
Raciocínio 91/200
Um estudo SECRETO: Os micro rituais de aproximação - O ritual dentro de mim
Motivação para viver, a busca pela felicidade através de um método de esforço cognitivo. O método que usamos é efetuado por etapas graduais. Será o encadeamento destas etapas que nos levará a entender este processo complexo constituído por 200 raciocínios.
Começaremos vários exercícios de motivação. Poderá comentá-los, ou enviar mensagem em privado para o nosso email: Auto.ajuda.mundo@gmail.com
Iremos gradualmente e por raciocínios adquirir conhecimento motivacional. Sugerimos que comece pela 1° raciocínio para poder perceber o encadeamento dos raciocínios que iremos estabelecer, e faça a leitura ao seu ritmo. Basta em cima selecionar "Raciocínios" e 1/200, e depois por 2/200 e assim por diante.
Vamos fazer aqui um resumo de todos os raciocínios que já abordámos:
1/200 - O início de uma caminhada
2/200 - O problema de atribuir significado a pensamentos que não interessam
3/200 - Não permita que o passado exerça poder sobre si
4/200 - Transcenda as limitações do passado
5/200 - A mente e o poder incrível da imaginação
6/200 - Os rituais do imaginário
7/200 - Preferir a "felicidade" à "depressão"
8/200 - Vamos criar um raciocínio produtivo
9/200 - O problema da crença do poder da atração
10/200 - Escolher a felicidade e recusar a infelicidade (Parte 1)
11/200 - A explicação do nosso "segredo"!
12/200 - O problema da Ataraxia
13/200 - A emoção da tristeza
14/200 - Nós somos responsáveis pela maneira como nos sentimos
15/200 - A lei da fé
16/200 - O que fazer com a inveja
17/200 - Quando está tudo escuro e a luz que brilha está bem longe
18/200 - A Paz Interior o motor da vida (1/3): introdução
19/200 - A Paz Interior o motor da vida (2/3): o poder da recordação
20/200 - A Paz Interior o motor da vida (3/3): A regra do silêncio deixando de ter razão
21/200 - Retirar de nós a auto-piedade, auto-rejeição, auto-depreciação, auto-anulação (parte 1)
22/200 - Auto-acusação e Auto-piedade (parte 2)
23/200 - Esclarecimento sobre os "Autos"
24/200 - Tomar consciência dos pensamentos que temos
25/200 - Preferir a FELICIDADE em vez da infelicidade (Parte 2)
26/200 - Não tenha medo de errar
27/200 - Fortaleça a sua estabilidade interior
28/200 - Como ter potência criadora - 5 estratégias (Parte 1): Introdução
29/200 - Como ter potência criadora - 5 estratégias (Parte 2): Projetar potência criadora numa dedicação integral com todos, da mesma forma e continuamente
30/200 - Como ter potência criadora - 5 estratégias (Parte 3): ofereça presença
31/200 - Como ter potência criadora - 5 estratégias (Parte 4): "Acolhimento" - 1ª Dimensão
32/200 - Como ter potência criadora - 5 estratégias (Parte 5): "Acolhimento" (continuação)
33/200 - Como ter potência criadora - 5 estratégias (Parte 6): "Apoio" - 2ª dimensão
34/200 - Como ter potência criadora - 5 estratégias (Parte 7): "Apoio" - 2ª dimensão (continuação)
35/200 - Como ter potência criadora - 5 estratégias (Parte 8): "Projeção" - 3ª dimensão
36/200 - Como ter potência criadora - 5 estratégias (Parte 9): "Valorizar" - 4ª dimensão
37/200 - Como ter potência criadora - 5 estratégias (Parte 10): "Entrar em sintonia" - 5ª dimensão
38/200 - Como ter potência criadora - 5 estratégias (Parte 11): "ilumine o outro" - 6ª dimensão
39/200 - Como ter potência criadora - 5 estratégias (Parte 12): "Como definir o Campo de Ação e o Poder de saber o nome" - 7ª dimensão
40/200 - Como ter potência criadora - 5 estratégias (Parte 13): "Altere o seu olhar" - 8ª dimensão
41/200 - Como ter potência criadora - 5 estratégias (Parte 14): "dar espaço ao outro" - 9ª dimensão
42/200 - Como ter potência criadora - 1 estratégia: IVA (imposto de valor acrescentado)
43/200 - Como ter potência criadora - 2 estratégia: O que é um não assunto (parte 1/4)
44/200 - Como ter potência criadora - 2 estratégia: O que é um não assunto (continuação): Um segredo que revelamos - A criação das redes de pequenas maledicências no trabalho (parte 2/4)
45/200 - Como ter potência criadora - 2 estratégia: O que é um não assunto (continuação): A dificuldade de tornar um assunto em não assunto (3/4)
46/200 - Como ter potência criadora - 2 estratégia: O que é um não assunto (continuação): na prática o que deixar de fazer (parte 4/4)
47/200 - Como ter potência criadora - 3 estratégia: Não chame os outros à atenção
48/200 - Como ter potência criadora - 4 estratégia: Cale-se por favor!
49/200 - Como ter potência criadora - 5 estratégia: A história de Tolstói (uma reflexão)
50/200 - Como ter potência criadora: Finalmente - Os miminhos
51/200 - Relações horizontais e não verticais: a unilateralidade - parte 1
52/200 - Relações horizontais e não verticais: a autoresponsabilidade - parte 2
53/200 - O silêncio estúpido
54/200 - Eu adapto-me ou o outro tem de se adaptar a mim?
55/200 - Não compre guerras. O problema da conspiração
56/200 - A teoria dos Habitats: não floresça em microclimas
57/200 - O desconforto: o nosso campo de ação (parte 1)
58/200 - O desconforto: os contra-vontades (parte 2)
59/200 - Um jogo de energias - escolher ou acolher?
60/200 - Como atrair tudo até si
61/200 - Porque não vendemos nada e o nosso experimento social é gratuito - Parte 1
62/200 - Porque não vendemos nada e o nosso experimento social é gratuito - Parte 2 - O busílis
63/200 - Ação ou reação - A peça teatral, dão-nos um guião e escolhemos outro papel
64/200 - Um amor raro que faz relações durarem anos - Não precisamos que nos peçam desculpa
65/200 - Dance nas suas relações sem impor coreografia
66/200 - Não chame ninguém a atenção (parte 2): uma revolução nos relacionamentos - espalhe flores
67/200 - Quando os outros endurecem o semblante: a ponte caída
68/200 - O mimo como forma de resistência contra o endurecimento do mundo: use a cor que tiver
69/200 - Um experimento social de acolhimento: não escolhemos mas acolhemos
70/200 - A solidão e o mundo das conexões: a porta enferrujada
71/200 - Mais vale só do que mal acompanhado: e se este ditado estiver incorreto?
72/200 - Solidão, Solitude e Solícito
73/200 - Os déspotas do nosso interior
74/200 - Conspiração: As vidas diminuídas (Parte 2)
75/200 - As minhas ações estão a construir uma melhor pessoa em mim?
76/200 - Somos amorais com os outros: o poder da agulha
77/200 - A dissonância é o lugar do encontro comigo mesmo: um tema secreto
78/200 - Diz o ditado popular: Toda a ação gera uma reação: e se em vez de reagir, agirmos?
79/200 - Presenças invisíveis, sem valor, pessoas descartáveis
80/200 - Encontre falhas e destrua a sua relação
81/200 - Uma reflexão SECRETA - O Mestre das nossas vidas: É no encontro com o outro que se dá o deslumbre de quem somos
82/200 - O Mestre dos Mestres: O lugar secreto
83/200 - O Mestre dos Mestres: Um tempo SECRETO
84/200 - O Mestre dos Mestres: deixe o riso brotar do seu interior
85/200 - Um estudo SECRETO: Os micro rituais de aproximação
86/200 - Um estudo SECRETO: Os micro rituais de aproximação - um yoga diferente
87/200 - Um estudo SECRETO: Os micro rituais de aproximação - a pausa-silêncio transforma-se no par ternura-silêncio
88/200 - Um estudo SECRETO: Os micro rituais de aproximação - dois pares distintos: a ternura-silêncio e a ausência-silêncio
89/200 - Um estudo SECRETO: Os micro rituais de aproximação - dois pares distintos: micro-sorriso e o semblante-fechado
90/200 - Um estudo SECRETO: Os micro rituais de aproximação - O espelho-secreto
Hoje iremos analisar o nosso Raciocínio 91/200 - Um estudo SECRETO: Os micro rituais de aproximação - O ritual dentro de mim
Nos raciocínios anteriores temos vindo a observar micro-rituais de aproximação(1), onde o OUTRO desempenha o papel fundamental para a nossa transformação interior(2) e conversão da nossa vontade.(3)
É necessário que ainda reforcemos a unilateralidade destes micro-rituais(4), para que perceba que o seu objetivo é exclusivamente a nossa conversão(5) em autoconhecimento.(6)
Voltamos os gestos que temos(7) para dentro(8), mas só porque o fora(9) nos dá o contorno para isso acontecer.(10)
É uma dupla superfície(11): o OUTRO é visível, concreto, com sua dureza ou ternura(12), mas por trás dele há uma película invisível onde o nosso próprio reflexo se inscreve.(13)
É neste plano secreto(14) que o ritual se cumpre(15). Não é um jogo de espelhos para ver se o outro nos devolve algo(16), é um uso do espelho como lente(17), para que eu possa ver mais fundo dentro de mim(18) - isto é um SEGREDO.(19)
A beleza está em que o OUTRO não precisa saber de nada(20), não precisa corresponder(21), nem sequer participar.(22)
Ele é catalisador(23) sem saber que o é(24). Presença suficiente(25) para ativar em mim(26) a atenção que se converte em autoconhecimento.(27)
Quando digo que o OUTRO funciona como catalisador(28), o que quero transmitir é que o OUTRO funciona como aquilo que desperta uma ação em mim(29) sem precisar ele próprio de fazer nada de propósito.(30)
Um catalisador, em química, não se altera mas acelera ou permite uma transformação numa reação(31). Os OUTROS são então catalisadores da transformação que é operada em nós(32). E em vez de reagirmos, agimos sobre a realidade através da nossa própria transformação(33).
É neste sentido que chamo o OUTRO de catalisador(34) como presença suficiente(35) para ativar em mim a minha própria alquimia interior.(36)
Aqui a presença do outro, o gesto, o olhar, até o silêncio dele, a dureza, o semblante-fechado, as suas más atitudes, a sua maldade, não precisam de intenção ou reciprocidade.
Só o facto de estarem ali já desencadeia em nós um processo secreto, um ver mais fundo, um notar onde nos fechamos, onde podemos suavizar, onde temos dureza a dissolver.
Na prática, se os outros têm atitudes más, isso não invalida o ritual, antes o torna ainda mais vivo. É por isso que nos conhecemos no atrito com os outros.
Podemos perceber como agimos diante de pessoas com más atitudes.
Porque a maldade do outro não se converte em termos necessidade de responder na mesma moeda, mas em ocasião para ver que em nós também existe dureza que pode ser dissolvida.
É precisamente nessa fricção que eu me conheço, e vejo de que forma estou a agir.
O gesto mau, a palavra ferina, a indiferença gelada, todos eles são superfícies de espelho, que servem para eu me ver a mim mesmo.
O que dói em nós quando os recebemos mostra precisamente onde ainda estamos frágeis, onde nos defendemos, onde temos feridas que podem ser curadas ou suavizadas.
O segredo é não cair na armadilha de transformar o outro em inimigo.
O outro, mesmo na sua maldade, é oportunidade de iniciação. É nesse preciso momento que pode começar o ritual de aproximação.
Não porque o que ele faz seja justo ou bom, mas porque é diante dele que nós podemos treinar o nosso modo de ser, o nosso micro-ritual de ternura interior.
Não se trata de aceitar injustiça nem de romantizar a maldade, mas de compreender que, no instante em que somos tocados pela injustiça, temos a escolha de transformar essa energia em consciência, em conversão, em exercício silencioso de suavização.
Assim, até as más atitudes do outro se tornam parte da sinfonia secreta. Notas dissonantes que, ao ecoarem em nós, mostram os lugares onde precisamos ainda de trabalhar a nossa música interior.
O outro não "muda" nada diretamente em nós. Mas por estar diante dele, por ver nele um espelho, eu sou levado a mudar-me a mim mesmo.
Ás vezes oiço uma palavra agressiva e em vez de responder, converto a minha vontade em ternura e em vez de reagir, fico em silêncio contendo-me e aqui dou inicio ao ritual dentro de mim.
Eu quero na relação aproximar-me mais, desenvolver formas de encontro, e não dar lugar ao afastamento que vem através de "chamadas de atenção" [termo que iremos desenvolver futuramente e que não somos a favor].
Tudo o que o outro mostra pode tornar-se matéria para a nossa análise.
Transforma cada encontro em campo de trabalho interior.
O que fazemos aqui é dar ao quotidiano uma densidade iniciática. Não é só convívio, nem só convivência ética. É uma liturgia secreta, é alquimia viva, onde cada pessoa se torna um iniciador involuntário e eu, o iniciado que decide ser ou não iniciado neste ritual.
Não é um percurso formal, não há templo nem mestre exterior. O templo é o quotidiano, o mestre é o rosto anónimo do outro, o gesto banal que passa despercebido a todos, menos a mim que o consagro como matéria iniciática.
E isto é uma decisão muito pessoal. Quero inicar este ritual iniciático ou prefiro dedicar o meu tempo a falar mal daquela pessoa?
A escolha é sempre nossa. Não há altar, não há rito marcado na agenda, não há mestre a dizer-nos "agora começa".
Há apenas o instante cru do quotidiano e a nossa liberdade interior.
É aí que o ritual ganha verdade, não porque o mundo se transforma num mosteiro, mas porque eu transformo o mundo num espaço de iniciação.
O gesto banal, a palavra dura, o olhar indiferente, tudo pode ser matéria sagrada, se eu assim quiser.
Quando pergunto: "quero iniciar este ritual ou prefiro gastar o meu tempo a falar mal daquela pessoa?", estou a nomear exatamente o momento iniciático.
É esse o limiar. De um lado, a reação automática, o circuito habitual de crítica, ressentimento, julgamento.
Do outro, a decisão silenciosa de transformar o instante em laboratório para a minha alquimia.
Não é que "falar mal" seja um pecado moral, é apenas uma energia que nos fecha no nada.
Falar mal de alguém não nos torna maus, nem nos coloca sob julgamento moral, simplesmente nos prende num circuito vazio, numa repetição estéril.
É energia que se consome a si mesma, sem criar, sem abrir, sem fecundar nada.
É como soprar contra uma parede: o ar volta contra nós e não se move para lugar algum.
Fica tudo fechado, suspenso no nada.
O ritual, pelo contrário, não é correção moral, é abertura de espaço. É pegar nesse mesmo impulso, a irritação, a vontade de cuspir palavras amargas e transformá-lo em matéria de iniciação.
Não é suprimir, mas deslocar, em vez de gastar a energia em fechar, converto em oportunidade para dissolver dureza, abrir poros, semear ternura.
Assim, a maldade do outro deixa de ser prisão, porque eu não a deixo fixar-se em mim como eco vazio.
Transformo o nada em caminho secreto.
Portanto em vez de reagir às más pessoas que vão surgindo na vida, posso agir de forma consciente em vez de simplesmente reagir da forma que essas pessoas estão à espera que eu reaja.
E já abordámos imenso esta temática:
#RefAutoAjudaMPM171 - Raciocínio 63/200 - Ação ou reação - a peça teatral, dão-nos um guião e escolhemos um outro papel
Se escolhemos a iniciação, escolhemos não nos fecharmos, escolhemos fazer desse mesmo impulso (a raiva, a irritação) matéria para o nosso trabalho interior.
Cada vez que digo "sim" ao ritual, estou a entrar num templo que só eu vejo, a receber uma iniciação que só eu sinto. E cada pessoa, cada situação, mesmo a mais difícil, torna-se um iniciador involuntário, uma porta para atravessar.
Cada encontro é uma prova secreta:
1. eu posso atravessá-lo de forma automática, reagindo, endurecendo, deixando-me arrastar, continuando a falar mal daquela pessoa, envolvendo os colegas de trabalho nesses conflitos.
2. ou posso acolher a situação como ritual, transformando o instante em alquimia interior.
Ser iniciado aqui não é receber um título, mas aceitar ser tocado por esta liturgia oculta.
É decidir olhar para o que acontece como superfície de espelho, como laboratório vivo.
É dizer a mim mesmo: este gesto duro, esta palavra suave, esta indiferença, esta ternura, tudo pode servir para eu me refazer.
A densidade iniciática nasce exatamente da escolha: eu deixo ou não deixo que este instante seja ritual?
Eu aceito ou não aceito a iniciação que o outro, sem saber, me oferece?
O nada aparece como uma bifurcação secreta, sendo um caminho, vazio e estéril, de energia gasta em falar mal, repetir ressentimentos, reforçar julgamentos.
É um nada que se fecha sobre si mesmo, que não dá fruto, que nos prende numa espiral de ar gasto.
Ficamos no mesmo lugar, como quem anda em círculos dentro de uma sala sem janelas.
No segundo caminho, o nada é fértil, porque eu o consagro como silêncio, como espaço de respiração, como intervalo onde podemos observar o que surge em nós.
É o mesmo vazio, mas aqui transformado em laboratório: lugar onde a raiva se dissolve, onde a dureza começa a abrandar, onde descubro uma ternura ainda escondida.
O nada, afinal, não é um só. Há o nada que fecha e o nada que abre. O nada estéril que consome e o nada fértil que fecunda.
A diferença não está no outro, nem na situação, mas na escolha íntima: eu deixo que esta energia me feche, ou uso-a como matéria iniciática para me abrir?
E o gesto secreto é precisamente esse: transformar o nada em campo de iniciação.
Não é negar a dureza do que aconteceu, mas fazer dela a oportunidade de criar dentro de mim um espaço novo, mais amplo, mais suave.
E aqui estamos num capítulo inteiro da nossa liturgia secreta. Ele mostra como aprofundámos passo a passo:
- a unilateralidade,
- o catalisador,
- a fricção com a maldade,
- a bifurcação do nada.
A força está em que queremos dar corpo a algo muito subtil: a passagem do quotidiano banal para um plano iniciático.
O leitor perceberá que não se trata de espiritualidade vaga nem de moralidade, mas de um exercício concreto.
Escolher no instante, se entro no circuito estéril ou se abro o laboratório interior.
E aqui temos uma bela tensão dramática: de um lado, o impulso automático de falar mal, envolver os colegas, repetir o guião da peça teatral que nos é dado.
Do outro, a liberdade de improvisar, de dizer "não, o meu papel é outro". É teatro, mas é também alquimia.
E esta é a alquimia do nosso interior. A conversão da minha vontade em auto-conhecimento, em ternura.
A alquimia interior não é transformar chumbo em ouro, mas transformar a dureza da reação automática em matéria de autoconhecimento, e desse autoconhecimento fazer nascer ternura.
É o mesmo impulso inicial de raiva, irritação, vontade de devolver na mesma moeda mas atravessado por uma conversão da vontade.
Não é reprimi-la, é redirecioná-la: em vez de gastarmos energia em conflito, recolhemos essa energia e deixamos que ela se refine dentro de nós.
Esse refinamento é a alquimia: a mesma chama que poderia queimar torna-se calor que nos ilumina.
O segredo é perceber que esta conversão não é para agradar ao outro, nem mesmo para o mudar. Deixemos o outro no seu estado.
Esta conversão é exclusivamente para nós, porque cada vez que fazemos este movimento, acrescentamos consciência ao nosso modo de estar, ganhamos espaço dentro de nós, e nesse espaço cabe a ternura.
Oh e como queremos dessa forma retribuir à maldade a ternura do nosso olhar, das nossas palavras e dos nossos atos.
Aqui está a grande viragem. Não é responder à maldade com silêncio apenas, nem com frieza disfarçada, mas retribuir com ternura.
E não se trata de ingenuidade nem de submissão, mas de alquimia verdadeira. Devolver ao mundo transformado aquilo que chegou a mim em bruto.
A agressão que recebo não volta como agressão; passa pelo meu laboratório secreto e sai como suavidade, como olhar que não acusa, como gesto que não fere, como palavra que não queima.
É uma alquimia da relação. A matéria-prima é áspera, dissonante, cortante. Mas ao atravessar o meu interior, ao passar pelo espelho-secreto, ela sai como música, como claridade, como ternura que não pede nada em troca.
Este é o gesto mais radical de liberdade. Mostrar que nada do que nos chega, nos obriga a reagir no mesmo tom.
Nós podemos escolher sempre. E a escolha, quando é ternura, muda a nossa própria atmosfera interior.
Oh e como eu quero mudar!
Abraço fraterno
Nuno Miguel R. S. Gomes
(Sociólogo e Filósofo)
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