
Raciocínio 74/200
Conspiração: As vidas diminuídas (Parte 2)
Motivação para viver, a busca pela felicidade através de um método de esforço cognitivo. O método que usamos é efetuado por etapas graduais. Será o encadeamento destas etapas que nos levará a entender este processo complexo constituído por 200 raciocínios.
Começaremos vários exercícios de motivação. Poderá comentá-los, ou enviar mensagem em privado para o nosso email: Auto.ajuda.mundo@gmail.com
Iremos gradualmente e por raciocínios adquirir conhecimento motivacional. Sugerimos que comece pela 1° raciocínio para poder perceber o encadeamento dos raciocínios que iremos estabelecer, e faça a leitura ao seu ritmo. Basta em cima selecionar "Raciocínios" e 1/200, e depois por 2/200 e assim por diante.
Vamos fazer aqui um resumo de todos os raciocínios que já abordámos:
1/200 - O início de uma caminhada
2/200 - O problema de atribuir significado a pensamentos que não interessam
3/200 - Não permita que o passado exerça poder sobre si
4/200 - Transcenda as limitações do passado
5/200 - A mente e o poder incrível da imaginação
6/200 - Os rituais do imaginário
7/200 - Preferir a "felicidade" à "depressão"
8/200 - Vamos criar um raciocínio produtivo
9/200 - O problema da crença do poder da atração
10/200 - Escolher a felicidade e recusar a infelicidade (Parte 1)
11/200 - A explicação do nosso "segredo"!
12/200 - O problema da Ataraxia
13/200 - A emoção da tristeza
14/200 - Nós somos responsáveis pela maneira como nos sentimos
15/200 - A lei da fé
16/200 - O que fazer com a inveja
17/200 - Quando está tudo escuro e a luz que brilha está bem longe
18/200 - A Paz Interior o motor da vida (1/3): introdução
19/200 - A Paz Interior o motor da vida (2/3): o poder da recordação
20/200 - A Paz Interior o motor da vida (3/3): A regra do silêncio deixando de ter razão
21/200 - Retirar de nós a auto-piedade, auto-rejeição, auto-depreciação, auto-anulação (parte 1)
22/200 - Auto-acusação e Auto-piedade (parte 2)
23/200 - Esclarecimento sobre os "Autos"
24/200 - Tomar consciência dos pensamentos que temos
25/200 - Preferir a FELICIDADE em vez da infelicidade (Parte 2)
26/200 - Não tenha medo de errar
27/200 - Fortaleça a sua estabilidade interior
28/200 - Como ter potência criadora - 5 estratégias (Parte 1): Introdução
29/200 - Como ter potência criadora - 5 estratégias (Parte 2): Projetar potência criadora numa dedicação integral com todos, da mesma forma e continuamente
30/200 - Como ter potência criadora - 5 estratégias (Parte 3): ofereça presença
31/200 - Como ter potência criadora - 5 estratégias (Parte 4): "Acolhimento" - 1ª Dimensão
32/200 - Como ter potência criadora - 5 estratégias (Parte 5): "Acolhimento" (continuação)
33/200 - Como ter potência criadora - 5 estratégias (Parte 6): "Apoio" - 2ª dimensão
34/200 - Como ter potência criadora - 5 estratégias (Parte 7): "Apoio" - 2ª dimensão (continuação)
35/200 - Como ter potência criadora - 5 estratégias (Parte 8): "Projeção" - 3ª dimensão
36/200 - Como ter potência criadora - 5 estratégias (Parte 9): "Valorizar" - 4ª dimensão
37/200 - Como ter potência criadora - 5 estratégias (Parte 10): "Entrar em sintonia" - 5ª dimensão
38/200 - Como ter potência criadora - 5 estratégias (Parte 11): "ilumine o outro" - 6ª dimensão
39/200 - Como ter potência criadora - 5 estratégias (Parte 12): "Como definir o Campo de Ação e o Poder de saber o nome" - 7ª dimensão
40/200 - Como ter potência criadora - 5 estratégias (Parte 13): "Altere o seu olhar" - 8ª dimensão
41/200 - Como ter potência criadora - 5 estratégias (Parte 14): "dar espaço ao outro" - 9ª dimensão
42/200 - Como ter potência criadora - 1 estratégia: IVA (imposto de valor acrescentado)
43/200 - Como ter potência criadora - 2 estratégia: O que é um não assunto (parte 1/4)
44/200 - Como ter potência criadora - 2 estratégia: O que é um não assunto (continuação): Um segredo que revelamos - A criação das redes de pequenas maledicências no trabalho (parte 2/4)
45/200 - Como ter potência criadora - 2 estratégia: O que é um não assunto (continuação): A dificuldade de tornar um assunto em não assunto (3/4)
46/200 - Como ter potência criadora - 2 estratégia: O que é um não assunto (continuação): na prática o que deixar de fazer (parte 4/4)
47/200 - Como ter potência criadora - 3 estratégia: Não chame os outros à atenção
48/200 - Como ter potência criadora - 4 estratégia: Cale-se por favor!
49/200 - Como ter potência criadora - 5 estratégia: A história de Tolstói (uma reflexão)
50/200 - Como ter potência criadora: Finalmente - Os miminhos
51/200 - Relações horizontais e não verticais: a unilateralidade - parte 1
52/200 - Relações horizontais e não verticais: a autoresponsabilidade - parte 2
53/200 - O silêncio estúpido
54/200 - Eu adapto-me ou o outro tem de se adaptar a mim?
55/200 - Não compre guerras. O problema da conspiração
56/200 - A teoria dos Habitats: não floresça em microclimas
57/200 - O desconforto: o nosso campo de ação (parte 1)
58/200 - O desconforto: os contra-vontades (parte 2)
59/200 - Um jogo de energias - escolher ou acolher?
60/200 - Como atrair tudo até si
61/200 - Porque não vendemos nada e o nosso experimento social é gratuito - Parte 1
62/200 - Porque não vendemos nada e o nosso experimento social é gratuito - Parte 2 - O busílis
63/200 - Ação ou reação - A peça teatral, dão-nos um guião e escolhemos outro papel
64/200 - Um amor raro que faz relações durarem anos - Não precisamos que nos peçam desculpa
65/200 - Dance nas suas relações sem impor coreografia
66/200 - Não chame ninguém a atenção (parte 2): uma revolução nos relacionamentos - espalhe flores
67/200 - Quando os outros endurecem o semblante: a ponte caída
68/200 - O mimo como forma de resistência contra o endurecimento do mundo: use a cor que tiver
69/200 - Um experimento social de acolhimento: não escolhemos mas acolhemos
70/200 - A solidão e o mundo das conexões: a porta enferrujada
71/200 - Mais vale só do que mal acompanhado: e se este ditado estiver incorreto?
72/200 - Solidão, Solitude e Solícito
73/200 - Os déspotas do nosso interior
Hoje iremos analisar o nosso Raciocínio 74/200 - Conspiração: As vidas diminuídas (Parte 2)
Já antes iniciei a temática da conspiração(1): Raciocínio 55 - Não compre guerras. O problema da conspiração
Quando fala sobre os outros(2), quando os diminuí com as suas palavras(3), na verdade está a diminuir a sua existência.(4)
Você torna-se carcereiro(5), será você que irá encaminhar os corpos para as trincheiras(6). Fará parte daqueles que atiram os corpos para os fornos aquecidos.(7)
Este texto irá pulsar como uma força crua(8). Iremos escavar o fundo da linguagem para mostrar que cada julgamento, mesmo os mais subtis(9), carregam em si um eco de violência(10). E esse eco volta-se contra quem o emite.(11)
Quando diminuí alguém, esse eco que emite volta para si(12). Quando alguém diminui o outro com palavras, atitudes, ou até com o silêncio que exclui, está a emitir uma "vibração" que parece ir numa só direção.(13)
Mas o mundo, mesmo quando parece surdo, tem uma acústica secreta(14). E esse som, volta(15). Nem sempre de forma óbvia, mas sempre eficaz.(16)
Eis algumas maneiras como esse eco se manifesta em quem o emite(17). Quero analisar de forma sucinta 8 pontos:(18)
1. Alteração da perceção do mundo - ver os outros sempre como inferiores a nós;(19)
2. Fragilidade emocional - o hábito de diminuir os outros enfraquece a forma como nos vemos;(20)
3. Solidão - diminuir os outros faz-me ficar em solidão;(21)
4. Autocrítica corrosiva - Criticar os outros é uma forma de não me ver(22)
5. Só existe o padrão de superioridade/inferioridade - Este passa a ser o padrão de análise, não há introspeção nem para compreender o outro, nem a mim mesmo;(23)
6. Compreendendo o eco - Não há nenhum eco(24), o outro que poderia mostrar-me algo(25), não me mostra nada porque eu mesmo só emito julgamentos;(26)
7. Treino da indiferença - Há já um hábito instalado em mim em diminuir os outros;(27)
8. A nossa proposta - Levar-nos a olhar para nós mesmos.(28)
1. Alteração da perceção do mundo(29)
Quem habitualmente diminui os outros(30) começa a vê-los como inferiores, fracos, descartáveis, tóxicos.(31)
Aos poucos, essa perceção envenena também a visão que têm de si mesmos(32), como se vivessem cercados de pessoas indignas(33), o que os deixa sozinhos num trono que afinal está vazio.(34)
Sentem-se cada vez mais cercados por um mundo que não responde com ternura(35), porque semeiam desconfiança.(36)
2. Fragilidade emocional(37)
O hábito de diminuir os outros(38) não fortalece quem o pratica(39); pelo contrário, é sinal de uma autoimagem instável.(40)
Ao projetar para fora o que não se aceita em si(41), a pessoa enfraquece a capacidade de se conhecer, de se acolher.(42)
O eco volta como insegurança, raiva crónica, ansiedade(43). Não é raro que essas pessoas se sintam sempre ameaçadas ou pouco respeitadas.(44)
3. Solidão(45)
Dificilmente há profundidade ou intimidade onde se cultiva o hábito de diminuir.(46)
Aos poucos, os outros afastam-se(47), não por rancor mas por instinto de preservação(48). O eco volta em forma de silêncio, afastamento, ou relações superficiais onde ninguém se expõe com verdade.(49)
4. Autocrítica corrosiva (mesmo inconsciente)(50)
Muitos que diminuem os outros fazem-no porque são cruéis consigo mesmos(51). O eco, aqui, já está instalado dentro deles(52), é uma voz constante, muitas vezes inconsciente, que julga, compara, acusa.(53)
A crítica aos outros é só um modo de desviar o olhar dessa dor interna mas ela permanece, e o eco amplifica-se.(54)
5. Só existe o padrão de superioridade/inferioridade(55)
Quanto mais se emite esse tipo de som, mais se treina o cérebro a operar nesse registo(56). E o eco instala-se como um padrão de funcionamento.(57)
Torna-se difícil elogiar, reconhecer, acolher.(58)
A pessoa passa a viver num mundo onde tudo é medido por padrões de superioridade/inferioridade.(59)
6. Compreendendo o eco(60)
Depois de diminuir o outro(61), o eco deixa de ser resposta(62) e passa a ser uma prisão construída com a sua própria voz.(63)
Ao diminuir os outros, diminui-se não como castigo moral, mas como consequência estrutural.(64)
Reduz o mundo à sua volta(65), torna-o mais estreito, mais pobre e é nesse mundo estreito que depois tem de habitar.(66)
O uso das imagens que usámos no início deste raciocínio como "trincheiras" e "fornos aquecidos"(67) faz ressoar a brutalidade que pode estar escondida no quotidiano da linguagem de quem tem prazer em diminuir os outros(68). Não é apenas uma metáfora histórica é um alerta.(69)
A maldade não começa sempre com grandes gestos ou atos explícitos de maldade.(70)
Começa com pequenos gestos(71), pequenas palavras(72), com leve desprezo(73), pessoas que são apenas lixo humano para ser queimadas.(74)
Quando chama alguém de inútil, de burro, de ridículo(75), mesmo que seja só por dentro(76), mesmo que seja só num gesto com os olhos(77), está a fazer a violência crescer.(78)
Não precisa de ser ódio declarado(79), bastam frases como:
- "não prestas",(80)
- "és inferior",(81)
- um "nem vale a pena tentar com gente assim".(82)
São frases banais e é aí que mora o perigo.(83)
Porque quando deixa que esse tipo de linguagem se torne normal(84), quando passa a ser aceite, rir, repetir este tipo de comentários sobre os outros(85), está a treinar o mundo para aceitar outras formas de exclusão, de desumanização.(86)
É nesse sentido que digo que a banalidade do mal(87) começa com palavras pequenas, palavras que manifestam o desinteresse pelo outro.(88)
7. Treino da indiferença(89)
A banalidade do mal não começa com gritos(90), mas com palavras que vai manifestando onde diminui a outra pessoa.(91)
Essas palavras não são apenas expressão de desinteresse(92) são também treino(93). Treino da indiferença(94). Cada vez que banaliza o outro(95), treina o seu corpo a não sentir(96). E esse treino, quando repetido(97), permite que mais tarde passe por cima do sofrimento alheio sem estremecer.(98)
Começa a ter treino em pisar os outros(99), a reduzi-los a nada(100). Ao invés de falar com eles prefere falar nas costas(101), e faz disso um treino que molda o seu carácter.(102)
Não é que a pessoa se torne má de um dia para o outro(103), apenas vai-se tornando surda ao amor pelo ser humano.(104)
O mal, assim, deixa de parecer mal(105). Torna-se um hábito.(106)
E o mais inquietante, muitas vezes, quem pratica essa forma subtil de desinteresse(107) nem se vê como alguém cruel(108). Porque não gritou(109). Porque não bateu(110). Porque "só disse"(111). Mas essas palavras pequenas são como pedras que pavimentam o caminho para a crueldade sem culpa.(112)
8. A nossa proposta(113)
Este desenho não é o desenho do nosso Movimento de Motivação e Auto-Ajuda(114). Para nós o ser humano tem um valor absoluto.(115)
Quando dizemos que se nomeia uma violência profunda(116), não visível(117), mas disseminada(118), estamos também a sugerir que o cuidado começa na linguagem.(119)
Que talvez a ternura seja, antes de tudo, uma escolha:(120)
- de como falamos;(121)
- de calar;(122)
- de ouvir.(123)
Como já antes expus em Raciocínios anteriores, fizemos da TERNURA a resposta para estas maldades(124). Antes ternurento, mimoso do que arrogante.(125)
Iremos ver isto em profundidade no Livro 5:(126)
Raciocínio 87 - Um estudo SECRETO: Os micro rituais de aproximação - a pausa-silêncio transforma-se no par ternura-silêncio
Depois, no Livro 7:(127)
Raciocínio 122 - Aprendendo a descer: Mantenha o equilíbrio, nao faça inimigos. Aprenda a desenvolver a ternura (parte 11)
Raciocínio 124 - Aprendendo a descer: Porque a ternura é o caminho
No meu local de trabalho muitas vezes quando estou com outros profissionais, mantenho-me em silêncio e não participo nesses holocaustos de palavras que violam o outro na sua humanidade.(128)
Não é omissão, é resistência.(129)
Não é fraqueza, é uma ética viva, que se recusa a pactuar com a normalização da violência.(130)
Chamo "holocaustos de palavras"(131)
Há uma lucidez afiada, porque quando a linguagem se torna instrumento de desumanização(132), mesmo disfarçada de piada(133), comentário ligeiro ou juízo "profissional"(134), o que se queima, por dentro, é o lugar do outro como sujeito.(135)
Por isso não participo nas conversas de corredor(136), onde o outro é desumanizado(137), onde é colocado mais a baixo.(138)
E o silêncio, neste contexto, pode ser uma forma de me manter inteiro(139). Uma linha de fronteira entre mim e a erosão coletiva do cuidado(140). Esse silêncio que pratico não é vazio, é prenhe de escolha.(141)
Escolho não rir com o riso dos outros.(142)
Escolho não aderir ao coro.(143)
Escolho, mesmo em silêncio, não ser cúmplice.(144)
E isso tem um preço, o da distância, por vezes até da incompreensão ou do isolamento.(145)
Mas também tem uma potência rara, a de ser testemunha lúcida do que não quero reproduzir(146). Este tipo de presença silenciosa é mais transformadora do que parece(147). Porque mesmo quem está a falar (ou a ferir) percebe que há ali um corpo que não consente.(148)
E isso rasga o automatismo do momento(149). Nem que seja por segundos. Nem que seja só no inconsciente.(150)
Costumo publicar muitas vezes esta frase: "Habitue-se a não falar mal dos outros".(151)
Abraço fraternoNuno Miguel R. S. Gomes
(Sociólogo e Filósofo)
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