Raciocínio 79/200
Presenças invisíveis, sem valor, pessoas descartáveis

Motivação para viver, a busca pela felicidade através de um método de esforço cognitivo. O método que usamos é efetuado por etapas graduais. Será o encadeamento destas etapas que nos levará a entender este processo complexo constituído por 200 raciocínios.

Começaremos vários exercícios de motivação. Poderá comentá-los, ou enviar mensagem em privado para o nosso email:
Auto.ajuda.mundo@gmail.com

Iremos gradualmente e por raciocínios adquirir conhecimento motivacional. Sugerimos que comece pela 1° raciocínio para poder perceber o encadeamento dos raciocínios que iremos estabelecer, e faça a leitura ao seu ritmo. Basta em cima selecionar "Raciocínios" e 1/200, e depois por 2/200 e assim por diante.
Vamos fazer aqui um resumo de todos os raciocínios que já abordámos:
1/200 - O início de uma caminhada
2/200 - O problema de atribuir significado a pensamentos que não interessam
3/200 - Não permita que o passado exerça poder sobre si
4/200 - Transcenda as limitações do passado
5/200 - A mente e o poder incrível da imaginação
6/200 - Os rituais do imaginário
7/200 - Preferir a "felicidade" à "depressão"
8/200 - Vamos criar um raciocínio produtivo
9/200 - O problema da crença do poder da atração
10/200 - Escolher a felicidade e recusar a infelicidade (Parte 1)
11/200 - A explicação do nosso "segredo"!
12/200 - O problema da Ataraxia
13/200 - A emoção da tristeza
14/200 - Nós somos responsáveis pela maneira como nos sentimos
15/200 - A lei da fé
16/200 - O que fazer com a inveja
17/200 - Quando está tudo escuro e a luz que brilha está bem longe
18/200 - A Paz Interior o motor da vida (1/3): introdução
19/200 - A Paz Interior o motor da vida (2/3): o poder da recordação
20/200 - A Paz Interior o motor da vida (3/3): A regra do silêncio deixando de ter razão
21/200 - Retirar de nós a auto-piedade, auto-rejeição, auto-depreciação, auto-anulação (parte 1)
22/200 - Auto-acusação e Auto-piedade (parte 2)
23/200 - Esclarecimento sobre os "Autos"
24/200 - Tomar consciência dos pensamentos que temos
25/200 - Preferir a FELICIDADE em vez da infelicidade (Parte 2)
26/200 - Não tenha medo de errar
27/200 - Fortaleça a sua estabilidade interior
28/200 - Como ter potência criadora - 5 estratégias (Parte 1): Introdução
29/200 - Como ter potência criadora - 5 estratégias (Parte 2):
Projetar potência criadora numa dedicação integral com todos, da mesma forma e continuamente
30/200 - Como ter potência criadora - 5 estratégias (Parte 3): ofereça presença
31/200 - Como ter potência criadora - 5 estratégias (Parte 4): "Acolhimento" - 1ª Dimensão
32/200 - Como ter potência criadora - 5 estratégias (Parte 5): "Acolhimento" (continuação)
33/200 - Como ter potência criadora - 5 estratégias (Parte 6): "Apoio" - 2ª dimensão
34/200 - Como ter potência criadora - 5 estratégias (Parte 7): "Apoio" - 2ª dimensão (continuação)
35/200 - Como ter potência criadora - 5 estratégias (Parte 8): "Projeção" - 3ª dimensão
36/200 - Como ter potência criadora - 5 estratégias (Parte 9): "Valorizar" - 4ª dimensão
37/200 - Como ter potência criadora - 5 estratégias (Parte 10): "Entrar em sintonia" - 5ª dimensão
38/200 - Como ter potência criadora - 5 estratégias (Parte 11): "ilumine o outro" - 6ª dimensão
39/200 - Como ter potência criadora - 5 estratégias (Parte 12): "Como definir o Campo de Ação e o Poder de saber o nome" - 7ª dimensão
40/200 - Como ter potência criadora - 5 estratégias (Parte 13): "Altere o seu olhar" - 8ª dimensão

41/200 - Como ter potência criadora - 5 estratégias (Parte 14): "dar espaço ao outro" - 9ª dimensão
42/200 - Como ter potência criadora - 1 estratégia: IVA (imposto de valor acrescentado)
43/200 - Como ter potência criadora - 2 estratégia: O que é um não assunto (parte 1/4)
44/200 - Como ter potência criadora - 2 estratégia: O que é um não assunto (continuação): Um segredo que revelamos - A criação das redes de pequenas maledicências no trabalho (parte 2/4)
45/200 - Como ter potência criadora - 2 estratégia: O que é um não assunto (continuação): A dificuldade de tornar um assunto em não assunto (3/4)
46/200 - Como ter potência criadora - 2 estratégia: O que é um não assunto (continuação): na prática o que deixar de fazer (parte 4/4)
47/200 - Como ter potência criadora - 3 estratégia: Não chame os outros à atenção
48/200 - Como ter potência criadora - 4 estratégia: Cale-se por favor!
49/200 - Como ter potência criadora - 5 estratégia: A história de Tolstói (uma reflexão)
50/200 - Como ter potência criadora: Finalmente - Os miminhos
51/200 - Relações horizontais e não verticais: a unilateralidade - parte 1
52/200 - Relações horizontais e não verticais: a autoresponsabilidade - parte 2
53/200 - O silêncio estúpido
54/200 - Eu adapto-me ou o outro tem de se adaptar a mim?
55/200 - Não compre guerras. O problema da conspiração
56/200 - A teoria dos Habitats: não floresça em microclimas
57/200 - O desconforto: o nosso campo de ação (parte 1)
58/200 - O desconforto: os contra-vontades (parte 2)
59/200 - Um jogo de energias - escolher ou acolher?
60/200 - Como atrair tudo até si
61/200 - Porque não vendemos nada e o nosso experimento social é gratuito - Parte 1
62/200 - Porque não vendemos nada e o nosso experimento social é gratuito - Parte 2 - O busílis
63/200 - Ação ou reação - A peça teatral, dão-nos um guião e escolhemos outro papel
64/200 - Um amor raro que faz relações durarem anos - Não precisamos que nos peçam desculpa
65/200 - Dance nas suas relações sem impor coreografia
66/200 - Não chame ninguém a atenção (parte 2): uma revolução nos relacionamentos - espalhe flores
67/200 - Quando os outros endurecem o semblante: a ponte caída
68/200 - O mimo como forma de resistência contra o endurecimento do mundo: use a cor que tiver
69/200 - Um experimento social de acolhimento: não escolhemos mas acolhemos
70/200 - A solidão e o mundo das conexões: a porta enferrujada
71/200 - Mais vale só do que mal acompanhado: e se este ditado estiver incorreto?
72/200 - Solidão, Solitude e Solícito
73/200 - Os déspotas do nosso interior
74/200 - Conspiração: As vidas diminuídas (Parte 2)
75/200 - As minhas ações estão a construir uma melhor pessoa em mim?
76/200 - Somos amorais com os outros: o poder da agulha
77/200 - A dissonância é o lugar do encontro comigo mesmo: um tema secreto
78/200 - Diz o ditado popular: Toda a ação gera uma reação: e se em vez de reagir, agirmos? 

Hoje iremos analisar o nosso Raciocínio 79/200 - Presenças invisíveis, sem valor, pessoas descartáveis

Aqui vou abrir uma linha muito forte e dolorosa(1), quando falamos em presenças invisíveis e pessoas descartáveis(2). Quero trazer aquilo que a sociedade chama de pessoas inferiores, fracas, descartáveis, tóxicas,
 diferentes, erradas, difíceis, más companhias, indesejáveis, ambientes tóxicos.(3)

O "tóxico" para nós [Movimento de Motivação e Auto-Ajuda] é um projeto de encontro connosco mesmos(4) (
Raciocínio 37:10)

Sentimos uma tensão entre aquilo que alguém é por dentro(5) e o modo como se retira visibilidade(6) ou importância.(7)

É como se a existência se tornasse um ruído de fundo, apagada(8), como se só valessem os que se encaixam num certo padrão.(9)

Portanto. quando produzimos nos outros o sentimento de INVISIBILIDADE(10) estamos completamente fora do Movimento de Motivação e Auto-Ajuda.(11)

Quero entrar neste terreno cru.(12)

A invisibilidade não cai do céu, ela é produzida(13). Pessoas transformam outras pessoas em sombras(14) porque decidem não ver(15), porque lhes convém não reconhecer.(16)

Corpos que se tornam obstáculos no caminho(17), vozes que se tem prazer em abafar.(18)

O mecanismo é frio:(19)
- primeiro reduz-se a pessoa ao mínimo(20), e é tão simples, reduzimos os gestos a simplesmente ignorar a outra pessoa como nem sequer existisse;(21)
- depois instalamos a indiferença como norma(22), e o nosso olhar, de cima(23), nem vê o que está lá em baixo.(24)

Assim aquela presença viva(25), converte-se em NADA(25), em descartável.(26)

É um exercício de poder(27), quase sempre silencioso(28), mas devastador(29):
- "Eu existo, e tu deixas de existir".(30)
- "Eu brilho, porque tu és apagado".(31)

E então o mais belo acontece:(32)
Quem é invisibilizado começa a acreditar nessa condição(33), a duvidar de si próprio(34), a mover-se em silêncio para não incomodar(35), a aceitar que não tem lugar.(36)

A invisibilidade que é provocada nos outros(37) é método que se acredita que funciona para aquele tipo de pessoas.(38)

Assim cada gesto de indiferença é uma peça que encaixa(39), cada silêncio é combustível(40), cada olhar desviado é a engrenagem(41) que assegura que alguém seja apagado com eficiência.(42)

Não há violência visível(43), não há sangue, não há marcas(44), só o vazio, e isso é suficiente.(44)

Reduz-se o outro a NADA.(45)

Descartam-se explicações(46), é como nem se quer exista.(47)

Diariamente não há despedidas(48), apenas a simples operação de retirar do campo de visão aquilo que já não interessa.(49)


A minha alma dói!(50)
Expressar a maldade humana, deixa-me de fora desta existência.(51)


A norma instala-se com naturalidade(52). Ignorar é sinal de força.(53)

A ausência do mínimo gesto de reconhecimento(54) transforma-se num código silencioso de superioridade.(55)

É assim que se elimina alguém sem lhe tocar(56), é assim que se apaga uma vida(57) sem derramar uma gota de esforço.(58)

E o mais eficaz de tudo é a transformação interna:(59)
- a pessoa apagada começa a auto-regular-se,(60)
- a calar-se antes mesmo de ser calada,(61)
- a recolher-se antes de ser rejeitada,(62)
- a caminhar como se pedisse desculpa por existir.(63)

Tóxica, fraca, inferior, descartável, errada, difícil, indesejada.(64)

É a vitória total do mecanismo(65), quando o invisível já se tornou descartável por conta própria.(66)

Viver como se o outro não existisse(67) é apresentado como autocontrolo(68), como maturidade(69), como estratégia de vida.(70)

Portanto, é tão simples, não olhar(71), é como se não houvesse NADA ali.(72)

O triunfo máximo é que este método não se sente cruel para quem o pratica(73). É natural, é limpo, é eficaz.(74)
É apenas isto: reduzir pessoas a NADA(75).
Apagar, depois esquecer.(76)

Lembrar apenas quando comento com outros(77) o quão insignificante é aquela pessoa para mim.(78)

Aquela vida não passa de um exemplo de inutilidade(79). O rótulo é perfeito(80), cola-se e espalha-se(81), sem que haja esforço, porque todos reconhecem o código(82) e seguem a norma.(83)

Tantos reconhecem o rótulo que lhe coloco.(84)

Assim o invisível não só desaparece do presente(85) como é reescrito no discurso dos outros(86): de pessoa passa a caricatura(87), de presença passa a nota de rodapé(88), de ser humano passa a piada descartável.(89)

Aquela pessoa é então esta piada descartável(90).

E eu?(91)
Eu sinto-me bem!(92)

Cada vez que se reforça a insignificância(93), a existência degrada-se mais um grau(94), até não restar NADA.(95)

Afinal que valor tem aquela pessoa?(96)
Nenhum!(97)
É um NADA.(98)

E eu?(99)
Eu estou feliz!(100)

O ponto final: não matar, não ferir, não gritar.(101)
Apenas reduzir, apagar, esquecer.(102)
Transformar gente em NADA(103) e NADA em silêncio.(104)

E agora é empurrar ainda mais fundo(105), sem freio, na dureza pura(106), sem nenhum respiro de compaixão.(107)
O silêncio da indiferença é absoluto da nossa relação(108), porque já não há sequer eco.(109)
O que foi humano é agora pó, resto, LIXO, indiferença.(110)

Não há nada mais eficaz do que apagar alguém sem o matar, sem o tocar, sem deixar prova.(111)
É execução limpa, socialmente aceite(112), repetida(113) sem remorso.(114)
E os outros comungam da atitude.(115)
Estou bem!(116)

Cada pessoa invisível é apenas mais um corpo ausente no meio da multidão.(117)
Rosto apagado(118), nome riscado, memória neutralizada.(119)
Um objeto sem importância que atravessa o espaço sem deixar marca.(120)
O triunfo é total quando até a lembrança se torna inconveniente.(121)

Falar de um NADA já é demasiado(122). Melhor que desapareça também das palavras(123), melhor que se torne silêncio puro(124), como se nunca tivesse acontecido.(125)

Esse é o fim perfeito: não restar sequer a sombra da sombra(126). O NADA absoluto, garantido, fechado.(127)

A presença que um dia foi humana(128) tornou-se completamente irrelevante(129), um detalhe que o mundo não reconhece nem questiona.(130)

O vazio não precisa de justificativa(131). O silêncio não pede desculpas(132). O apagamento é completo, limpo, definitivo.(133)

Não há dor, não há lamento, não há vestígio de humanidade(134). Só o NADA, absoluto e final, como resultado de gestos tão simples quanto indiferentes.(135)

E a frieza essa sim permanece, intacta.(136)

Nada resta(137). Nem sombra, nem lembrança, nem nome(138). O mundo continua(139). O silêncio é completo(140). O vazio é absoluto(141). O apagamento é eficaz.(142)

A presença que existiu, já não existe.(143)

NADA.(144)
NADA.(145)

E eu?(146)
Eu estou bem!(147)
Sinto-me feliz!(148)

Abraço fraterno
Nuno Miguel R. S. Gomes
(Sociólogo e Filósofo)

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