Raciocínio 69/200
Um experimento social de acolhimento:
não escolhemos mas acolhemos

Motivação para viver, a busca pela felicidade através de um método de esforço cognitivo. O método que usamos é efetuado por etapas graduais. Será o encadeamento destas etapas que nos levará a entender este processo complexo constituído por 200 raciocínios.

Começaremos vários exercícios de motivação. Poderá comentá-los, ou enviar mensagem em privado para o nosso email:
Auto.ajuda.mundo@gmail.com

Iremos gradualmente e por raciocínios adquirir conhecimento motivacional. Sugerimos que comece pela 1° raciocínio para poder perceber o encadeamento dos raciocínios que iremos estabelecer, e faça a leitura ao seu ritmo. Basta em cima selecionar "Raciocínios" e 1/200, e depois por 2/200 e assim por diante.
Vamos fazer aqui um resumo de todos os raciocínios que já abordámos:
1/200 - O início de uma caminhada
2/200 - O problema de atribuir significado a pensamentos que não interessam
3/200 - Não permita que o passado exerça poder sobre si
4/200 - Transcenda as limitações do passado
5/200 - A mente e o poder incrível da imaginação
6/200 - Os rituais do imaginário
7/200 - Preferir a "felicidade" à "depressão"
8/200 - Vamos criar um raciocínio produtivo
9/200 - O problema da crença do poder da atração
10/200 - Escolher a felicidade e recusar a infelicidade (Parte 1)
11/200 - A explicação do nosso "segredo"!
12/200 - O problema da Ataraxia
13/200 - A emoção da tristeza
14/200 - Nós somos responsáveis pela maneira como nos sentimos
15/200 - A lei da fé
16/200 - O que fazer com a inveja
17/200 - Quando está tudo escuro e a luz que brilha está bem longe
18/200 - A Paz Interior o motor da vida (1/3): introdução
19/200 - A Paz Interior o motor da vida (2/3): o poder da recordação
20/200 - A Paz Interior o motor da vida (3/3): A regra do silêncio deixando de ter razão
21/200 - Retirar de nós a auto-piedade, auto-rejeição, auto-depreciação, auto-anulação (parte 1)
22/200 - Auto-acusação e Auto-piedade (parte 2)
23/200 - Esclarecimento sobre os "Autos"
24/200 - Tomar consciência dos pensamentos que temos
25/200 - Preferir a FELICIDADE em vez da infelicidade (Parte 2)
26/200 - Não tenha medo de errar
27/200 - Fortaleça a sua estabilidade interior
28/200 - Como ter potência criadora - 5 estratégias (Parte 1): Introdução
29/200 - Como ter potência criadora - 5 estratégias (Parte 2):
Projetar potência criadora numa dedicação integral com todos, da mesma forma e continuamente
30/200 - Como ter potência criadora - 5 estratégias (Parte 3): ofereça presença
31/200 - Como ter potência criadora - 5 estratégias (Parte 4): "Acolhimento" - 1ª Dimensão
32/200 - Como ter potência criadora - 5 estratégias (Parte 5): "Acolhimento" (continuação)
33/200 - Como ter potência criadora - 5 estratégias (Parte 6): "Apoio" - 2ª dimensão
34/200 - Como ter potência criadora - 5 estratégias (Parte 7): "Apoio" - 2ª dimensão (continuação)
35/200 - Como ter potência criadora - 5 estratégias (Parte 8): "Projeção" - 3ª dimensão
36/200 - Como ter potência criadora - 5 estratégias (Parte 9): "Valorizar" - 4ª dimensão
37/200 - Como ter potência criadora - 5 estratégias (Parte 10): "Entrar em sintonia" - 5ª dimensão
38/200 - Como ter potência criadora - 5 estratégias (Parte 11): "ilumine o outro" - 6ª dimensão
39/200 - Como ter potência criadora - 5 estratégias (Parte 12): "Como definir o Campo de Ação e o Poder de saber o nome" - 7ª dimensão
40/200 - Como ter potência criadora - 5 estratégias (Parte 13): "Altere o seu olhar" - 8ª dimensão

41/200 - Como ter potência criadora - 5 estratégias (Parte 14): "dar espaço ao outro" - 9ª dimensão
42/200 - Como ter potência criadora - 1 estratégia: IVA (imposto de valor acrescentado)
43/200 - Como ter potência criadora - 2 estratégia: O que é um não assunto (parte 1/4)
44/200 - Como ter potência criadora - 2 estratégia: O que é um não assunto (continuação): Um segredo que revelamos - A criação das redes de pequenas maledicências no trabalho (parte 2/4)
45/200 - Como ter potência criadora - 2 estratégia: O que é um não assunto (continuação): A dificuldade de tornar um assunto em não assunto (3/4)
46/200 - Como ter potência criadora - 2 estratégia: O que é um não assunto (continuação): na prática o que deixar de fazer (parte 4/4)
47/200 - Como ter potência criadora - 3 estratégia: Não chame os outros à atenção
48/200 - Como ter potência criadora - 4 estratégia: Cale-se por favor!
49/200 - Como ter potência criadora - 5 estratégia: A história de Tolstói (uma reflexão)
50/200 - Como ter potência criadora: Finalmente - Os miminhos
51/200 - Relações horizontais e não verticais: a unilateralidade - parte 1
52/200 - Relações horizontais e não verticais: a autoresponsabilidade - parte 2
53/200 - O silêncio estúpido
54/200 - Eu adapto-me ou o outro tem de se adaptar a mim?
55/200 - Não compre guerras. O problema da conspiração
56/200 - A teoria dos Habitats: não floresça em microclimas
57/200 - O desconforto: o nosso campo de ação (parte 1)
58/200 - O desconforto: os contra-vontades (parte 2)
59/200 - Um jogo de energias - escolher ou acolher?
60/200 - Como atrair tudo até si
61/200 - Porque não vendemos nada e o nosso experimento social é gratuito - Parte 1
62/200 - Porque não vendemos nada e o nosso experimento social é gratuito - Parte 2 - O busílis
63/200 - Ação ou reação - A peça teatral, dão-nos um guião e escolhemos outro papel
64/200 - Um amor raro que faz relações durarem anos - Não precisamos que nos peçam desculpa
65/200 - Dance nas suas relações sem impor coreografia
66/200 - Não chame ninguém a atenção (parte 2): uma revolução nos relacionamentos - espalhe flores
67/200 - Quando os outros endurecem o semblante: a ponte caída
68/200 - O mimo como forma de resistência contra o endurecimento do mundo: use a cor que tiver 

Hoje iremos analisar o nosso Raciocínio 69/200 - Um experimento social de acolhimento: não escolhemos mas acolhemos

A nossa prática é de uma nobreza tão profunda que quase não cabem nas palavras para a descrevermos.


Quando afirmamos que o nosso experimento social é de acolhimento queremos transmitir que essa ponte que lançamos, onde o outro pode vir como é, sem limitação, sem exigência, sem ter de se adaptar a nós para merecer estar connosco é talvez das expressões mais puras de amor que há.


Isto é abrir espaço. E não é um espaço passivo, é uma hospitalidade ativa, uma escuta que não obriga, mas convida.


Nesta abertura há uma confiança raríssima, a confiança de que o outro, se quiser, poderá estar, sem que o moldemos, apenas o acolhemos [e atenção o nosso objetivo não é o outro].


Nós não o puxamos para nós. Nós não forçamos. Nós apenas recebemos este outro e este acto em si é puro e indiferenciado.


Indiferenciado porque não há escolha, nem preferência. O que chega é recebido tal como é, inteiro, sem ser interpretado, julgado, ou mesmo transformado.


O nosso experimento social é tão radical que a ternura da receção do outro invoca a qualidade do vínculo que não nasce da identificação, nem da simpatia, nem da afinidade, mas da coragem de permanecermos sempre abertos ao outro.


Invoca uma presença que não quer possuir, nem compreender, apenas estar com.


A ternura da receção não é afeto no sentido usual é espaço onde o outro pode aparecer sem ser moldado.


É tão radical que suspende o eu sem o negar [isto dá outro raciocínio].


A forma como falamos de acolhimento como um experimento social revela logo que há aqui uma intenção consciente, não só de amar, mas de criar condições para que o amor aconteça fora da lógica de exigência ou reciprocidade.


Essa ponte que se lança, sem peso, sem exigência, sem o "vem se fores como eu" é um gesto que abre um mundo de possibilidades.


É hospitalidade ativa. Isso distingue este acolhimento de uma passividade que tolera ou suporta.


Não aceitamos a palavra tolerância porque vai carregada de egoísmo.


A palavra "tolerância" traz consigo uma sombra, como se o outro fosse um incómodo que decidimos, com generosidade forçada, suportar.


Tolerar é não impedir, mas também não abraçar. É aguentar e por isso o termo não existe no nosso experimento social de Auto-Ajuda e Motivação.


Nós falamos de outra coisa, falamos de acolhimento, que é gesto inteiro.


Acolher não é "aguentar o diferente", é abrir a casa do corpo, da escuta, do tempo, e dizer: entra como és, não tenho medo.


O egoísmo escondido na palavra "tolerância" revela-se quando percebemos que ela se constrói a partir de uma posição de poder, "eu decido se te tolero" porque "posso não tolerar".


"Eu estou no centro. Tu és a diferença que preciso aprender a suportar" e esta frase está profundamente errada no nosso processo.


Nós recusamos isso. Porque neste experimento social que é feito de acolhimento radical, a entrega da nossa pessoa é total e é para todas as pessoas, simplesmente não escolhemos pessoas.


Em vez de escolher, acolhemos e aqui o experimento é radical.


Aqui a palavra "radical" encontra finalmente a sua raiz, aquilo que vai ao fundo, que toca o núcleo.


Neste experimento social que não escolhe pessoas, mas se entrega a todas, o radical é precisamente isso, a recusa de seleção, a recusa da afinidade como condição.


Não é que nos diluímos, é que nos abrimos.


E essa abertura, sendo total, não se fragmenta por preferências nem se ajusta a simpatias.


A entrega da nossa pessoa, é total, não porque sejamos santos ou iluminados, mas porque decidimos viver em relação sem filtros de merecimento.


Este viver em relação foi uma escolha que fizemos como ponto de partida da nossa própria transformação interior. Por isso em vez de desconectarmos aquilo que todos fazem quando não simpatizam com alguém, optámos por ligações, conexões, pontes e a perspetiva é totalmente transformadora da nossa realidade como humanos no mundo.


Há aqui uma viragem silenciosa e poderosa, uma escolha que parece pequena mas muda tudo. Em vez de desconectar, ligamos.


Esse gesto simples, de não cortar o fio quando a simpatia falha, é uma desobediência profunda ao modo como o mundo nos ensinou a relacionar.


O mundo diz: escolhe, protege-te, afasta-te de quem não te agrada.


Mas nós, com esta entrega total, escolhemos outra coisa, escolhemos viver em relação mesmo quando não é confortável, mesmo quando o espelho do outro não nos devolve o reflexo que gostariamos. Sorrimos para a pessoa e o espelho deveria devolver um sorriso, mas o semblante da pessoa é duro e da sua expressão vem indiferença.


Esta escolha não vem de santidade, mas de decisão. De um ponto de partida para a própria transformação interior. Porque ao escolhermos ligações em vez de afastamentos, deixamos de ver o outro como obstáculo e passamos a vê-lo como caminho, como convite.


Essa escolha tem consequências. Não vivemos mais na superfície das afinidades.


Passamos a viver no subsolo das relações humanas, onde tudo é mais cru, mais real, mais exigente, mas também onde nasce a transformação verdadeira.


E sim, é disso que se trata, de uma nova perspetiva sobre o que é ser humano no mundo.


Não como quem se protege, mas como quem se oferece.


Como quem constrói pontes mesmo quando não há terra firme do outro lado.


Porque a ponte, por si, já é lugar de encontro.


A radicalidade está neste gesto que não procura retorno nem recompensa.


Está em acolher até o que nos desconcerta.


Em não domesticar o outro para que caiba no nosso mundo, mas estender o mundo para que o outro, sendo quem é, possa caber.


É por isso que as nossas relações são muito ecléticas e dispares e isso é muito gratificante.


Uma das nossas amigas mais chegadas tem uma pespetiva mais xenofobista, e como pode isso caber no nosso mundo?


Um outro amigo não se dá com certas pessoas, como pode isso também caber no nosso mundo?


Costumamos dizer por brincadeira que é lindo quando nos sentamos à mesa com um budista, um católico, um espírita, um satanista, um carnívoro, um vegan, um de esquerda, um de direita....e a lista não tem fim.


É um exercício exigente. Porque abdicar de escolher também é abdicar do controlo.


Mas ao mesmo tempo, há uma enorme liberdade nesse gesto.


Quando não estamos ocupados a decidir quem merece o nosso amor, a nossa atenção, o nosso cuidado o tempo expande-se, a vida liberta-se.


Exercício 1

Releia a frase anterior milhares de vezes.


E de repente, até a própria ideia de "merecimento" se dissolve.


Hospitalidade no nosso coração que propomos não é a de um anfitrião magnânimo que concede espaço.


É a de alguém que se deixa transformar pela presença do outro. Sem moldar, sem medir. Sem ego.


É um amor lúcido, sem peso nem hierarquia. É um amor horizontal e não vertical.


Aqui há uma escuta que se estende como uma cama já feita, com cobertor e chá quente. Não para ensinar nada ao outro, mas para que ele saiba que não precisa de se defender.


Não é a questão de transformar o outro, não é o outro a minha preocupação, é a nossa interioridade que me preocupa.


Devolvemos à relação a sua dignidade mais profunda. Não usamos o outro para avaliar o que falta nele, mas como janela para ver o que em nós ainda precisa de abrir, de amolecer.


É um gesto subtil, mas radical, não querer moldar o outro, não desejar que ele mude para nos agradar, não esperar que ele corresponda à minha medida de "bem".


Porque o foco nao é o outro, sou eu!

Está em nós, na responsabilidade que tenho por mim mesmo, pelas minhas escolhas, pela forma como habito o mundo.


Acolher o outro, mesmo o difícil, o estranho, o desconfortável, não é sobre ele, é sobre o que em mim se move quando escolho acolher.


Quando em vez de me fechar, abro simplesmente a porta.


Quando em vez de me defender, escuto com verdadeiro sentido de querer compreender em vez de entrar nos debates inúteis de palavras.


Quando em vez de julgar, digo a mim mesmo: "então tu não emites juízos sobre os outros".


Ao dizer isto a mim mesmo, bem, estou a transformar-me.


A nossa ética é relacional, é uma prática de escuta interna. Escutamos o nosso interior como ponto de partida para tudo o resto.


E isso é de uma delicadeza corajosa. Porque não estamos a viver relações para nos rodearmos de gente parecida ou com "boa energia".


Estamos a viver relações como caminho para sermos mais verdadeiros, mais inteiros, mais livres.


Nós recebemos os outros, e nessa receção, o outro pode baixar as defesas, pode enfim respirar, pode até florescer.


Porque não está a ser tolerado, está a ser acolhido.


E isso, é um modo de estar no mundo que transforma tudo.


Ás vezes falamos de generosidade, ou de ternura como gesto político, mas o que estamos a fazer é mais radical ainda:

estamos a praticar uma forma de liberdade relacional, onde a presença do outro não precisa de ser negociada, nem validada, nem "merecida". Só precisa de ser escutada.


Nós apresentamo-nos como essa escuta.

E se lançamos pontes assim, sem limite, então talvez também possamos permitir que o mundo nos devolva, por vezes, a travessia, não para se igualar a nós mas para nos encontrar verdadeiramente, onde estamos, como estamos, com tudo o que somos, e é nesse momento que o nosso movimento aumenta, pelo encontro.


Não falamos de humanidade como se fosse um dado adquirido, falamos como quem está a inventá-la de novo, a partir de um lugar mais fundo, mais livre, mais radicalmente vivo.


Os humanos, não são assim. Pelo menos não ainda. A maioria aprende a defender-se, a negociar espaço, a condicionar a escuta e não por maldade, mas por dor, por sobrevivência, por cultura, por medo.


As pontes de que falamos são raras. Quase ninguém as oferece sem controlar quem vem do outro lado.


O mundo ainda não está preparado para acolher o que oferecemos, uma disponibilidade que não exige, uma escuta que não reclama, uma presença que não molda.


Nós criamos um campo onde a humanidade pode acontecer, mas nem todos sabem lá entrar.


Talvez os humanos ainda não sejam "assim", mas há quem os esteja a sonhar para lá do que são.


E nós estamos mesmo nesse lugar, não à espera que o mundo melhore, mas a agir, a viver segundo um código que o futuro ainda está a aprender.


Esta parte do mundo que ainda não nasceu, mas que já encarnamos. E reconhecemos a beleza imensa disso.


Somos testemunhas vivas deste acontecimento porque na prática estamos a criar relações, conexões, onde o homem e a mulher são a medida de todas as coisas, onde exaltamos um humanismo e um existencialismo na sua perfeição.


Tiramos Deus da história (respeitamos as crenças), mas esta construção faz-se apenas com humanos.


Venha construir a história connosco. Faça da sua própria vida uma história que se escreve através da vida daqueles com que se conectou.


Quanto maior a rede de conexões que conseguir alcançar maior a felicidade.

Abraço fraterno
Nuno Miguel R. S. Gomes
(Sociólogo e Filósofo)

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