
Raciocínio 107/200
Os rituais do imaginário (parte 3): inteligência emocional e espiritualidades
Motivação para viver, a busca pela felicidade através de um método de esforço cognitivo. O método que usamos é efetuado por etapas graduais. Será o encadeamento destas etapas que nos levará a entender este processo complexo constituído por 200 raciocínios.
Começaremos vários exercícios de motivação. Poderá comentá-los, ou enviar mensagem em privado para o nosso email: Auto.ajuda.mundo@gmail.com
Iremos gradualmente e por raciocínios adquirir conhecimento motivacional. Sugerimos que comece pela 1° raciocínio para poder perceber o encadeamento dos raciocínios que iremos estabelecer, e faça a leitura ao seu ritmo. Basta em cima selecionar "Raciocínios" e 1/200, e depois por 2/200 e assim por diante.
Vamos fazer aqui um resumo de todos os raciocínios que já abordámos:
1/200 - O início de uma caminhada
2/200 - O problema de atribuir significado a pensamentos que não interessam
3/200 - Não permita que o passado exerça poder sobre si
4/200 - Transcenda as limitações do passado
5/200 - A mente e o poder incrível da imaginação
6/200 - Os rituais do imaginário
7/200 - Preferir a "felicidade" à "depressão"
8/200 - Vamos criar um raciocínio produtivo
9/200 - O problema da crença do poder da atração
10/200 - Escolher a felicidade e recusar a infelicidade (Parte 1)
11/200 - A explicação do nosso "segredo"!
12/200 - O problema da Ataraxia
13/200 - A emoção da tristeza
14/200 - Nós somos responsáveis pela maneira como nos sentimos
15/200 - A lei da fé
16/200 - O que fazer com a inveja
17/200 - Quando está tudo escuro e a luz que brilha está bem longe
18/200 - A Paz Interior o motor da vida (1/3): introdução
19/200 - A Paz Interior o motor da vida (2/3): o poder da recordação
20/200 - A Paz Interior o motor da vida (3/3): A regra do silêncio deixando de ter razão
21/200 - Retirar de nós a auto-piedade, auto-rejeição, auto-depreciação, auto-anulação (parte 1)
22/200 - Auto-acusação e Auto-piedade (parte 2)
23/200 - Esclarecimento sobre os "Autos"
24/200 - Tomar consciência dos pensamentos que temos
25/200 - Preferir a FELICIDADE em vez da infelicidade (Parte 2)
26/200 - Não tenha medo de errar
27/200 - Fortaleça a sua estabilidade interior
28/200 - Como ter potência criadora - 5 estratégias (Parte 1): Introdução
29/200 - Como ter potência criadora - 5 estratégias (Parte 2): Projetar potência criadora numa dedicação integral com todos, da mesma forma e continuamente
30/200 - Como ter potência criadora - 5 estratégias (Parte 3): ofereça presença
31/200 - Como ter potência criadora - 5 estratégias (Parte 4): "Acolhimento" - 1ª Dimensão
32/200 - Como ter potência criadora - 5 estratégias (Parte 5): "Acolhimento" (continuação)
33/200 - Como ter potência criadora - 5 estratégias (Parte 6): "Apoio" - 2ª dimensão
34/200 - Como ter potência criadora - 5 estratégias (Parte 7): "Apoio" - 2ª dimensão (continuação)
35/200 - Como ter potência criadora - 5 estratégias (Parte 8): "Projeção" - 3ª dimensão
36/200 - Como ter potência criadora - 5 estratégias (Parte 9): "Valorizar" - 4ª dimensão
37/200 - Como ter potência criadora - 5 estratégias (Parte 10): "Entrar em sintonia" - 5ª dimensão
38/200 - Como ter potência criadora - 5 estratégias (Parte 11): "ilumine o outro" - 6ª dimensão
39/200 - Como ter potência criadora - 5 estratégias (Parte 12): "Como definir o Campo de Ação e o Poder de saber o nome" - 7ª dimensão
40/200 - Como ter potência criadora - 5 estratégias (Parte 13): "Altere o seu olhar" - 8ª dimensão
41/200 - Como ter potência criadora - 5 estratégias (Parte 14): "dar espaço ao outro" - 9ª dimensão
42/200 - Como ter potência criadora - 1 estratégia: IVA (imposto de valor acrescentado)
43/200 - Como ter potência criadora - 2 estratégia: O que é um não assunto (parte 1/4)
44/200 - Como ter potência criadora - 2 estratégia: O que é um não assunto (continuação): Um segredo que revelamos - A criação das redes de pequenas maledicências no trabalho (parte 2/4)
45/200 - Como ter potência criadora - 2 estratégia: O que é um não assunto (continuação): A dificuldade de tornar um assunto em não assunto (3/4)
46/200 - Como ter potência criadora - 2 estratégia: O que é um não assunto (continuação): na prática o que deixar de fazer (parte 4/4)
47/200 - Como ter potência criadora - 3 estratégia: Não chame os outros à atenção
48/200 - Como ter potência criadora - 4 estratégia: Cale-se por favor!
49/200 - Como ter potência criadora - 5 estratégia: A história de Tolstói (uma reflexão)
50/200 - Como ter potência criadora: Finalmente - Os miminhos
551/200 - Relações horizontais e não verticais: a unilateralidade - parte 1
52/200 - Relações horizontais e não verticais: a autoresponsabilidade - parte 2
53/200 - O silêncio estúpido
54/200 - Eu adapto-me ou o outro tem de se adaptar a mim?
55/200 - Não compre guerras. O problema da conspiração
56/200 - A teoria dos Habitats: não floresça em microclimas
57/200 - O desconforto: o nosso campo de ação (parte 1)
58/200 - O desconforto: os contra-vontades (parte 2)
59/200 - Um jogo de energias - escolher ou acolher?
60/200 - Como atrair tudo até si
61/200 - Porque não vendemos nada e o nosso experimento social é gratuito - Parte 1
62/200 - Porque não vendemos nada e o nosso experimento social é gratuito - Parte 2 - O busílis
63/200 - Ação ou reação - A peça teatral, dão-nos um guião e escolhemos outro papel
64/200 - Um amor raro que faz relações durarem anos - Não precisamos que nos peçam desculpa
65/200 - Dance nas suas relações sem impor coreografia
66/200 - Não chame ninguém a atenção (parte 2): uma revolução nos relacionamentos - espalhe flores
67/200 - Quando os outros endurecem o semblante: a ponte caída
68/200 - O mimo como forma de resistência contra o endurecimento do mundo: use a cor que tiver
69/200 - Um experimento social de acolhimento: não escolhemos mas acolhemos
70/200 - A solidão e o mundo das conexões: a porta enferrujada
71/200 - Mais vale só do que mal acompanhado: e se este ditado estiver incorreto?
72/200 - Solidão, Solitude e Solícito
73/200 - Os déspotas do nosso interior
74/200 - Conspiração: As vidas diminuídas (Parte 2)
75/200 - As minhas ações estão a construir uma melhor pessoa em mim?
76/200 - Somos amorais com os outros: o poder da agulha
77/200 - A dissonância é o lugar do encontro comigo mesmo: um tema secreto
78/200 - Diz o ditado popular: Toda a ação gera uma reação: e se em vez de reagir, agirmos?
79/200 - Presenças invisíveis, sem valor, pessoas descartáveis
80/200 - Encontre falhas e destrua a sua relação
81/200 - Uma reflexão SECRETA - O Mestre das nossas vidas: É no encontro com o outro que se dá o deslumbre de quem somos
82/200 - O Mestre dos Mestres: O lugar secreto
83/200 - O Mestre dos Mestres: Um tempo SECRETO
84/200 - O Mestre dos Mestres: deixe o riso brotar do seu interior
85/200 - Um estudo SECRETO: Os micro rituais de aproximação
86/200 - Um estudo SECRETO: Os micro rituais de aproximação - um yoga diferente
87/200 - Um estudo SECRETO: Os micro rituais de aproximação - a pausa-silêncio transforma-se no par ternura-silêncio
88/200 - Um estudo SECRETO: Os micro rituais de aproximação - dois pares distintos: a ternura-silêncio e a ausência-silêncio
89/200 - Um estudo SECRETO: Os micro rituais de aproximação - dois pares distintos: micro-sorriso e o semblante-fechado
90/200 - Um estudo SECRETO: Os micro rituais de aproximação - O espelho-secreto
91/200 - Um estudo SECRETO: Os micro rituais de aproximação - O ritual dentro de mim
92/200 - Um estudo SECRETO: Os micro rituais de aproximação - O ritual fora de mim
93/200 - Um estudo SECRETO: Os micro rituais de aproximação - O ritual fora e o ritual dentro de nós
94/200 - Um estudo SECRETO: Os micro rituais de aproximação - Conversão da vontade
95/200 - Um estudo SECRETO: Os micro rituais de aproximação - Escutar para me escutar (parte 1)
96/200 - Um estudo SECRETO: Os micro rituais de aproximação - Escutar para me escutar: casos de dissonância (parte 2)
97/200 - Um estudo SECRETO: Os micro rituais de aproximação - Escutar para me escutar: a dissonância como alerta do que se passa dentro de mim
98/200 - Um estudo SECRETO: Os micro rituais de aproximação - Escutar para me escutar: a dissonância como resistência do meu interior: o portal
99/200 - Um estudo SECRETO: Os micro rituais de aproximação - Escutar para me escutar: a dissonância como resistência do meu interior: um ouvir domesticado
100/200 - Antes de Reagir, Ajo: Não vou reagir - os mantras
101/200 - Antes de Reagir, Ajo: Só queixas
102/200 - Antes de Reagir, Ajo: Relações de proximidade - o antídoto
103/200 - Antes de Reagir, Ajo: Desabafar: não! Como aliviar o peso das emoções
104/200 - Antes de Reagir, Ajo: O arquivo da emoção e o arquivo da razão
105/200 - Antes de Reagir, Ajo: Sofismas emocionais: o encarceramento da emoção
106/200 - Os rituais do imaginário - parte 2: Não somos o que sabemos, somos o que estamos dispostos a aprender
Hoje iremos analisar o nosso Raciocínio 107/200 - Os rituais do imaginário (parte 3): inteligência emocional e espiritualidades
Atualmente fala-se muito em inteligência emocional(1). Existem até cursos nessa área inclusive de gestão de conflitos.(2)
Mas há novos termos a serem introduzidos(3) e que nos ajudam mais a lidar com as situações(4), indo bem mais além da inteligência emocional tradicional.(5)
Hoje gostaria de ampliar este conhecimento(6) para que comecemos a desenvolver competências(7) que nos ajudarão a lidar com os outros.(8)
Por vezes analisar outro tipo de perspetivas(9), saímos de uma linguagem de terra a terra(10), para uma linguagem mais socialmente integrativa neste tipo de abordagens.(11)
Vamos pois ver este enquadramento:(12)
1. Inteligência emocional(13)
É a capacidade de reconhecer, compreender e gerir as próprias emoções(14), bem como perceber e influenciar as emoções dos outros.(15)
2. Competências socioemocionais(16)
Um termo mais moderno, usado sobretudo na educação, que envolve não só gerir emoções(17), mas também colaborar, comunicar e resolver problemas sociais.(18)
3. Inteligência relacional(19)
Foca-se na capacidade de construir relações saudáveis, indo além de apenas regular emoções internas.(20)
4. Inteligência interpessoal(21)
Realça o talento para interagir e entender outras pessoas.(22)
5. Inteligência social(23)
Amplia a inteligência emocional para a dimensão social, incluindo empatia, influência, capacidade de inspirar confiança, etc.(24)
6. Maturidade emocional(25)
Mais recente no vocabulário de coaches e psicólogos(26), significa não só perceber as emoções mas agir de forma ética e responsável.(27)
7. Alfabetização emocional(28)
Aparece muito em contextos educacionais, para ensinar crianças (e adultos) a nomear, sentir e expressar emoções de forma saudável.(29)
8. Consciência emocional expandida(30)
Termo que circula em círculos de autoconhecimento e espiritualidade(31), defendendo que perceber as emoções é só o primeiro passo para ampliar a consciência de si e do mundo.(32)
Temos um vasto caminho de aprendizagem à nossa frente(33) e o desenvolvimento interior será aquilo que nos capacitará nos relacionamentos.(34)
Independentemente da vasta lista de rituais do imaginário que nomeámos exaustivamente no raciocínio 106(35), a razão dos nossos problemas, nunca ou quase nunca está no fora de nós.(36)
Apesar de aceitarmos cada um desses rituais do raciocínio anterior(37), todo o ser humano tem direito à sua experiência de espiritualidade, e afins.(38)
A razão dos nossos problemas está num dentro de nós: palavras, atos e pensamentos, podem perturbar outras pessoas e a nós mesmos.(39)
São as nossas palavras que podem e em muito maximizar discussões e criar verdadeiras barreiras nas nossas relações.(40)
Mas aceitamos os rituais como parte do PROCESSO(41). Os rituais podem afastar-nos de um processo mais completo de ajuda.(42)
Porque se atribuímos a um fora de nós a resolução dos meus problemas, não iremos olhar para o dentro de nós.(43)
Vamos continuar a colocar os olhos em coisas exteriores.(44)
A temática é muito complexa e temos o maior respeito com cada ritual e adeptos.(45)
Todas as pessoas têm o direito à sua espiritualidade.(46)
O nosso PROCESSO visa desenvolver-nos interiormente(47). O PROCESSO é individual(48) e será uma mudança cognitiva.(49)
Precisamos aumentar o nosso capital social(50). E para aumentarmos esse capital, o desenvolvimento passa pelo nosso desenvolvimento emocional.(51)
Leonardo da Vinci um exemplo máximo do espírito renascentista, defendia a curiosidade sem limites: "A experiência nunca erra; apenas os nossos juízos erram".(52)
Isto mostra que, para ele, a busca do saber era sempre provisório(53), exigindo abertura mental(54) e disposição para aprender continuamente.(55)
Raciocínio 106/200 - Os rituais do imaginário - (parte 2): Não somos o que sabemos, somos o que estamos dispostos a aprender
O renascimento rompeu com a ideia medieval de que todo o saber vinha da autoridade revelada(56) e devolveu ao ser humano a confiança no seu poder de descobrir(57), mas sempre sob a condição de não parar de aprender.(58)
Esta é a nossa visão(59). Uma compreensão humanista da realidade(60), onde colocamos o ser humano sobre todas as coisas(61), por isso o nosso Experimento Social é cognitivo e não espiritualista(62). É centrado no ser humano, no em si e nunca no fora de si.(63)
O nosso Movimento de Motivação e Auto-Ajuda é também racionalista porque colocamos a razão ainda que subjetiva sobre todas as coisas.(64)
O ser humano, neste horizonte, deixou de significar repetir doutrinas(65), e passou a significar explorar, testar, investigar.(66)
O caminho é vasto. Será sempre uma aprendizagem contínua.(67)
Na idade moderna com Descartes encontramos a dúvida metódica(68). Ele decide pôr em causa tudo aquilo que julgava saber(69), para reconstruir conhecimento.(70)
Esta disposição de duvidar(71) e recomeçar(72) é a prova de que ele não se define pelo que sabe(73), mas pelo que quer aprender.(74)
A própria definição de filosofia vem do grego philo-sophia, que significa amor ao saber.(75)
No fundo, a filosofia é mesmo essa busca eterna, incansável, por compreender o mundo, o ser, a existência, uma procura sem fim, que não se satisfaz com respostas prontas.(76)
A filosofia para nós ajuda-nos neste questionar.(77)
John Locke (inglês, 1632–1704) considerado o pai do empirismo moderno, um dos filósofos do iluminismo, defendeu que a mente humana nasce como uma tábula rasa, sem ideias inatas, sendo moldada pela experiência e pela aprendizagem.(78)
No seu Ensaio sobre o Entendimento Humano (1690), escreveu: "A mente é como um papel em branco, onde nada se encontra escrito. Tudo o que nela surge provém da experiência."(79)
Isto traduz completamente a máxima que defendemos: não somos o conteúdo que trazemos de nascença, mas aquilo que vamos construindo ao longo da vida, aprendendo.(80)
É preciso que entenda que este projeto que temos, este PROCESSO visa uma transformação pessoal bem longe de espiritualidades(81), ainda que aceitemos as suas práticas.(82)
Com o humanismo constatamos este afastamento de um ser humano que herdou conceitos espirituais para um ser humano que se coloca no centro de tudo.(83)
Sobretudo a partir do Renascimento, o ser humano que até então era sobretudo visto como criatura de Deus, dependente, limitado e inserido numa ordem divina, passa a ser pensado como medida de todas as coisas.(84)
E aqui entra uma deslocação de eixo(85). Este novo humanismo não nega, necessariamente, os conceitos espirituais herdados, mas desloca o foco(86). Em vez de Deus ser o centro absoluto, é o homem que se torna o protagonista.(87)
Isso vê-se bem, por exemplo, na arte renascentista como Leonardo da Vinci (italiano, 1452–1519). Leonardo foi pintor, cientista, engenheiro, inventor e anatomista. É considerado um dos maiores génios da história. Entre as suas obras mais famosas estão a "Mona Lisa" e "A Última Ceia".
Ainda cito Michelangelo Buonarroti (italiano, 1475–1564) que pertencia também ao Renascimento (Humanismo renascentista). Michelangelo foi escultor, pintor, arquiteto e poeta. É conhecido por obras como a escultura David, a Pietà e pelos frescos do teto da Capela Sistina. É preciso percebermos que encontramos na arte renascentista a celebração do corpo humano(88).
Também na filosofia de Giovanni Pico della Mirandola (italiano, 1463-1494), que exalta a dignidade humana como capacidade de se autoconstruir(89). É de salientar que Pico della Mirandola é especialmente conhecido pela obra "Oratio de hominis dignitate" ("Discurso sobre a Dignidade do Homem"), frequentemente considerada um dos textos mais importantes do Humanismo(90). Nela, defende que o ser humano possui liberdade para escolher o seu próprio destino e desenvolver as suas capacidades, destacando a dignidade e o potencial da pessoa humana.(91)
Este afastamento pode ser lido como uma libertação(92) ou como uma perda, dependendo do ponto de vista.(93)
Libertação, porque o ser humano deixa de estar preso a dogmas e ganha autonomia.(94)
Perda, porque essa centralidade pode gerar solidão metafísica e um vazio de sentido(95), sobretudo se os antigos vínculos com o sagrado forem cortados sem alternativa.(96)
Por isso não somos contra a espiritualidade onde a inserimos no conceito que explorámos anteriormente: dos rituais do imaginário.(97)
Sim, você pode fazer yoga, pode praticar aromaterapia, pode acreditar em energias, gnomos, fadas, deuses, Deus, Jeová ou tudo aquilo que preencha esse lado mais metafísico.(98)
Construímos assim uma linha de pensamento que acolhemos a espiritualidade não como verdade absoluta ou dogma(99), mas como expressão legítima do imaginário humano(100), e isso é profundamente libertador.(101)
Ao inserirmos a espiritualidade nos rituais do imaginário(102), estamos a resgatá-la da oposição simplista entre fé e razão, dando-lhe um lugar funcional, simbólico, afetivo.(103)
E isto para nós é a compreensão mais dignificante que temos pela pessoa em si(104). O direito às espiritualidades.(105)
Dizer isto é carregar em nós uma dignidade radical(106), porque parte do reconhecimento de que cada ser humano tem não apenas corpo e razão(107), mas também um mundo interior feito de símbolos, afetos, pressentimentos, desejos de transcendência, mesmo que isso se manifeste fora de qualquer religião formal.(108)
Cada pessoa é livre interiormente de ter as crenças que quiser(109) e sinceramente não temos nada a ver com isso. Respeitamos apenas.(110)
Quando digo "compreensão mais dignificante", estou a pôr a tónica na liberdade de cada um em criar ou escolher os seus próprios rituais, crenças ou práticas, sem que isso precise de validação exterior.(111)
Por isso é necessário que entenda que para o nosso movimento não existe o ritual certo ou errado, não estamos sequer para aí virados.
O nosso movimento faz-se num caminho oposto dignificando o ritual de cada um.
Não há modelos certos e errados. Há pessoas.
Aqui manifestamos o nosso cuidado de não impôr, de não hierarquizar, de não medir o invisível com réguas exteriores.
Cada pessoa tem dentro de si o direito pleno de viver os seus próprios símbolos, os seus próprios gestos, sem se ver diminuída por padrões externos.
E mesmo que esses padrões venham disfarçados de sabedoria ou tradição. Para nós é indiferente.
Quando afirmamos que o nosso movimento de Motivação e Auto-Ajuda se faz num caminho oposto, nao nos opomos a si, mas acolhemos qualquer pessoa com os seus rituais.
Em vez de julgarmos ou corrigirmos, o nosso movimento de Motivação e Auto-Ajuda escuta e dignifica.
Em vez de nós mesmos organizarmos os rituais como se fossem peças de um puzzle único, reconhecemos que há tantos rituais quantas as pessoas que os frequentam.
Não há modelos certos e errados. Nao há rituais certos e rituais errados. Há pessoas!
É uma espécie de epílogo ético. Tudo o que construímos serve as pessoas, e não o contrário.
Existimos para servir, para nos darmos em ajuda naquilo que conseguirmos fazer sem qualquer interesse em retorno.
A prática dos rituais para nós não é fraqueza, nem ilusão, nem superstição, mas uma dimensão constitutiva da nossa humanidade.
É um direito à diferença simbólica. À pluralidade do sentido. Ao uso livre e íntimo do imaginário.
Se compreendermos isto é possivel estarmos todos juntos numa mesa: um vegetariano, um vegan, um carnívoro, um católico, um satanista, uma pessoa do espiritismo, alguém que adora cristais, etc...
O nosso movimento de Motivação e de Auto-Ajuda não nega as espiritualidades mas também não nos submetemos a elas como se fossem uma estrutura ontológica indiscutível.
Neste quadro, a pessoa pode fazer yoga, rezar, acender incenso, dançar à lua, falar com anjos, meditar com cristais ou acreditar em entidades cósmicas.
Não porque precise de provar a sua existência objetiva, mas porque esses gestos, símbolos e crenças cumprem uma função subjetiva, emocional, cultural e PROFUNDAMENTE HUMANA.
É como dizer: "Não somos contra a espiritualidade, somos contra a tirania da sua literalidade."
Esta abertura é uma forma sofisticada de humanismo que não rejeita o espiritual, mas reintegra-o no plano da imaginação criadora, dos rituais de sentido, das práticas simbólicas que alimentam a alma de cada ser humano.
Kant (1724–1804) junta o racionalismo e o empirismo, afirmando que o conhecimento nasce da interação entre os dados sensoriais e as estruturas mentais.
Mesmo assim, Kant sublinha os limites do nosso conhecimento e a necessidade de nos mantermos abertos ao que não sabemos.
Na Crítica da Razão Pura (1781), escreve:
"A razão tem esta vocação: nunca repousar, mas sempre avançar no questionamento."
Isto aponta-nos diretamente para a atitude que defendemos: o ser humano como aquele que aprende sem cessar.
É esta abertura constante a tudo.
Na Idade Moderna vemos três grandes movimentos:
- Descartes ensina a duvidar para reaprender
- Locke mostra que nada nasce pronto na mente
- Kant reconhece os limites do saber e a necessidade de o expandir
Todos ecoam a nossa máxima: somos definidos pela nossa disponibilidade para aprender, não por um saber fixo.
E este é o fio condutor que nos guia: não somos o que sabemos, mas o que estamos dispostos a aprender.
Abraço fraterno
Nuno Miguel R. S. Gomes
(Sociólogo e Filósofo)
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