
Raciocínio 92/200
Um estudo SECRETO: Os micro rituais de aproximação - O ritual fora de mim
Motivação para viver, a busca pela felicidade através de um método de esforço cognitivo. O método que usamos é efetuado por etapas graduais. Será o encadeamento destas etapas que nos levará a entender este processo complexo constituído por 200 raciocínios.
Começaremos vários exercícios de motivação. Poderá comentá-los, ou enviar mensagem em privado para o nosso email: Auto.ajuda.mundo@gmail.com
Iremos gradualmente e por raciocínios adquirir conhecimento motivacional. Sugerimos que comece pela 1° raciocínio para poder perceber o encadeamento dos raciocínios que iremos estabelecer, e faça a leitura ao seu ritmo. Basta em cima selecionar "Raciocínios" e 1/200, e depois por 2/200 e assim por diante.
Vamos fazer aqui um resumo de todos os raciocínios que já abordámos:
1/200 - O início de uma caminhada
2/200 - O problema de atribuir significado a pensamentos que não interessam
3/200 - Não permita que o passado exerça poder sobre si
4/200 - Transcenda as limitações do passado
5/200 - A mente e o poder incrível da imaginação
6/200 - Os rituais do imaginário
7/200 - Preferir a "felicidade" à "depressão"
8/200 - Vamos criar um raciocínio produtivo
9/200 - O problema da crença do poder da atração
10/200 - Escolher a felicidade e recusar a infelicidade (Parte 1)
11/200 - A explicação do nosso "segredo"!
12/200 - O problema da Ataraxia
13/200 - A emoção da tristeza
14/200 - Nós somos responsáveis pela maneira como nos sentimos
15/200 - A lei da fé
16/200 - O que fazer com a inveja
17/200 - Quando está tudo escuro e a luz que brilha está bem longe
18/200 - A Paz Interior o motor da vida (1/3): introdução
19/200 - A Paz Interior o motor da vida (2/3): o poder da recordação
20/200 - A Paz Interior o motor da vida (3/3): A regra do silêncio deixando de ter razão
21/200 - Retirar de nós a auto-piedade, auto-rejeição, auto-depreciação, auto-anulação (parte 1)
22/200 - Auto-acusação e Auto-piedade (parte 2)
23/200 - Esclarecimento sobre os "Autos"
24/200 - Tomar consciência dos pensamentos que temos
25/200 - Preferir a FELICIDADE em vez da infelicidade (Parte 2)
26/200 - Não tenha medo de errar
27/200 - Fortaleça a sua estabilidade interior
28/200 - Como ter potência criadora - 5 estratégias (Parte 1): Introdução
29/200 - Como ter potência criadora - 5 estratégias (Parte 2): Projetar potência criadora numa dedicação integral com todos, da mesma forma e continuamente
30/200 - Como ter potência criadora - 5 estratégias (Parte 3): ofereça presença
31/200 - Como ter potência criadora - 5 estratégias (Parte 4): "Acolhimento" - 1ª Dimensão
32/200 - Como ter potência criadora - 5 estratégias (Parte 5): "Acolhimento" (continuação)
33/200 - Como ter potência criadora - 5 estratégias (Parte 6): "Apoio" - 2ª dimensão
34/200 - Como ter potência criadora - 5 estratégias (Parte 7): "Apoio" - 2ª dimensão (continuação)
35/200 - Como ter potência criadora - 5 estratégias (Parte 8): "Projeção" - 3ª dimensão
36/200 - Como ter potência criadora - 5 estratégias (Parte 9): "Valorizar" - 4ª dimensão
37/200 - Como ter potência criadora - 5 estratégias (Parte 10): "Entrar em sintonia" - 5ª dimensão
38/200 - Como ter potência criadora - 5 estratégias (Parte 11): "ilumine o outro" - 6ª dimensão
39/200 - Como ter potência criadora - 5 estratégias (Parte 12): "Como definir o Campo de Ação e o Poder de saber o nome" - 7ª dimensão
40/200 - Como ter potência criadora - 5 estratégias (Parte 13): "Altere o seu olhar" - 8ª dimensão
41/200 - Como ter potência criadora - 5 estratégias (Parte 14): "dar espaço ao outro" - 9ª dimensão
42/200 - Como ter potência criadora - 1 estratégia: IVA (imposto de valor acrescentado)
43/200 - Como ter potência criadora - 2 estratégia: O que é um não assunto (parte 1/4)
44/200 - Como ter potência criadora - 2 estratégia: O que é um não assunto (continuação): Um segredo que revelamos - A criação das redes de pequenas maledicências no trabalho (parte 2/4)
45/200 - Como ter potência criadora - 2 estratégia: O que é um não assunto (continuação): A dificuldade de tornar um assunto em não assunto (3/4)
46/200 - Como ter potência criadora - 2 estratégia: O que é um não assunto (continuação): na prática o que deixar de fazer (parte 4/4)
47/200 - Como ter potência criadora - 3 estratégia: Não chame os outros à atenção
48/200 - Como ter potência criadora - 4 estratégia: Cale-se por favor!
49/200 - Como ter potência criadora - 5 estratégia: A história de Tolstói (uma reflexão)
50/200 - Como ter potência criadora: Finalmente - Os miminhos
51/200 - Relações horizontais e não verticais: a unilateralidade - parte 1
52/200 - Relações horizontais e não verticais: a autoresponsabilidade - parte 2
53/200 - O silêncio estúpido
54/200 - Eu adapto-me ou o outro tem de se adaptar a mim?
55/200 - Não compre guerras. O problema da conspiração
56/200 - A teoria dos Habitats: não floresça em microclimas
57/200 - O desconforto: o nosso campo de ação (parte 1)
58/200 - O desconforto: os contra-vontades (parte 2)
59/200 - Um jogo de energias - escolher ou acolher?
60/200 - Como atrair tudo até si
61/200 - Porque não vendemos nada e o nosso experimento social é gratuito - Parte 1
62/200 - Porque não vendemos nada e o nosso experimento social é gratuito - Parte 2 - O busílis
63/200 - Ação ou reação - A peça teatral, dão-nos um guião e escolhemos outro papel
64/200 - Um amor raro que faz relações durarem anos - Não precisamos que nos peçam desculpa
65/200 - Dance nas suas relações sem impor coreografia
66/200 - Não chame ninguém a atenção (parte 2): uma revolução nos relacionamentos - espalhe flores
67/200 - Quando os outros endurecem o semblante: a ponte caída
68/200 - O mimo como forma de resistência contra o endurecimento do mundo: use a cor que tiver
69/200 - Um experimento social de acolhimento: não escolhemos mas acolhemos
70/200 - A solidão e o mundo das conexões: a porta enferrujada
71/200 - Mais vale só do que mal acompanhado: e se este ditado estiver incorreto?
72/200 - Solidão, Solitude e Solícito
73/200 - Os déspotas do nosso interior
74/200 - Conspiração: As vidas diminuídas (Parte 2)
75/200 - As minhas ações estão a construir uma melhor pessoa em mim?
76/200 - Somos amorais com os outros: o poder da agulha
77/200 - A dissonância é o lugar do encontro comigo mesmo: um tema secreto
78/200 - Diz o ditado popular: Toda a ação gera uma reação: e se em vez de reagir, agirmos?
79/200 - Presenças invisíveis, sem valor, pessoas descartáveis
80/200 - Encontre falhas e destrua a sua relação
81/200 - Uma reflexão SECRETA - O Mestre das nossas vidas: É no encontro com o outro que se dá o deslumbre de quem somos
82/200 - O Mestre dos Mestres: O lugar secreto
83/200 - O Mestre dos Mestres: Um tempo SECRETO
84/200 - O Mestre dos Mestres: deixe o riso brotar do seu interior
85/200 - Um estudo SECRETO: Os micro rituais de aproximação
86/200 - Um estudo SECRETO: Os micro rituais de aproximação - um yoga diferente
87/200 - Um estudo SECRETO: Os micro rituais de aproximação - a pausa-silêncio transforma-se no par ternura-silêncio
88/200 - Um estudo SECRETO: Os micro rituais de aproximação - dois pares distintos: a ternura-silêncio e a ausência-silêncio
89/200 - Um estudo SECRETO: Os micro rituais de aproximação - dois pares distintos: micro-sorriso e o semblante-fechado
90/200 - Um estudo SECRETO: Os micro rituais de aproximação - O espelho-secreto
91/200 - Um estudo SECRETO: Os micro rituais de aproximação - O ritual dentro de mim
Hoje iremos analisar o nosso Raciocínio 92/200 - Um estudo SECRETO: Os micro rituais de aproximação - O ritual fora de mim
Nos capítulos anteriores da nossa liturgia secreta(1), fui ao profundo(2), ao "ritual que pode acontecer dentro de nós"(3), construindo esse caminho(4), onde cada gesto banal do outro(5) se transforma em catalisador da minha alquimia interior.(6)
Fiz uma travessia inteira, da dureza ao reflexo(7), do nada estéril ao nada fértil(8), da reação automática à escolha consciente(9), da fricção à ternura.(10)
Só lendo os raciocínios anteriores conseguirá perceber o encadeamento do meu pensamento.(11)
Hoje quero abordar o "ritual fora de mim", abrindo a porta para um contraste.(12)
Até aqui o foco foi o nosso laboratório interior(13), o Movimento secreto de conversão que só nos pertence(14). Quando digo conversão(15), quero que tenha presente que aquilo que eu pretendo, é este conhecimento consciente dos meus atos(16). Em vez de reagir apenas e de forma automática(17), eu ajo de forma calculada(18). Converto essas reações em auto-conhecimento.(19)
Agora preciso também esclarecer que o que vem de fora não me diz respeito(20), no sentido de que não é nossa responsabilidade transformá-lo(21), mas apenas recebê-lo(22), para o trabalharmos dentro de nós.(23)
E preciso que entenda que os nossos raciocínios não existem para mudar a outra pessoa(24). Esse não é o nosso objetivo(25). Nem mesmo um fim último.(26)
O "ritual fora" é o Movimento do mundo que continua o seu curso.(27)
O "ritual fora de mim" é uma peça que se desenrola sem que eu tenha de entrar nela.(28)
Gritam comigo e eu não tenho de gritar de volta(29), nem tenho se quer de reagir(30) [lembre-se que em vez de reagir nós agimos sobre a realidade].(31)
O mundo cria os seus próprios rituais coletivos, sociais, formais, que não tocam a minha iniciação interior.(32)
O que há de fora não me pertence(33). É um teatro que não é meu(34), um guião que não preciso representar.(35)
Querem que eu represente o guião de me ir queixar de "a" e de "b" porque fez isto e aquilo e eu recuso simplesmente esse guião.(36)
O outro volta a gritar comigo(37). Eu não preciso gritar(38). Posso seguir um outro guião que nem se quer é o da reação.(39)
Esse fora de mim pode ser respeitado(40), observado(41), mas não reclamado como parte da minha alquimia.(42)
Assim, o contraste fica claro: dentro de mim, eu converto(43); fora de mim, deixo que seja o que é(44), sem reclamar nem interferir, porque não me pertence.(45)
É muito importante que entenda isto.(46)
Dentro de nós é alquimia, fora é o fluxo do mundo.(47)
O "fora" é um teatro que corre por si, com rituais coletivos, sociais, até violentos, mas que não se inscrevem na nossa iniciação interior(48), a não ser que eu escolha levá-los para dentro de mim.(49)
O fora é um palco onde atores gritam, acusam, gesticulam(50). A peça não é minha, e eu posso escolher não subir a esse palco.(51)
Muitas vezes limito-me a ouvir as conversas no almoço entre os vários profissionais.(52). Eles falam mal de "a" e falam mal de "b", e eu não participo nessa liturgia.(53)
O fora apresenta-se nestes casos como uma liturgia profana que não se confunde com a minha liturgia secreta.(54)
E talvez seja importante sublinhar a tentação que tantas vezes podemos sentir, de querer corrigir o outro, dar lições, exigir que o mundo mude(55).
Essa não é tarefa nossa.(58)
Deixe o mundo seguir o seu curso(56). Somos apenas observadores.(57)
Preciso mostrar-lhe que esse impulso é justamente o que nos tira do nosso ritual interior(58), porque desloca a atenção da conversão íntima para a frustração com o exterior.(59)
Claramente desvelo uma arquitetura clara entre o "dentro" e o "fora":(60)
- primeiro o contraste;(61)
- depois o desdobramento em imagens: o palco, o teatro, a liturgia profana;(62)
- por fim, a advertência sobre a tentação de querer mudar o mundo.(63)
Ainda preciso acrescentar que o "fora" funciona como um fluxo inevitável(64). Não é contra nós(65). Simplesmente acontece(66). E é precisamente nessa diferença que está a liberdade de não participarmos.(67)
O fora como ruído de fundo que não precisa ser silenciado(68), apenas deixado correr.(69)
O fora como corrente de ar que passa por nós mas não se prende(70), a não ser que abramos a janela interior e a deixemos entrar.(71)
O fora como ritual automático que os outros celebram sem consciência(72), e que só se torna nosso se lhe dermos adesão.(73)
Os outros banqueteiam-se com conversas a falar mal de "a" e de "b".(74)
A nossa liturgia é outra(75), e só existe na medida em que eu a escolho.(76)
Não me é imposta pelo coro das vozes exteriores.(77)
Ela só ganha corpo quando, no silêncio, no meu interior decido consagrar o instante.(78)
O que acontece fora não me pertence(79). Não é matéria da minha iniciação(80). Não exige conversão nem alquimia.(81)
A liturgia fora é ruído(82), Movimento automático(83), repetição social(84) e justamente por isso não me diz respeito(85). O essencial é mostrar que:(86)
- o fora pode ser visto, ouvido, mas não reclamado como nosso;(87)
- não temos de corrigir nem interferir(88), porque isso seria já cair na armadilha de o tomar como parte da nossa alquimia;(89)
- o fora cumpre-se em si mesmo(90), indiferente(91), e a nossa tarefa é apenas reconhecer que não precisamos de entrar.(92)
Dentro é escolha e alquimia(93), fora é teatro que não pedimos(94) nem precisamos representar.(95)
A verdadeira liberdade não é gritar mais alto(96), nem corrigir os outros(97), mas escolher não entrar no palco(98), não mastigar o mesmo banquete vazio.(99)
É uma espécie de fórmula que concentra uma prática(100), um caminho iniciático.(101)
A imagem do palco liga-se à tradição do teatro como metáfora da vida desde os gregos a Shakespeare(102), mas aqui nós viramos a chave(103). Não é representar melhor(104), é apenas não entrar na peça.(105)
É um gesto radical da minha liberdade interior(106), quase taoísta: "não fazer" para fazer.(107)
O "banquete vazio" ecoa como uma cena dantesca(108), mesas cheias de pratos e vozes(109), mas sem alimento verdadeiro(110), só ruído(111), ressentimento(112), repetição.(113)
A nossa liturgia secreta, por contraste, é como um alimento invisível(114): silencioso, nutritivo, transformador.(115)
Nada semelhante à liturgia profana que se dá no fora de nós.(116)
E aqui temos várias imagens para nos fazerem pensar: (117)
- o palco (onde se representa, mas eu escolho não entrar);(118)
- o banquete (onde se come vazio, mas eu escolho não mastigar);(119)
- o vento (corrente de ar que entra só se eu abrir a janela interior);(120)
- o ruído (liturgia profana que se consome a si mesma);(121)
- o templo secreto (o espaço interior onde tudo é consagrado no instante).(122)
O fora, portanto, não é só palco ou banquete(123), é também corrente contínua(124), um fluxo que nos atravessa sem nos tocar(125), se não quisermos.(126)
Ele se move como rios subterrâneos de tensões(127), discussões, julgamentos e pequenas maldades.(128)
Passa pelos corredores do mundo, pelos almoços, pelas reuniões, pelos olhares e gestos, sem pedir licença, sem nos convocar.(129)
É justamente essa indiferença que nos dá liberdade(130). O fora não nos exige adesão(131), mas pode tentar arrastar-nos.(132)
Há a tentação de subir ao palco(133), mastigar o banquete, reagir, corrigir, ajustar(134). Mas o que ele realmente oferece é um espelho invertido(135). Se nos deixamos envolver, tornamo-nos reflexo do seu teatro profano.(136)
Se não, o vemos como ruído, vento, fluxo inevitável, que passa e se dissipa sem nos ferir.(137)
Cada gesto, cada palavra, cada queixa ou grito, cumpre-se em si mesmo.(138)
Não precisa da nossa resposta(139), não tem de ter a nossa participação.(140)
Se entender isto ele passa a ser apenas ritual automático dos outros(141), e é exatamente por ser automático que não nos diz respeito(142), a menos que abramos a janela interior e permitamos que entre.(143)
A verdadeira alquimia do fora está em perceber que posso estar presente sem ser absorvido(144). Não devo afastar-me(145). Convém estar presente, para observar, para aprender(146). O OUTRO é MESTRE do meu interior mesmo não o sabendo.(147)
Posso ouvir sem mastigar(148), observar sem reagir(149), reconhecer sem reclamar.(150)
O fora cumpre-se sem mim(151); eu escolho, em cada instante, se levo para dentro ou deixo passar.(152)
O palco continua, os atores gritam, o banquete prossegue, o vento circula, o ruído insiste(153). Mas há uma linha invisível, traçada pela minha escolha(154), que me separa desse teatro profano.(155)
Essa linha é a fronteira entre o dentro e o fora(156), o limite que protege a liturgia secreta da dispersão exterior.(157)
E é exatamente essa escolha que me dá liberdade.(158)
Não é negar a existência do fora(159), nem julgá-lo(160), nem combatê-lo(161) - isso é tarefa inútil! (162)
É reconhecer a sua presença(163) e afirmar que não me pertence.(164)
É um gesto silencioso, mas radical(165). Um ato da minha soberania interior(166):
- Eu não entro(167),
- Eu não mastigo(168),
- Eu não participo(169).
Eu observo, e isso basta!(170)
E é nesta observação que dou início ao ritual de iniciação que se produz no meu interior.(171)
Inicie o seu ritual interior.(172)
Abraço fraterno
Nuno Miguel R. S. Gomes
(Sociólogo e Filósofo)
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