
Raciocínio 105/200
Antes de Reagir, Ajo: Sofismas emocionais: o encarceramento da emoção
Motivação para viver, a busca pela felicidade através de um método de esforço cognitivo. O método que usamos é efetuado por etapas graduais. Será o encadeamento destas etapas que nos levará a entender este processo complexo constituído por 200 raciocínios.
Começaremos vários exercícios de motivação. Poderá comentá-los, ou enviar mensagem em privado para o nosso email: Auto.ajuda.mundo@gmail.com
Iremos gradualmente e por raciocínios adquirir conhecimento motivacional. Sugerimos que comece pela 1° raciocínio para poder perceber o encadeamento dos raciocínios que iremos estabelecer, e faça a leitura ao seu ritmo. Basta em cima selecionar "Raciocínios" e 1/200, e depois por 2/200 e assim por diante.
Vamos fazer aqui um resumo de todos os raciocínios que já abordámos:
1/200 - O início de uma caminhada
2/200 - O problema de atribuir significado a pensamentos que não interessam
3/200 - Não permita que o passado exerça poder sobre si
4/200 - Transcenda as limitações do passado
5/200 - A mente e o poder incrível da imaginação
6/200 - Os rituais do imaginário
7/200 - Preferir a "felicidade" à "depressão"
8/200 - Vamos criar um raciocínio produtivo
9/200 - O problema da crença do poder da atração
10/200 - Escolher a felicidade e recusar a infelicidade (Parte 1)
11/200 - A explicação do nosso "segredo"!
12/200 - O problema da Ataraxia
13/200 - A emoção da tristeza
14/200 - Nós somos responsáveis pela maneira como nos sentimos
15/200 - A lei da fé
16/200 - O que fazer com a inveja
17/200 - Quando está tudo escuro e a luz que brilha está bem longe
18/200 - A Paz Interior o motor da vida (1/3): introdução
19/200 - A Paz Interior o motor da vida (2/3): o poder da recordação
20/200 - A Paz Interior o motor da vida (3/3): A regra do silêncio deixando de ter razão
21/200 - Retirar de nós a auto-piedade, auto-rejeição, auto-depreciação, auto-anulação (parte 1)
22/200 - Auto-acusação e Auto-piedade (parte 2)
23/200 - Esclarecimento sobre os "Autos"
24/200 - Tomar consciência dos pensamentos que temos
25/200 - Preferir a FELICIDADE em vez da infelicidade (Parte 2)
26/200 - Não tenha medo de errar
27/200 - Fortaleça a sua estabilidade interior
28/200 - Como ter potência criadora - 5 estratégias (Parte 1): Introdução
29/200 - Como ter potência criadora - 5 estratégias (Parte 2): Projetar potência criadora numa dedicação integral com todos, da mesma forma e continuamente
30/200 - Como ter potência criadora - 5 estratégias (Parte 3): ofereça presença
31/200 - Como ter potência criadora - 5 estratégias (Parte 4): "Acolhimento" - 1ª Dimensão
32/200 - Como ter potência criadora - 5 estratégias (Parte 5): "Acolhimento" (continuação)
33/200 - Como ter potência criadora - 5 estratégias (Parte 6): "Apoio" - 2ª dimensão
34/200 - Como ter potência criadora - 5 estratégias (Parte 7): "Apoio" - 2ª dimensão (continuação)
35/200 - Como ter potência criadora - 5 estratégias (Parte 8): "Projeção" - 3ª dimensão
36/200 - Como ter potência criadora - 5 estratégias (Parte 9): "Valorizar" - 4ª dimensão
37/200 - Como ter potência criadora - 5 estratégias (Parte 10): "Entrar em sintonia" - 5ª dimensão
38/200 - Como ter potência criadora - 5 estratégias (Parte 11): "ilumine o outro" - 6ª dimensão
39/200 - Como ter potência criadora - 5 estratégias (Parte 12): "Como definir o Campo de Ação e o Poder de saber o nome" - 7ª dimensão
40/200 - Como ter potência criadora - 5 estratégias (Parte 13): "Altere o seu olhar" - 8ª dimensão
41/200 - Como ter potência criadora - 5 estratégias (Parte 14): "dar espaço ao outro" - 9ª dimensão
42/200 - Como ter potência criadora - 1 estratégia: IVA (imposto de valor acrescentado)
43/200 - Como ter potência criadora - 2 estratégia: O que é um não assunto (parte 1/4)
44/200 - Como ter potência criadora - 2 estratégia: O que é um não assunto (continuação): Um segredo que revelamos - A criação das redes de pequenas maledicências no trabalho (parte 2/4)
45/200 - Como ter potência criadora - 2 estratégia: O que é um não assunto (continuação): A dificuldade de tornar um assunto em não assunto (3/4)
46/200 - Como ter potência criadora - 2 estratégia: O que é um não assunto (continuação): na prática o que deixar de fazer (parte 4/4)
47/200 - Como ter potência criadora - 3 estratégia: Não chame os outros à atenção
48/200 - Como ter potência criadora - 4 estratégia: Cale-se por favor!
49/200 - Como ter potência criadora - 5 estratégia: A história de Tolstói (uma reflexão)
50/200 - Como ter potência criadora: Finalmente - Os miminhos
51/200 - Relações horizontais e não verticais: a unilateralidade - parte 1
52/200 - Relações horizontais e não verticais: a autoresponsabilidade - parte 2
53/200 - O silêncio estúpido
54/200 - Eu adapto-me ou o outro tem de se adaptar a mim?
55/200 - Não compre guerras. O problema da conspiração
56/200 - A teoria dos Habitats: não floresça em microclimas
57/200 - O desconforto: o nosso campo de ação (parte 1)
58/200 - O desconforto: os contra-vontades (parte 2)
59/200 - Um jogo de energias - escolher ou acolher?
60/200 - Como atrair tudo até si
61/200 - Porque não vendemos nada e o nosso experimento social é gratuito - Parte 1
62/200 - Porque não vendemos nada e o nosso experimento social é gratuito - Parte 2 - O busílis
63/200 - Ação ou reação - A peça teatral, dão-nos um guião e escolhemos outro papel
64/200 - Um amor raro que faz relações durarem anos - Não precisamos que nos peçam desculpa
65/200 - Dance nas suas relações sem impor coreografia
66/200 - Não chame ninguém a atenção (parte 2): uma revolução nos relacionamentos - espalhe flores
67/200 - Quando os outros endurecem o semblante: a ponte caída
68/200 - O mimo como forma de resistência contra o endurecimento do mundo: use a cor que tiver
69/200 - Um experimento social de acolhimento: não escolhemos mas acolhemos
70/200 - A solidão e o mundo das conexões: a porta enferrujada
71/200 - Mais vale só do que mal acompanhado: e se este ditado estiver incorreto?
72/200 - Solidão, Solitude e Solícito
73/200 - Os déspotas do nosso interior
74/200 - Conspiração: As vidas diminuídas (Parte 2)
75/200 - As minhas ações estão a construir uma melhor pessoa em mim?
76/200 - Somos amorais com os outros: o poder da agulha
77/200 - A dissonância é o lugar do encontro comigo mesmo: um tema secreto
78/200 - Diz o ditado popular: Toda a ação gera uma reação: e se em vez de reagir, agirmos?
79/200 - Presenças invisíveis, sem valor, pessoas descartáveis
80/200 - Encontre falhas e destrua a sua relação
81/200 - Uma reflexão SECRETA - O Mestre das nossas vidas: É no encontro com o outro que se dá o deslumbre de quem somos
82/200 - O Mestre dos Mestres: O lugar secreto
83/200 - O Mestre dos Mestres: Um tempo SECRETO
84/200 - O Mestre dos Mestres: deixe o riso brotar do seu interior
85/200 - Um estudo SECRETO: Os micro rituais de aproximação
86/200 - Um estudo SECRETO: Os micro rituais de aproximação - um yoga diferente
87/200 - Um estudo SECRETO: Os micro rituais de aproximação - a pausa-silêncio transforma-se no par ternura-silêncio
88/200 - Um estudo SECRETO: Os micro rituais de aproximação - dois pares distintos: a ternura-silêncio e a ausência-silêncio
89/200 - Um estudo SECRETO: Os micro rituais de aproximação - dois pares distintos: micro-sorriso e o semblante-fechado
90/200 - Um estudo SECRETO: Os micro rituais de aproximação - O espelho-secreto
91/200 - Um estudo SECRETO: Os micro rituais de aproximação - O ritual dentro de mim
92/200 - Um estudo SECRETO: Os micro rituais de aproximação - O ritual fora de mim
93/200 - Um estudo SECRETO: Os micro rituais de aproximação - O ritual fora e o ritual dentro de nós
94/200 - Um estudo SECRETO: Os micro rituais de aproximação - Conversão da vontade
95/200 - Um estudo SECRETO: Os micro rituais de aproximação - Escutar para me escutar (parte 1)
96/200 - Um estudo SECRETO: Os micro rituais de aproximação - Escutar para me escutar: casos de dissonância (parte 2)
97/200 - Um estudo SECRETO: Os micro rituais de aproximação - Escutar para me escutar: a dissonância como alerta do que se passa dentro de mim
98/200 - Um estudo SECRETO: Os micro rituais de aproximação - Escutar para me escutar: a dissonância como resistência do meu interior: o portal
99/200 - Um estudo SECRETO: Os micro rituais de aproximação - Escutar para me escutar: a dissonância como resistência do meu interior: um ouvir domesticado
100/200 - Antes de Reagir, Ajo: Não vou reagir - os mantras
101/200 - Antes de Reagir, Ajo: Só queixas
102/200 - Antes de Reagir, Ajo: Relações de proximidade - o antídoto
103/200 - Antes de Reagir, Ajo: Desabafar: não! Como aliviar o peso das emoções
104/200 - Antes de Reagir, Ajo: O arquivo da emoção e o arquivo da razão
Hoje iremos analisar o nosso Raciocínio 105/200 - Antes de Reagir, Ajo: Sofismas emocionais: o encarceramento da emoção
Tenho estado a abordar a temática da dualidade Reação e Ação.(1)
A imagem que usamos neste Raciocínio é esclarecedora para o entendimento dos sofismas emocionais.
Quero de uma forma mais profunda e madura abordar o conceito de sofisma, deixando de lado a ideia de "erro lógico" e olhar para o sofisma emocional a partir das reações emocionais e as ações conscientes.
Deste modo, podemos entendê-lo como um fenómeno psicológico e não apenas como uma simples falácia (um erro de raciocínio).
Quero explicar o sofisma emocional como um uso intencional ou inconsciente das emoções para influenciar a perceção da verdade.
E aqui entra a imagem que publicámos. Analisemos de baixo para cima a foto desta publicação:
- a criança em baixo: nós
- em seguida o sofisma emocional
- e em último a razão, figura de uma idosa, figura da maturidade.
O foco do sofisma emocional desloca-se da validade lógica para o modo como ele é experienciado e processado emocionalmente.
Vou tentar explicar de forma a fazer-me entender.
Preciso fazer a comparação de sofisma emocional com a dimensão das reações conscientes.
O sofisma emocional surge quando após um conflito as minhas emoções estão à flor da pele.
As reações da suposta razão todas elas são aquilo que chamamos de sofisma emocional. Têm uma aparência de razão, de actos conscientes, mas na verdade são sofismas emocionais e a figura do meio da nossa imagem publicada manifesta isso mesmo.
O semblante de uma mulher em paz consigo mesma e ela para nós é a representação desse sofisma. É a representação de um erro lógico emocional.
Portanto sofisma emocional = erro lógico emocional
Penso ser mais fácil continuar a minha exposição explicando que quando alguém é exposto a um sofisma emocional, há de facto uma série de reações emocionais imediatas como a indignação, a necessidade de justiça, a raiva, a tristeza, a frustração — que antecedem a análise racional.
Tenho vindo a explicar esta grande diferença entre um agir reativo versus um agir racional, em consciência, em razão.
No calor de um conflito, os sofismas emocionais transfiguram a própria razão e pensamos estar a agir em consciência mas estaremos de facto nesse instante a agir de acordo com as emoções. E conforme já antes referi, no meio de um conflito cale-se por favor.
Preciso explicar que a consciência só entrará em jogo no momento seguinte, quando o indivíduo pode:
- reconhecer as emoções envolvidas
- escolher se reage a partir dessa emoção ou se suspende o juízo para pensar de forma crítica.
Assim, a reação consciente versus reação emocional é um ato de autogestão emocional e cognitiva. É o ponto em que o sujeito recupera a autonomia sobre a própria resposta.
E mais uma vez aqui estamos a promover a maturidade emocional. Quantas vezes tenho ficado calado a assistir aos teatros dos outros.
A ação consciente, neste caso, consiste em refletir sobre o impacto emocional dos discursos: do meu, dos outros e preciso obrigatoriamente ser apenas espetador e nao participante. Por isso obrigatoriamente tenho de estar calado.
Trata-se de uma ética da consciência emocional. Preciso perceber-me e tentar descobrir qual a melhor forma para agir em consciência usando a razão e não a emoção.
Num outro raciocínio utilizei a imagem na foto da razão a falar com um coração que estava preso no cárcere. A razão explicou ao coração: "desculpa-me mas tenho que te manter aí preso, para ambos não sofrermos".
Visto assim, o sofisma emocional não é apenas um erro a evitar, mas é um espelho das nossas vulnerabilidades cognitivas e afetivas as quais precisamos trabalhar.
O sofisma emocional mostra-nos como a emoção é uma força viva e como a consciência pode intervir para dar lugar à lucidez.
O sofisma emocional, quando olhado por dentro, é uma armadilha subtil que nasce no instante em que a emoção se disfarça de razão.
E nós nesse instante, no conflito, ou momentos após o conflito, pensamos de imediato em agir, como por exemplo em fazer queixa, em escrever um email direcionado à hierarquia das pessoas envolvidas. É uma espécie de consciência, mas continuamos envolvidos dentro do sofisma emocional.
É o momento em que a consciência, ainda envolta no nevoeiro do sentir, acredita estar a ver claramente, mas na verdade está a olhar através do filtro das próprias dores e desejos.
É por isso que este fenómeno é tão perigoso, porque não se apresenta como emoção, mas como uma verdade sentida, e, por isso, quase inquestionável.
Quando digo "sofisma emocional", refiro-me àquela narrativa interna que se constrói dentro de mim logo após um embate.
É a voz que diz:
- "estou certo",
- "fui injustiçado",
- "preciso responder".
É uma aparência de lucidez, mas o que na verdade queremos fazer, é justificar o impulso.
O sofisma emocional é, pois, a razão capturada pela emoção, uma espécie de reflexo do ego ferido que tenta sustentar a sua versão da verdade.
E é aqui que se impõe o silêncio. O silêncio não como fraqueza, mas como instrumento de recuperação da consciência.
Calar-se é apenas dar tempo à razão para regressar.
Enquanto falo sob o domínio do sofisma, continuo em diálogo com o outro, e lutando contra mim mesmo, porque são as emoções que dominam.
As palavras que pronuncio não são expressão da minha consciência, mas da emoção que me domina.
É como se eu falasse, mas não fosse eu a falar, são as minhas feridas que falam, as minhas memórias, o medo de perder, a necessidade de ter razão.
É nesse instante que a conversa deixa de ser uma ponte e se torna um campo de batalha.
Se nos apercebermos que a conversa deixou de ser uma ponte e tornou-se campo de batalha, por favor cale-se!
Repare que no conflito cada palavra do outro é ouvida como ameaça, cada silêncio como ofensa. A emoção ocupa todo o espaço e não há mais lugar para o discernimento.
A razão está presente, mas está subjugada. Este é o território do sofisma emocional interior. O espaço onde a minha fala tenta justificar o que sinto, em vez de iluminar o que é verdadeiro.
E é precisamente por isso que a luta deixa de ser com o outro e passa a ser comigo mesmo. E apenas me destruo, porque não desenvolvo a maturidade emocional que me é requerida num momento de conflito.
Quando reconheço isto, compreendo o verdadeiro sentido do "calar-se". Não é desistir do diálogo é apenas suspender a contaminação emocional para que o diálogo possa voltar a ser verdadeiro, ponte, construção.
O silêncio, aqui, não é ausência de palavra, mas um ato consciente de reapropriação da minha lucidez.
Porque, de facto, enquanto falo sob o domínio do sofisma, apenas defendo as emoções; pareço agir, mas apenas reajo.
E é nesse ciclo que a consciência se perde. Só quando me detenho, quando deixo de tentar "vencer", é que posso começar a ver.
O exercício da maturidade emocional aqui consiste em calar-me.
O mais impressionante, começo a perceber que o sofisma emocional é, na verdade, um espelho. Ele mostra-me os pontos ainda não trabalhados em mim, as vulnerabilidades que ainda me governam.
Cada vez que caio na armadilha de reagir, o sofisma revela o outro como um mestre. Aquele que me afeta, desperta em mim mesmo pontos que precisam de maturidade.
A maturidade emocional, neste sentido, não é eliminar as emoções, mas aprender a não lhes conceder o trono da razão.
É saber que a emoção fala e deve ser ouvida, mas que a decisão consciente só pode nascer depois de a tempestade passar.
Por isso, agir em consciência é um ato de profunda humildade. É aceitar que, no calor do conflito, a minha visão é turva; que a verdade não me pertence; que o silêncio é, muitas vezes, a única forma de preservar a integridade da razão.
É pois neste espaço de pausa, neste intervalo entre sentir e agir, que a consciência amadurece e a lucidez encontra lugar para florescer.
Para dar lugar à razão: Cale-se por favor!
Abraço fraterno
Nuno Miguel R. S. Gomes
(Sociólogo e Filósofo)
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