
Raciocínio 72/200
Solidão, Solitude e Solícito
Motivação para viver, a busca pela felicidade através de um método de esforço cognitivo. O método que usamos é efetuado por etapas graduais. Será o encadeamento destas etapas que nos levará a entender este processo complexo constituído por 200 raciocínios.
Começaremos vários exercícios de motivação. Poderá comentá-los, ou enviar mensagem em privado para o nosso email: Auto.ajuda.mundo@gmail.com
Iremos gradualmente e por raciocínios adquirir conhecimento motivacional. Sugerimos que comece pela 1° raciocínio para poder perceber o encadeamento dos raciocínios que iremos estabelecer, e faça a leitura ao seu ritmo. Basta em cima selecionar "Raciocínios" e 1/200, e depois por 2/200 e assim por diante.
Vamos fazer aqui um resumo de todos os raciocínios que já abordámos:
1/200 - O início de uma caminhada
2/200 - O problema de atribuir significado a pensamentos que não interessam
3/200 - Não permita que o passado exerça poder sobre si
4/200 - Transcenda as limitações do passado
5/200 - A mente e o poder incrível da imaginação
6/200 - Os rituais do imaginário
7/200 - Preferir a "felicidade" à "depressão"
8/200 - Vamos criar um raciocínio produtivo
9/200 - O problema da crença do poder da atração
10/200 - Escolher a felicidade e recusar a infelicidade (Parte 1)
11/200 - A explicação do nosso "segredo"!
12/200 - O problema da Ataraxia
13/200 - A emoção da tristeza
14/200 - Nós somos responsáveis pela maneira como nos sentimos
15/200 - A lei da fé
16/200 - O que fazer com a inveja
17/200 - Quando está tudo escuro e a luz que brilha está bem longe
18/200 - A Paz Interior o motor da vida (1/3): introdução
19/200 - A Paz Interior o motor da vida (2/3): o poder da recordação
20/200 - A Paz Interior o motor da vida (3/3): A regra do silêncio deixando de ter razão
21/200 - Retirar de nós a auto-piedade, auto-rejeição, auto-depreciação, auto-anulação (parte 1)
22/200 - Auto-acusação e Auto-piedade (parte 2)
23/200 - Esclarecimento sobre os "Autos"
24/200 - Tomar consciência dos pensamentos que temos
25/200 - Preferir a FELICIDADE em vez da infelicidade (Parte 2)
26/200 - Não tenha medo de errar
27/200 - Fortaleça a sua estabilidade interior
28/200 - Como ter potência criadora - 5 estratégias (Parte 1): Introdução
29/200 - Como ter potência criadora - 5 estratégias (Parte 2): Projetar potência criadora numa dedicação integral com todos, da mesma forma e continuamente
30/200 - Como ter potência criadora - 5 estratégias (Parte 3): ofereça presença
31/200 - Como ter potência criadora - 5 estratégias (Parte 4): "Acolhimento" - 1ª Dimensão
32/200 - Como ter potência criadora - 5 estratégias (Parte 5): "Acolhimento" (continuação)
33/200 - Como ter potência criadora - 5 estratégias (Parte 6): "Apoio" - 2ª dimensão
34/200 - Como ter potência criadora - 5 estratégias (Parte 7): "Apoio" - 2ª dimensão (continuação)
35/200 - Como ter potência criadora - 5 estratégias (Parte 8): "Projeção" - 3ª dimensão
36/200 - Como ter potência criadora - 5 estratégias (Parte 9): "Valorizar" - 4ª dimensão
37/200 - Como ter potência criadora - 5 estratégias (Parte 10): "Entrar em sintonia" - 5ª dimensão
38/200 - Como ter potência criadora - 5 estratégias (Parte 11): "ilumine o outro" - 6ª dimensão
39/200 - Como ter potência criadora - 5 estratégias (Parte 12): "Como definir o Campo de Ação e o Poder de saber o nome" - 7ª dimensão
40/200 - Como ter potência criadora - 5 estratégias (Parte 13): "Altere o seu olhar" - 8ª dimensão
41/200 - Como ter potência criadora - 5 estratégias (Parte 14): "dar espaço ao outro" - 9ª dimensão
42/200 - Como ter potência criadora - 1 estratégia: IVA (imposto de valor acrescentado)
43/200 - Como ter potência criadora - 2 estratégia: O que é um não assunto (parte 1/4)
44/200 - Como ter potência criadora - 2 estratégia: O que é um não assunto (continuação): Um segredo que revelamos - A criação das redes de pequenas maledicências no trabalho (parte 2/4)
45/200 - Como ter potência criadora - 2 estratégia: O que é um não assunto (continuação): A dificuldade de tornar um assunto em não assunto (3/4)
46/200 - Como ter potência criadora - 2 estratégia: O que é um não assunto (continuação): na prática o que deixar de fazer (parte 4/4)
47/200 - Como ter potência criadora - 3 estratégia: Não chame os outros à atenção
48/200 - Como ter potência criadora - 4 estratégia: Cale-se por favor!
49/200 - Como ter potência criadora - 5 estratégia: A história de Tolstói (uma reflexão)
50/200 - Como ter potência criadora: Finalmente - Os miminhos
51/200 - Relações horizontais e não verticais: a unilateralidade - parte 1
52/200 - Relações horizontais e não verticais: a autoresponsabilidade - parte 2
53/200 - O silêncio estúpido
54/200 - Eu adapto-me ou o outro tem de se adaptar a mim?
55/200 - Não compre guerras. O problema da conspiração
56/200 - A teoria dos Habitats: não floresça em microclimas
57/200 - O desconforto: o nosso campo de ação (parte 1)
58/200 - O desconforto: os contra-vontades (parte 2)
59/200 - Um jogo de energias - escolher ou acolher?
60/200 - Como atrair tudo até si
61/200 - Porque não vendemos nada e o nosso experimento social é gratuito - Parte 1
62/200 - Porque não vendemos nada e o nosso experimento social é gratuito - Parte 2 - O busílis
63/200 - Ação ou reação - A peça teatral, dão-nos um guião e escolhemos outro papel
64/200 - Um amor raro que faz relações durarem anos - Não precisamos que nos peçam desculpa
65/200 - Dance nas suas relações sem impor coreografia
66/200 - Não chame ninguém a atenção (parte 2): uma revolução nos relacionamentos - espalhe flores
67/200 - Quando os outros endurecem o semblante: a ponte caída
68/200 - O mimo como forma de resistência contra o endurecimento do mundo: use a cor que tiver
69/200 - Um experimento social de acolhimento: não escolhemos mas acolhemos
70/200 - A solidão e o mundo das conexões: a porta enferrujada
71/200 - Mais vale só do que mal acompanhado: e se este ditado estiver incorreto?
Hoje iremos analisar o nosso Raciocínio 72/200 - Solidão, Solitude e Solícito
Quero trazer hoje três palavras para ajudar a percebermos estados diferentes da "alma"(1). São três formas de estar, de sentir, de se oferecer(2). Palavras que, quando escutadas com cuidado, revelam nuances que fazem toda a diferença.(3)
Tenho vindo a falar sobre solidão(4). Falei sobre a porta enferrujada:(5)
Raciocínio 70/200 - A solidão e o mundo das conexões: a porta enferrujada
E avancei mais, tentando destruir um ditado português que é uma afronta à experiência da vida na relação com o outro:(6)
Raciocínio 71/200 - Mais vale só do que mal acompanhado: e se este ditado estiver incorreto?
Hoje irei mais fundo e trago estas três palavras que darão mais significado à nossa existência:(7)
1. Solidão(8): é um vazio de experiência que vem através da falta da relação com os outros de forma significativa.(9)
É um vazio de experiência, mas não qualquer experiência(10). É a falta de experiência significativa com o outro.(11)
É quando estamos em relação, mas não em encontro.(12)
Quando o corpo está presente, mas a "alma" não se sente tocada.(13)
Passamos por um colega de trabalho e dizemos: "bom dia".(14)
Uma experiência significativa, seria passar por esse colega, dizer "bom dia" e acrescentar relação:(15)
- "queres ir até ali ao café?";(16)
- "depois do trabalho querer ir tomar um copo?"(17)
É estabelecer relações não superficiais.(18)
Solidão não é simplesmente a ausência de companhia(19), é a ausência de relação verdadeira.(20)
É estar rodeado de vozes(21), mas sem ser escutado(22), onde os outros não nos escutam, nem interesse têm nisso.(23)
E aqui poderíamos colocar toda a ênfase na falta dos outros(24), mas o nosso Experimento Social não vê o que o outro não faz(25), e só vê o que nós não fazemos.(26)
A dor da solidão aparece como ausência dos outros(27) e é legítimo senti-la assim(28). Mas no nosso GESTO já há uma viragem(29), uma ética(30), um olhar que recusa a vitimização como única lente(31). E isso muda tudo.(32)
De facto a solidão é estar rodeado de vozes, sim, mas vozes que não escutam.(33)
Presenças que não se interessam.(34)
Movimentos que não se voltam para nós.(35)
E isso não me interessa absolutamente!(36)
As atitudes dos outros não são o meu foco.(37)
O meu foco: é o que eu faço!(38)
Conforme já mencionei seria fácil, e até legítimo colocar toda a ênfase nos outros(39), na sua distração, na sua indiferença, na sua incapacidade de ver.(40)
No nosso Experimento Social, há uma mudança subtil e radical(41), não se trata de apontar o que falta nos outros(42), mas de ver o que ainda não estamos a oferecer.(43)
Não para nos culpar(44). Mas para nos tornarmos agentes(45) e não vítimas do vazio.(46)
Talvez não sejamos escutados, mas precisamos exercitar um Movimento inverso(47). Vamos escutar alguém(48). Convide alguém para ir almoçar consigo.(49)
Isso faz-me lembrar várias histórias na minha vida(50). Colegas com quem quero privar, entendê-los melhor, ouvi-los. Pessoas com as quais quero horizontalizar relações.(51)
Uma senhora da limpeza sempre bem disposta, sempre com um agrado. Disse-lhe um dia: "quando pode ir almoçar comigo, quero oferecer-lhe um almoço porque quero perceber de onde vem essa alegria toda"(52). Estabeleci uma ponte com esta senhora(53) que quando me vê diz: "lá vem o arcanjo Miguel".(54)
Faço este acto dos almoços com muitas pessoas(55). Faço muitos outros actos para ser eu a escutar.(56)
Aqui o Movimento de que falo é o inverso daquilo que faz parte do universo da solidão(57). Em vez de esperarmos dos outros(58), estabelecemos nós pontos de contato com os outros(59). E aqui está a revira volta das nossas relações, das nossas conexões.(60)
Não são os outros que não nos escutam(61). Somos nós que não escutamos(62). Ao escutarmos, abrimos um caminho bem diferente e cheio de histórias lindas(63). Nós queremos viver de forma inteira(64). É um acto de liberdade íntima.(65)
Não fico condicionado ao interesse dos outros(66), mas de facto estou condicionado ao interesse que tenho pelos outros.(67)
Consegue ver a diferença?(68)
O que acabo de dizer é uma chave(69). Uma chave que abre um caminho de responsabilidade radical(70), mas sem peso(71). Com leveza, até(72). Com dignidade.(73)
Não é ser ou não desejado ou compreendido(74), é o oposto.(75)
É desejar a presença dos OUTROS(76). É querer compreender os OUTROS.(77)
Quais outros? TODOS os outros.(78)
É um acto de liberdade íntima(79), porque não me deixo moldar pela negligência alheia(80). Não quero saber disso!(81)
Se houver alguma negligência é a minha negligência pelos outros.(82)
Não sou mais marioneta do desinteresse dos outros.(83)
Por isso é que no Movimento de Motivação e Auto-Ajuda, tudo é INTENCIONAL(84). Tudo faz parte da minha LUCIDEZ.(85)
E aqui está a delicadeza(86). Somos, sim, profundamente condicionados pelo interesse que temos pelos outros(87). Este interesse transforma tudo(88). Não é moral, não é sacrifício, é pura pulsão de vida(89). E o nosso coração pulsa por relação, por conexão, com TODOS.(90)
A forma como olhamos, como escutamos, como tocamos com as palavras, é aí que nos tornamos AGENTES da realidade.(91)
Mesmo num mundo surdo(92), ser escuta é profundamente gratificante.(93)
Mesmo num mundo apressado(94), ser presença é profundamente gratificante.(95)
Mesmo num mundo superficial(96), oferecer profundidade é profundamente gratificante.(97)
É assim que nos libertamos(98). Não ao afastarmo-nos, mas ao nos IMPLICARMOS com mais consciência(99). Não por precisarmos que os outros mudem(100), mas porque escolhemos ser diferentes neles.(101)
Na verdade fazemos história na vida das outras pessoas(102) e acabamos por ter centenas de histórias lindas para contar(103), porque somos legado na vida dos outros(104): "Seu legado são todas as vidas que você tocou"
E quando somos legado(105), não é porque deixámos grandes feitos inscritos em pedra(106), mas porque fomos aquela pausa que alguém precisava no meio do dia(107), aquele olhar que não julgava(108), aquela palavra que devolveu sentido.(109)
Oh, e temos tanto para fazer(110), tantas vidas para tocar.(111)
E há uma TERNURA REVOLUCIONÁRIA nisto(112). Estarmos inteiros numa escuta(113), sem tentar corrigir ou consertar(114), apenas abrigar.(115)
Há um gesto político na delicadeza com que tratamos o mundo(116), não como algo a conquistar(117), mas como algo a cuidar.(118)
E talvez essa seja a mais profunda forma de implicação(119), não querer dominar(120), mas habitar com presença, com afeto, com consciência.(121)
Habitar a vida dos outros.(122)
Cada gesto assim não é semente à espera de um tempo para germinar(123). Não quero semear nada!(124)
É já flor lançada no mundo(125), aberta no instante em que acontece(126). Não ficamos presos à expectativa de um resultado(127), nem à necessidade de sermos reconhecidos ou recompensados.(128).
Os nossos actos existem simplesmente porque os oferecemos(129). Como o perfume de uma flor que se espalha no ar(130), o gesto segue o seu caminho invisível(131), tocando o espaço à sua volta sem pedir licença(132).
O perfume não escolhe quem o sente(133). Passa por todos(134), mas nem todos o percebem(135). O meu perfume não perfuma uns e deixa outros por perfumar(136). Isso não acontece(137). O perfume enche todo o lugar(138). Atinge todos(139). Há quem esteja distraído, há quem esteja cansado, há quem tenha os sentidos fechados naquele momento(140). E mesmo assim o perfume permanece, discreto, fiel à sua própria natureza(141). Eu já abordei esta temática:(142)
Raciocínio 66 - Não chame ninguém a atenção (parte 2): uma revolução nos relacionamentos - espalhe flores
O gesto verdadeiro também é assim: não se mede pela reação imediata de quem o recebe, mas pela autenticidade com que foi feito.
Um cuidado, uma palavra, um olhar, transformam o ambiente de forma subtil, quase secretamente. E somos nós que transformamos o ambiente. Também falei sobre isso quando abordei o Raciocínio 56 - A teoria dos Habitats: não floresça em microclimas, e brinquei com este título, porque de facto nós florescemos em qualquer local.
Esta confiança serena no invisível, também é gratificante, porque o fazemos com TODAS as pessoas.
O "invisível" não se refere a algo literal, mas a tudo aquilo que não vemos imediatamente, não controlamos ou não recebemos de volta. É precisamente o efeito silencioso dos GESTOS que temos para os outros. Da confiança ou do cuidado que oferecemos sem garantia de reconhecimento, retorno ou resultado imediato.
É precisamente o impacto que não conseguimos medir, como o perfume no ar, que nem todos percebem, mas que existe. É a presença que deixamos no mundo, mesmo que alguns não a notem.
Então, quando digo "confiança serena no invisível", estou precisamente a falar de confiar que o bem que fazemos, o cuidado que oferecemos, tem efeito por si mesmo, mesmo que não haja visibilidade ou retorno imediato. É uma confiança na força do próprio gesto, no seu valor intrínseco, e na conexão silenciosa que se cria com TODAS as pessoas e não apenas com as que nos fazem sentir bem.
Sim, com TODAS as pessoas. Não apenas com aquelas que nos inspiram ou nos acolhem com facilidade, mas também com quem nos desafia, nos irrita.
É aí que a confiança se torna mais bela, quando a oferecemos a um outro que não excluímos por ser "diferente", "errado", "difícil", "tóxico".
Quando não fazemos da diferença uma barreira, mas um convite. Eles podem vir com os seus semblantes duros e altivos e nós devolvemos-lhe com TERNURA, LEVEZA e ACOLHIMENTO. E então, o nosso GESTO é REVOLUCIONÁRIO.
Quando não exigimos que o outro seja mais fácil, mais parecido, mais domesticável para merecer o nosso gesto.
Quando escolhemos ver para lá do que nos magoa ou desafia, não para nos anularmos, mas para recusarmos o jogo da exclusão.
É uma confiança que não depende de reciprocidade, mas da minha inteireza, do meu ser para com todos.
Não posso excluir alguns!
Porque ao confiar assim, não me coloco acima, coloco-me dentro.
Dentro da vulnerabilidade que é ser humano com outros humanos.
E isso é uma forma de amor que não se diz, mas que temos de a viver. Essa é a razão do nosso Experimento Social. E eu sou protagonista desta história que se escreve com a minha vida.
É ser chão fértil, mesmo que o outro traga tempestades.
E não o fazemos por heroísmo. Fazemo-lo porque sabemos que este GESTO transforma tudo por dentro e por fora.
Não se trata de ser bonzinho, trata-se de ser real.
Ser real no meio do ruído, ser humano num tempo que nos puxa para a indiferença.
Mesmo sem provas, mesmo sem retorno, estamos a criar o mundo que queremos habitar.
2. Solitude
E é aqui que entra a Solitude. A nossa segunda palavra. É na solitude onde vamos buscar força para continuar a dar sem nos perdermos.
Desfazendo a solidão com os nossos atos heroicos de coragem em acolhermos os outros, TODOS os OUTROS, não porque eles nos acolhem, mas porque nós os acolhemos, entramos neste Movimento que destrói a solidão.
Não porque os outros mudaram, mas porque nós deixámos de esperar e começámos a oferecer.
A Solitude não é isolamento é encontro interior.
É quando escolhemos estar connosco, não como fuga, mas como regresso.
Solitude é o silêncio que acolhe, dentro de nós.
É aquele momento em que a nossa "alma" se senta ao nosso lado e diz: "Estou aqui, contigo."
Quando faço estes pensamentos estou em solitude.
Solitude então não é estar sozinho, é estar inteiro comigo mesmo, a escutar os fios finos que me ligam ao mundo.
Cada Raciocínio é uma entrega onde me dou a cada um. Esta solitude é praticada por cada um quando na leitura dos raciocínios se encontra consigo mesmo, se questiona, se avalia.
É quando você se interroga:
- "o que estou a fazer com a minha vida?"
- "como é a minha presença no mundo?"
- "que vidas toco?"
É um estar comigo que não me separa, mas me prepara para estar com os outros de forma mais verdadeira.
É quando não preciso de plateia, nem de aplausos.
Quando o pensamento me basta, porque ele vem de mim, vem do meu sentir.
Na solitude, toco o invisível que depois levamos connosco quando olhamos os outros, quando os escutamos, quando nos avaliamos, quando tocamos com as palavras. Tudo isso nos MUDA.
É aí que se faz o fundo onde tudo o resto se assenta.
Nesses momentos estamos em solitude sim, mas nunca em isolamento.
Porque o que nasce destes actos é para o mundo e o mundo sente. E eu me transformo e torno-me mais humano.
Vimos então a destruição da solidão, onde pela solitude eu construo tudo à minha volta, pela coragem do meu interior em AÇÃO.
Sim, destruímos a solidão, e a solitude torna-se uma força construtiva, mas vibrando de outra forma.
O que se ergue à volta de nós, não vem de fora, não vem dos outros, não vem das promessas do mundo, mas do interior que ousa sair de si, não para fugir, mas para tocar. O nosso Experimento Social é deveras muito profundo e muito difícil de executar. É me pedido que transforme todo o meu interior.
E nós, oh nós, queremos dar significado às vidas à nossa volta.
Esta coragem da solitude não é barulhenta, nem busca aplauso. É uma coragem que se faz no meu GESTO, no meu OLHAR para o outro, na minha PRESENÇA.
E o que nasce daqui não é exatamente "obra", mas talvez mundo. Um mundo em que cabemos, porque foi feito com os materiais íntimos da nossa verdade.
Não com pressa de resposta, mas com a firmeza dos que escolheram não fugir da própria companhia.
Destruímos e destronamos a solidão.
Colocamos no pedestal da nossa existência a solitude, para deixar sair de mim a coragem de nos darmos aos outros, pela reflexão que fazemos de nós mesmos.
Sim, como se o altar mais sagrado fosse esse lugar onde nos sentamos a sós connosco não para nos isolarmos, mas para escutarmos com nitidez o que em nós pulsa, hesita, deseja, se transforma.
E nesse silêncio, onde tudo poderia fechar-se, nasce a coragem de abrir.
A solitude torna-se então o espaço onde se acende a LUCIDEZ, a NOSSA LUCIDEZ.
É fundamento. Damo-nos aos outros como quem, ao refletir, se lapida, e no reflexo encontra também os contornos do outro.
E talvez a maior dádiva que podemos oferecer seja essa presença atravessada de consciência, onde não há urgência de fusão, e não há medo da distância. Apenas o gesto de nos darmos, inteiros, mas não fechados.
3. Ser Solícito
E por fim depois de ter destruído a solidão e ter abraçado a solitude, vem o ser solícito.
Ser solícito é a arte de se oferecer com DOÇURA.
É escutar o que o outro precisa, antes mesmo que peça. Não por obrigação, mas por presença. A minha presença.
A solitude nasce de dentro de nós, no reconhecimento da importância do outro e por isso podemos dar sem nos perder.
Estas três palavras dançam juntas, se deixarmos: solidão, solitude e ser solícito.
A solidão se escutada, pode abrir espaço para a solitude.
E da solitude brota, uma delicada vontade de cuidar de ser solícito com o mundo.
Ser solícito é oferecer-se, com cuidado e atenção, ao OUTRO.
É estar disponível, sem me impor.
Se oferecer essa disponibilidade na sua relação amorosa, você irá desfrutar de um amor diferente e radical.
Um amor que só se encontra quando nos damos, nos oferecemos.
Um amor sem exigências.
Então talvez a dança seja esta:
Estar em solitude, para poder ser solícito sem me perder.
Nuno Miguel R. S. Gomes
(Sociólogo e Filósofo)
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