
Raciocínio 77/200
A dissonância é o lugar do encontro comigo mesmo: um tema secreto
Motivação para viver, a busca pela felicidade através de um método de esforço cognitivo. O método que usamos é efetuado por etapas graduais. Será o encadeamento destas etapas que nos levará a entender este processo complexo constituído por 200 raciocínios.
Começaremos vários exercícios de motivação. Poderá comentá-los, ou enviar mensagem em privado para o nosso email: Auto.ajuda.mundo@gmail.com
Iremos gradualmente e por raciocínios adquirir conhecimento motivacional. Sugerimos que comece pela 1° raciocínio para poder perceber o encadeamento dos raciocínios que iremos estabelecer, e faça a leitura ao seu ritmo. Basta em cima selecionar "Raciocínios" e 1/200, e depois por 2/200 e assim por diante.
Vamos fazer aqui um resumo de todos os raciocínios que já abordámos:
1/200 - O início de uma caminhada
2/200 - O problema de atribuir significado a pensamentos que não interessam
3/200 - Não permita que o passado exerça poder sobre si
4/200 - Transcenda as limitações do passado
5/200 - A mente e o poder incrível da imaginação
6/200 - Os rituais do imaginário
7/200 - Preferir a "felicidade" à "depressão"
8/200 - Vamos criar um raciocínio produtivo
9/200 - O problema da crença do poder da atração
10/200 - Escolher a felicidade e recusar a infelicidade (Parte 1)
11/200 - A explicação do nosso "segredo"!
12/200 - O problema da Ataraxia
13/200 - A emoção da tristeza
14/200 - Nós somos responsáveis pela maneira como nos sentimos
15/200 - A lei da fé
16/200 - O que fazer com a inveja
17/200 - Quando está tudo escuro e a luz que brilha está bem longe
18/200 - A Paz Interior o motor da vida (1/3): introdução
19/200 - A Paz Interior o motor da vida (2/3): o poder da recordação
20/200 - A Paz Interior o motor da vida (3/3): A regra do silêncio deixando de ter razão
21/200 - Retirar de nós a auto-piedade, auto-rejeição, auto-depreciação, auto-anulação (parte 1)
22/200 - Auto-acusação e Auto-piedade (parte 2)
23/200 - Esclarecimento sobre os "Autos"
24/200 - Tomar consciência dos pensamentos que temos
25/200 - Preferir a FELICIDADE em vez da infelicidade (Parte 2)
26/200 - Não tenha medo de errar
27/200 - Fortaleça a sua estabilidade interior
28/200 - Como ter potência criadora - 5 estratégias (Parte 1): Introdução
29/200 - Como ter potência criadora - 5 estratégias (Parte 2): Projetar potência criadora numa dedicação integral com todos, da mesma forma e continuamente
30/200 - Como ter potência criadora - 5 estratégias (Parte 3): ofereça presença
31/200 - Como ter potência criadora - 5 estratégias (Parte 4): "Acolhimento" - 1ª Dimensão
32/200 - Como ter potência criadora - 5 estratégias (Parte 5): "Acolhimento" (continuação)
33/200 - Como ter potência criadora - 5 estratégias (Parte 6): "Apoio" - 2ª dimensão
34/200 - Como ter potência criadora - 5 estratégias (Parte 7): "Apoio" - 2ª dimensão (continuação)
35/200 - Como ter potência criadora - 5 estratégias (Parte 8): "Projeção" - 3ª dimensão
36/200 - Como ter potência criadora - 5 estratégias (Parte 9): "Valorizar" - 4ª dimensão
37/200 - Como ter potência criadora - 5 estratégias (Parte 10): "Entrar em sintonia" - 5ª dimensão
38/200 - Como ter potência criadora - 5 estratégias (Parte 11): "ilumine o outro" - 6ª dimensão
39/200 - Como ter potência criadora - 5 estratégias (Parte 12): "Como definir o Campo de Ação e o Poder de saber o nome" - 7ª dimensão
40/200 - Como ter potência criadora - 5 estratégias (Parte 13): "Altere o seu olhar" - 8ª dimensão
41/200 - Como ter potência criadora - 5 estratégias (Parte 14): "dar espaço ao outro" - 9ª dimensão
42/200 - Como ter potência criadora - 1 estratégia: IVA (imposto de valor acrescentado)
43/200 - Como ter potência criadora - 2 estratégia: O que é um não assunto (parte 1/4)
44/200 - Como ter potência criadora - 2 estratégia: O que é um não assunto (continuação): Um segredo que revelamos - A criação das redes de pequenas maledicências no trabalho (parte 2/4)
45/200 - Como ter potência criadora - 2 estratégia: O que é um não assunto (continuação): A dificuldade de tornar um assunto em não assunto (3/4)
46/200 - Como ter potência criadora - 2 estratégia: O que é um não assunto (continuação): na prática o que deixar de fazer (parte 4/4)
47/200 - Como ter potência criadora - 3 estratégia: Não chame os outros à atenção
48/200 - Como ter potência criadora - 4 estratégia: Cale-se por favor!
49/200 - Como ter potência criadora - 5 estratégia: A história de Tolstói (uma reflexão)
50/200 - Como ter potência criadora: Finalmente - Os miminhos
51/200 - Relações horizontais e não verticais: a unilateralidade - parte 1
52/200 - Relações horizontais e não verticais: a autoresponsabilidade - parte 2
53/200 - O silêncio estúpido
54/200 - Eu adapto-me ou o outro tem de se adaptar a mim?
55/200 - Não compre guerras. O problema da conspiração
56/200 - A teoria dos Habitats: não floresça em microclimas
57/200 - O desconforto: o nosso campo de ação (parte 1)
58/200 - O desconforto: os contra-vontades (parte 2)
59/200 - Um jogo de energias - escolher ou acolher?
60/200 - Como atrair tudo até si
61/200 - Porque não vendemos nada e o nosso experimento social é gratuito - Parte 1
62/200 - Porque não vendemos nada e o nosso experimento social é gratuito - Parte 2 - O busílis
63/200 - Ação ou reação - A peça teatral, dão-nos um guião e escolhemos outro papel
64/200 - Um amor raro que faz relações durarem anos - Não precisamos que nos peçam desculpa
65/200 - Dance nas suas relações sem impor coreografia
66/200 - Não chame ninguém a atenção (parte 2): uma revolução nos relacionamentos - espalhe flores
67/200 - Quando os outros endurecem o semblante: a ponte caída
68/200 - O mimo como forma de resistência contra o endurecimento do mundo: use a cor que tiver
69/200 - Um experimento social de acolhimento: não escolhemos mas acolhemos
70/200 - A solidão e o mundo das conexões: a porta enferrujada
71/200 - Mais vale só do que mal acompanhado: e se este ditado estiver incorreto?
72/200 - Solidão, Solitude e Solícito
73/200 - Os déspotas do nosso interior
74/200 - Conspiração: As vidas diminuídas (Parte 2)
75/200 - As minhas ações estão a construir uma melhor pessoa em mim?
76/200 - Somos amorais com os outros: o poder da agulha
Hoje iremos analisar o nosso Raciocínio 77/200 - A dissonância é o lugar do encontro comigo mesmo: um tema secreto
Destruindo a concordância(1)
Este é um tema SECRETO(2). A sociedade busca a concordância(3), busca relações com os mesmos interesses(4). As pessoas defendem a concordância como se fosse a grande guardiã da vida em comum.(5)
Falar da concordância como força que mantém a vida alinhada(6), que poupa energia(7), que garante a previsibilidade(8) onde o caos poderia dissolver tudo(9). A concordância como esse pacto silencioso que evita fricções(10), que permite às palavras escorrerem suavemente, sem tropeços(11). A concordância é a música conhecida que todos sabem acompanhar(12), onde a dança é feita com a mesma coreografia.(13)
Lembra-se de já termos falado para não dançar a mesma coreografia?(14)
Raciocínio 65/200 - Dance nas suas relações sem impor coreografia
É justamente na aparente perfeição da concordância que aparece um espaço escondido(15), quase proibido(16), onde a dissonância se move(17), como quem carrega um segredo demasiado vivo para ser dito de imediato.(18)
A dissonância não é um erro(19), é uma porta secreta(20). Quem a atravessa descobre sons que ninguém imaginava(21), sensações que se recusam a ser traduzidas de imediato(22), mas que tocam fundo.(23)
E é por isso que é tema secreto para muitos(24), porque exige coragem para ouvir(25) sem tentar impor um discurso que sempre obriga a concordar.(26)
É na dissonância que se dá o encontro comigo mesmo(27). No instante em que tudo ainda parece instável(28), mas já está a criar beleza.(29)
É a dissonância que ao provocar fricção entre pais e filhos(30), pode aproximar muito mais esses elos familiares(31) se os pais escutarem mais os seus filhos(32), e conseguirem amá-los nesses casos com um amor especial.(33)
A dissonância não é falha(34), mas como uma espécie de vibração diferente(35), pode abrir espaço para mais escuta(36) e MAIS TERNURA.(37)
Quando há fricção, muitas vezes há também um convite escondido(38) não para cortar o fio(39), mas para o entrelaçar de outra forma.(40)
Esse amor especial que falamos(41) é um amor que nasce não da facilidade(42), mas da coragem de permanecer perto(43) mesmo quando dói ou desafia.(44)
Os pais simplesmente não abandonam os filhos(45). Encontram em si mesmos formas de dar a volta(46), na conquista amorosa pelos seus filhos.(47)
A dissonância serve para olharmos para nós mesmos(48), colocando a nossa forma de tratar os outros, numa centralidade absoluta.(49)
O gesto imediato seria olhar para fora(50), mas a verdadeira potência está em nós mesmos.(51)
Em vez de olhar para algum erro fora de mim mesmo(52), percebo(53), e esta é a minha lucidez(54), de perceber como a nossa maneira de tratar os outros se torna o centro de tudo(55), como se fosse um sol em volta do qual orbitam os vínculos.(56)
Neste lugar, no meu interior(57), não importa tanto o que o outro fez(58), mas o que em nós se revela na forma como respondemos.(59)
Neste lugar interior, o meu interior(60), a ação do outro perde peso(61) e ganha relevo a minha própria resposta(62), como se cada gesto fosse um traço de pincel que nos pinta por dentro.(63)
A dissonância, aqui revelada como o contrário da concordância(64), servirá para olhar para dentro de mim mesmo.(65)
O outro, com a sua dissonância(66), torna-se mais um catalisador do que um culpado.(67)
Quando digo catalisador neste contexto, penso numa imagem quase química(68). Um catalisador não cria a reação, mas acelera(69), faz emergir algo que já estava latente.(70)
Assim também as dissonâncias nas relações(71). O que o outro faz não me define(72), mas pode desencadear em mim uma revelação.(73)
Uma revelação da nossa TERNURA(74). Ou seja, o outro, com a sua atitude, não é tanto a causa(75), mas o elemento que faz vir à superfície aquilo que eu sou.(76)
Os OUTROS são o meu laboratório(77) não no sentido frio de experiência científica(78), mas como espaço vivo onde as nossas reações se manifestam.(79)
Cada encontro é uma experiência(80), há combinações que geram faísca(81), há outras que criam silêncio(82), despertam em mim uma TERNURA inesperada.(83)
Neste laboratório, não se trata de controlar os outros(84), mas de observar o que em nós se move(85), que substâncias internas se libertam quando a dissonância aparece.(86)
Como se cada pessoa fosse uma partícula que, ao tocar-nos, revela um composto secreto da nossa própria alma.(87)
E é nesse reflexo(88), no modo como nos vemos através do atrito com os outros(89), que vamos descobrindo quem somos(90). As reações que temos podem de repente abrir uma nova lucidez: a minha ação.(91)
Começa a surgir uma revelação progressiva de quem somos(92). O encontro com o outro deixa de ser neutro(93). Cada palavra, cada gesto, cada tensão ou desacordo funcionará para nós como uma superfície onde nos vemos projetados(94). Muitas vezes não nos apercebemos disso de imediato, porque aquilo que aparece primeiro é apenas a reação(95): um impulso rápido, quase automático, que responde ao estímulo antes mesmo de ser compreendido.(96)
Essas reações pertencem ao domínio do hábito social e corporal(97). São respostas aprendidas, moldadas pelo meio, pela educação, pela cultura e pelos pequenos automatismos que adquirimos ao longo da vida.(98)
Quando alguém nos contraria, defendemo-nos(99); quando alguém nos elogia, abrimo-nos(100); quando sentimos ameaça, retraímo-nos ou atacamos(101). Tudo isto acontece com a rapidez de um reflexo(102). Nesse momento não há verdadeira escolha(103), há apenas continuidade do condicionamento.(104)
Contudo, é precisamente neste ponto de fricção que algo novo pode surgir(105). O choque com o outro pode produzir uma espécie de claridade inesperada(106). A consciência, ao aperceber-se da própria reação, ganha distância em relação a ela(107). E nesse intervalo, por breve que seja(108), nasce a possibilidade da minha lucidez.(109)
A lucidez não elimina os impulsos(110), mas torna-os visíveis(111). Aquilo que antes era apenas um Movimento espontâneo do corpo ou do temperamento(112) passa a ser algo que pode ser observado por mim.(113)
A pessoa percebe que estava prestes a responder de uma determinada forma(114), que estava prestes a repetir um padrão(115). E é nesse instante que a reação deixa de ser o meu gesto.(116)
A partir daí torna-se possível uma outra coisa: a ação.(117)
Enquanto a reação é imediata e quase mecânica(118), a ação implica uma pausa interior(119). É um gesto que já não nasce apenas do impacto do exterior(120), mas de uma decisão consciente.(121)
A ação introduz pensamento(122), cálculo e direção(123). Em vez de simplesmente devolver ao mundo aquilo que ele nos lançou(124), o indivíduo interroga o sentido do que faz(125) e escolhe a forma como intervém.(126)
Este deslocamento é fundamental(127). Significa passar de uma existência conduzida por reflexos(128) para uma existência conduzida por escolhas.(129)
O gesto social habitual(130), aquele que todos repetem sem pensar(131), perde a sua inevitabilidade(132). No seu lugar aparece um acto deliberado(133), ponderado(134), que não responde apenas ao estímulo presente(135), mas a uma compreensão mais ampla da situação.(136)
Agir, neste sentido, é quebrar o automatismo do comportamento(137). É transformar um Movimento que seria apenas corporal ou emocional(138), num gesto pensado.(139)
Não se trata de frieza nem de cálculo puramente estratégico(140), mas de uma forma mais elevada de presença(141). A capacidade de não ser arrastado imediatamente pelo impulso.(142)
Assim, aquilo que começou como simples atrito com os outros(143) revela-se como um PROCESSO(144) de descoberta de mim mesmo.(145)
Cada confronto torna-se uma oportunidade para reconhecer os meus próprios mecanismos(146) e, pouco a pouco, libertar-me deles(147). Deixo de ser apenas alguém que reage ao mundo(148) e passo a ser alguém que nele intervém conscientemente.(149)
É neste ponto que a minha lucidez se torna ação.(150)
E é aí que começa verdadeiramente a minha liberdade.(151)
No próximo raciocínio vamos descobrir que em vez de reações serão ações lúcidas o motor da nossa existência.(152)
Abraço fraterno
Nuno Miguel R. S. Gomes
(Sociólogo e Filósofo)
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