto (continuação): Um segredo que revelamos - A criação das redes de pequenas maledicências no trabalho (parte 2/4)
45/200 - Como ter potência criadora - 2 estratégia: O que é um não assunto (continuação): A dificuldade de tornar um assunto em não assunto (3/4)
46/200 - Como ter potência criadora - 2 estratégia: O que é um não assunto (continuação): na prática o que deixar de fazer (parte 4/4)
47/200 - Como ter potência criadora - 3 estratégia: Não chame os outros à atenção
48/200 - Como ter potência criadora - 4 estratégia: Cale-se por favor!
49/200 - Como ter potência criadora - 5 estratégia: A história de Tolstói (uma reflexão)
50/200 - Como ter potência criadora: Finalmente - Os miminhos
51/200 - Relações horizontais e não verticais: a unilateralidade - parte 1
52/200 - Relações horizontais e não verticais: a autoresponsabilidade - parte 2
53/200 - O silêncio estúpido
54/200 - Eu adapto-me ou o outro tem de se adaptar a mim?
55/200 - Não compre guerras. O problema da conspiração
56/200 - A teoria dos Habitats: não floresça em microclimas
57/200 - O desconforto: o nosso campo de ação (parte 1) 

Hoje iremos analisar o nosso Raciocínio 58/200 - O desconforto: os contra-vontades (parte 2).

A filosofia a que chamamos de contra-vontades(1), é precisamente esta saída da nossa zona de conforto(2). É uma filosofia da fricção interior.(3)

A filosofia dos contra-vontades é como se fosse o estudo daquelas forças que nos arrastam para fora daquilo que queremos(4), ou melhor, daquilo que achamos que queremos.(5)

É este sair para fora do conforto e abraçar todo um caminho de desconforto(6), forma de abraçar outras realidades.(7)

E aqui temos a chave secreta para mundos novos.(8)

O conforto é, no fundo, um lugar onde tudo está previsto, medido, controlado(9). E é nessa previsibilidade que o mundo se torna pequeno.(10)

Já o desconforto é uma porta aberta para o desconhecido(11). É através dele que somos empurrados para fora da bolha sensível do "eu habitual"(12), e confrontados(13) com outras formas de ser, de sentir, de pensar.(14)

Poderíamos dizer que o desconforto é o preço da expansão(15). Como se cada nova realidade exigisse de nós um certo abandono da pele velha(16), das ideias fixas(17), dos desejos fáceis.(18)

Transgressão íntima(19)
E então nasce a filosofia dos contra-vontades como uma prática de transgressão íntima.(20)

Como se disséssemos:
- "Se dói(21), talvez estejas a crescer".(22)
- "Se incomoda(23), talvez estejas a ver".(24)
- Se assusta(25), talvez estejas a atravessar um limiar."(26)

É uma espécie de mística do incômodo(27), mas sem ser masoquista(28) e sem haver mística nenhuma.(29)

É uma coragem de tocar o que é estranho(30), fora e dentro de nós(31), para deixar que esse estranhamento nos transforme.(32)

O estranhamento(33)
Vários filósofos e teóricos defenderam o estranhamento como algo fundamental para o pensamento, para a arte e até para o crescimento humano.(34)

1. Viktor Shklovsky (russo)(35)
Ele não era exatamente filósofo, mas teórico da arte(36). Criou o conceito de "ostranenie" (estranhamento ou desfamiliarização)(37). Para ele: A arte existe para tornar o familiar estranho novamente(38). Porque nos acostumamos com tudo(39). O hábito automatiza a perceção(40). O estranhamento quebra essa automatização(41) e obriga-nos a ver de verdade.(42)

2. Bertolt Brecht (poeta e encenador alemão, 1898-1956)(43)
Na dramaturgia, defendeu o efeito de distanciamento (Verfremdungseffekt)(44).Ele queria que o público não se identificasse passivamente com a peça(45), mas se sentisse um pouco deslocado, para pensar criticamente.(46)
Ou seja, o estranhamento gera consciência.(47)

3. Heidegger (filósofo alemão, 1889-1976)(48)
A experiência da angústia revela o mundo de forma diferente(49). Ela retira as coisas da familiaridade cotidiana(49) e coloca-nos diante do "ser"(50). Aqui o estranhamento é existencial.(51)

4. Freud (pai da psicanálise, austríaco, 1856-1939)(52)
No ensaio "O inquietante" (Das Unheimliche), Freud analisa aquela sensação de algo que é familiar e estranho ao mesmo tempo(53). O estranho revela aquilo que estava reprimido(54) ou oculto.(55)

5. Nietzsche (filósofo alemão, 1844-1900)(56)
Também valoriza o deslocamento(57). Ele critica a moral tradicional(58) justamente porque nos acostumamos a ela(59). O filósofo, para ele, é aquele que estranha o que todos consideram normal.(60)

A nossa filosofia dos contra-vontades é semelhante ao estranhamento(61)
Estranhamento e desconforto(62). Estranhamos as novas situações(63) mas é isso que nos faz ir mais longe(64). É uma intuição filosófica muito forte(65). O estranhamento gera desconforto(66), rutura da rotina(67), quebra da identidade anterior(68), questionamento.(69)

É justamente isso que permite:(70)
- Crescimento
- Aprendizagem
- Autoconhecimento
- Inovação

Se tudo é familiar(71), nada nos move.(72)

O estranhamento rompe o hábito(73)
O hábito dá segurança(74). A rutura gera desconforto(75). O desconforto força reorganização(76). A reorganização gera desenvolvimento(77). E tudo isto é uma conversa com a Filosofia existencial(78), com a Psicologia do desenvolvimento(79), com as Teorias da aprendizagem (como Piaget no conflito cognitivo)(80). A Ideia central é que o estranhamento é quase uma condição para pensar de verdade(81) e sair do automático.(82) 

Exemplo(83)
Eu gosto de yoga, gosto de body-balance. Não gosto de zumba. Mas seguindo a filosofia dos contra-vontades quando faço uma aula de zumba divirto-me bastante, acabo por rir-me de mim mesmo. Isto é um contra-vontade.

Uma zona adormecida da alma(84)
É como se o que não gostamos, fosse uma zona adormecida da nossa alma, e ao tocar nela, mesmo sem vontade(85), despertamos um lado que estava esquecido(86), uma outra forma de ver a realidade.(87)

O gesto de realizar um contra-vontade tem uma força filosófica imensa(88)
É o corpo a dizer "sim" onde a mente dizia "não"(89). 
E nesse pequeno sim(90), há um microcosmo da nossa própria expansão.(91)

Um chamado secreto à transformação interior(92)
Às vezes a vontade é uma espécie de preguiça disfarçada(93), e o contra-vontade, um chamado secreto à transformação interior.(94)

Pensar nos contra-vontades como instrumentos de desconforto fértil(95) pode ser o ponto de partida(96). É o rasgar do tecido da comodidade(97) e fazer emergir uma verdade nova(98), inesperada.(99)

Já antes disse que quando terminei o meu Mestrado em Sociologia pensei: "que curso eu era incapaz de fazer?" E seguindo a filosofia dos contra-vontades, inscrevi-me em Coreano por dois anos.(100) 

Não são apenas negações da vontade(101), mas convites a um reajuste do querer(102), onde o eu se vê obrigado a repensar-se.(103)

O contra-vontade é:
• O corpo que se recusa a obedecer a um desejo mental;(104)
• Quando saímos do caminho traçado com demasiada lógica, em direção a algo mais selvagem, mais vivo.(105)

E então surge o desconforto, esse lugar de tensão fértil(106). Um território em que não sabemos bem quem somos(107) e é aí, precisamente aí(108), que nasce a filosofia.(109)

Preciso que entenda que o local onde estamos agora é um reflexo de decisões passadas(110). Mas podemos alterar o rumo da nossa existência através de um sem número de contra-vontades.(111)

O PRESENTE é a herança de escolhas confortáveis(112), previsíveis(113), automáticas.(114)
O FUTURO é como um território que só pode ser verdadeiramente novo(115) se for atravessado pelos contra-vontades.(116)

É como se disséssemos:
- O conforto construiu o mundo em que estou;(117)
- O desconforto constrói o mundo que ainda não existe.(118)

Os contra-vontades, então, não são apenas gestos pessoais(119), são alavancas de transformação existencial(120). São decisões que cortam com o padrão anterior(121), que atravessam o medo(122), que desafiam os hábitos.(123) 

Estamos onde estamos porque decidimos consciente(124) ou inconscientemente(125) permanecer naquilo que conhecíamos.(126)

O lugar presente é o eco do passado(127). Mas dentro de nós pulsa o desejo de mudança.(128)

A fricção aparece: não como vontade(129), mas como um contra-vontade.(130) 

O desconforto não é inimigo(131) é a bússola que nos ajuda a mudar de direção.(132)

Há um grande filme que é obrigatório para entendermos a filosofia dos contra-vontades.(133)

Filme: "Yes Man", com o Jim Carrey, traduz de forma simplificada em que consistem os contra-vontades mesmo sem lhes chamar por esse nome.(134)

Trailer do filme: https://youtu.be/fifBy4N3-_k?si=UF4MM4PDQOBLUFb_

A personagem do Jim Carrey, Carl, começa preso num ciclo de negação(135), diz "não" à vida, ao amor, à aventura, ao risco(136). Está num estado de morte lenta dentro do conforto rotineiro(137). Mas quando começa a dizer "sim" a tudo(138), mesmo às coisas que não quer(139), que o incomodam(140), que o assustam(141), a vida dele explode em possibilidades novas(142). Há exagero, claro, é comédia(143), mas há uma verdade profunda ali: Quando dizemos sim ao que não nos apetece(144), abrimos portas que a nossa vontade nunca teria escolhido(145). No fundo, dizer "sim" no filme é o mesmo que praticar os contra-vontades(146). Aceitar convites improváveis(147), sair do personagem habitual(148), confiar no caos como maestro de transformação.(149) 
Claro que o filme também mostra o limite disso(150): quando dizemos sim de forma cega(151), perdemos autonomia(152). [atenção que apenas e exclusivamente quando o fazemos cegamente](153) 

Mas a beleza está em encontrar um equilíbrio(154), escolher alguns contra-vontades com consciência(155), como pequenos rituais(156) de desprogramação do ego.(157)

Ao fazê-lo abrimos um leque de oportunidades(158) que não existiriam se não agíssemos dessa forma.(159) 
Cada contra-vontade é uma fenda no automatismo.(160) 
Uma dança forçada que revela um novo ritmo.(161) 
Uma escolha que não apetece(162), mas abre oportunidades.(163)

Nessa travessia(164), está o poder de mudarmos o rumo da nossa existência.(165)

Abraço fraterno
Nuno Miguel R. S. Gomes
(Sociólogo e Filósofo)

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