
Raciocínio 87/200
Um estudo SECRETO: Os micro rituais de aproximação - a pausa-silêncio transforma-se no par ternura-silêncio
Motivação para viver, a busca pela felicidade através de um método de esforço cognitivo. O método que usamos é efetuado por etapas graduais. Será o encadeamento destas etapas que nos levará a entender este processo complexo constituído por 200 raciocínios.
Começaremos vários exercícios de motivação. Poderá comentá-los, ou enviar mensagem em privado para o nosso email: Auto.ajuda.mundo@gmail.com
Iremos gradualmente e por raciocínios adquirir conhecimento motivacional. Sugerimos que comece pela 1° raciocínio para poder perceber o encadeamento dos raciocínios que iremos estabelecer, e faça a leitura ao seu ritmo. Basta em cima selecionar "Raciocínios" e 1/200, e depois por 2/200 e assim por diante.
Vamos fazer aqui um resumo de todos os raciocínios que já abordámos:
1/200 - O início de uma caminhada
2/200 - O problema de atribuir significado a pensamentos que não interessam
3/200 - Não permita que o passado exerça poder sobre si
4/200 - Transcenda as limitações do passado
5/200 - A mente e o poder incrível da imaginação
6/200 - Os rituais do imaginário
7/200 - Preferir a "felicidade" à "depressão"
8/200 - Vamos criar um raciocínio produtivo
9/200 - O problema da crença do poder da atração
10/200 - Escolher a felicidade e recusar a infelicidade (Parte 1)
11/200 - A explicação do nosso "segredo"!
12/200 - O problema da Ataraxia
13/200 - A emoção da tristeza
14/200 - Nós somos responsáveis pela maneira como nos sentimos
15/200 - A lei da fé
16/200 - O que fazer com a inveja
17/200 - Quando está tudo escuro e a luz que brilha está bem longe
18/200 - A Paz Interior o motor da vida (1/3): introdução
19/200 - A Paz Interior o motor da vida (2/3): o poder da recordação
20/200 - A Paz Interior o motor da vida (3/3): A regra do silêncio deixando de ter razão
21/200 - Retirar de nós a auto-piedade, auto-rejeição, auto-depreciação, auto-anulação (parte 1)
22/200 - Auto-acusação e Auto-piedade (parte 2)
23/200 - Esclarecimento sobre os "Autos"
24/200 - Tomar consciência dos pensamentos que temos
25/200 - Preferir a FELICIDADE em vez da infelicidade (Parte 2)
26/200 - Não tenha medo de errar
27/200 - Fortaleça a sua estabilidade interior
28/200 - Como ter potência criadora - 5 estratégias (Parte 1): Introdução
29/200 - Como ter potência criadora - 5 estratégias (Parte 2): Projetar potência criadora numa dedicação integral com todos, da mesma forma e continuamente
30/200 - Como ter potência criadora - 5 estratégias (Parte 3): ofereça presença
31/200 - Como ter potência criadora - 5 estratégias (Parte 4): "Acolhimento" - 1ª Dimensão
32/200 - Como ter potência criadora - 5 estratégias (Parte 5): "Acolhimento" (continuação)
33/200 - Como ter potência criadora - 5 estratégias (Parte 6): "Apoio" - 2ª dimensão
34/200 - Como ter potência criadora - 5 estratégias (Parte 7): "Apoio" - 2ª dimensão (continuação)
35/200 - Como ter potência criadora - 5 estratégias (Parte 8): "Projeção" - 3ª dimensão
36/200 - Como ter potência criadora - 5 estratégias (Parte 9): "Valorizar" - 4ª dimensão
37/200 - Como ter potência criadora - 5 estratégias (Parte 10): "Entrar em sintonia" - 5ª dimensão
38/200 - Como ter potência criadora - 5 estratégias (Parte 11): "ilumine o outro" - 6ª dimensão
39/200 - Como ter potência criadora - 5 estratégias (Parte 12): "Como definir o Campo de Ação e o Poder de saber o nome" - 7ª dimensão
40/200 - Como ter potência criadora - 5 estratégias (Parte 13): "Altere o seu olhar" - 8ª dimensão
41/200 - Como ter potência criadora - 5 estratégias (Parte 14): "dar espaço ao outro" - 9ª dimensão
42/200 - Como ter potência criadora - 1 estratégia: IVA (imposto de valor acrescentado)
43/200 - Como ter potência criadora - 2 estratégia: O que é um não assunto (parte 1/4)
44/200 - Como ter potência criadora - 2 estratégia: O que é um não assunto (continuação): Um segredo que revelamos - A criação das redes de pequenas maledicências no trabalho (parte 2/4)
45/200 - Como ter potência criadora - 2 estratégia: O que é um não assunto (continuação): A dificuldade de tornar um assunto em não assunto (3/4)
46/200 - Como ter potência criadora - 2 estratégia: O que é um não assunto (continuação): na prática o que deixar de fazer (parte 4/4)
47/200 - Como ter potência criadora - 3 estratégia: Não chame os outros à atenção
48/200 - Como ter potência criadora - 4 estratégia: Cale-se por favor!
49/200 - Como ter potência criadora - 5 estratégia: A história de Tolstói (uma reflexão)
50/200 - Como ter potência criadora: Finalmente - Os miminhos
51/200 - Relações horizontais e não verticais: a unilateralidade - parte 1
52/200 - Relações horizontais e não verticais: a autoresponsabilidade - parte 2
53/200 - O silêncio estúpido
54/200 - Eu adapto-me ou o outro tem de se adaptar a mim?
55/200 - Não compre guerras. O problema da conspiração
56/200 - A teoria dos Habitats: não floresça em microclimas
57/200 - O desconforto: o nosso campo de ação (parte 1)
58/200 - O desconforto: os contra-vontades (parte 2)
59/200 - Um jogo de energias - escolher ou acolher?
60/200 - Como atrair tudo até si
61/200 - Porque não vendemos nada e o nosso experimento social é gratuito - Parte 1
62/200 - Porque não vendemos nada e o nosso experimento social é gratuito - Parte 2 - O busílis
63/200 - Ação ou reação - A peça teatral, dão-nos um guião e escolhemos outro papel
64/200 - Um amor raro que faz relações durarem anos - Não precisamos que nos peçam desculpa
65/200 - Dance nas suas relações sem impor coreografia
66/200 - Não chame ninguém a atenção (parte 2): uma revolução nos relacionamentos - espalhe flores
67/200 - Quando os outros endurecem o semblante: a ponte caída
68/200 - O mimo como forma de resistência contra o endurecimento do mundo: use a cor que tiver
69/200 - Um experimento social de acolhimento: não escolhemos mas acolhemos
70/200 - A solidão e o mundo das conexões: a porta enferrujada
71/200 - Mais vale só do que mal acompanhado: e se este ditado estiver incorreto?
72/200 - Solidão, Solitude e Solícito
73/200 - Os déspotas do nosso interior
74/200 - Conspiração: As vidas diminuídas (Parte 2)
75/200 - As minhas ações estão a construir uma melhor pessoa em mim?
76/200 - Somos amorais com os outros: o poder da agulha
77/200 - A dissonância é o lugar do encontro comigo mesmo: um tema secreto
78/200 - Diz o ditado popular: Toda a ação gera uma reação: e se em vez de reagir, agirmos?
79/200 - Presenças invisíveis, sem valor, pessoas descartáveis
80/200 - Encontre falhas e destrua a sua relação
81/200 - Uma reflexão SECRETA - O Mestre das nossas vidas: É no encontro com o outro que se dá o deslumbre de quem somos
82/200 - O Mestre dos Mestres: O lugar secreto
83/200 - O Mestre dos Mestres: Um tempo SECRETO
84/200 - O Mestre dos Mestres: deixe o riso brotar do seu interior
85/200 - Um estudo SECRETO: Os micro rituais de aproximação
86/200 - Um estudo SECRETO: Os micro rituais de aproximação - um yoga diferente
Hoje iremos analisar o nosso Raciocínio 87/200 - Um estudo SECRETO: Os micro rituais de aproximação - a pausa-silêncio transforma-se no par ternura-silêncio
O que sai da boca pode ser sopro de cuidado(1) ou pedra lançada(2), pode levantar um espaço onde o outro respira mais fundo(3) ou pode apertar-lhe o peito.(4)
Não é só construir ou destruir no sentido literal(5), é mais subtil. Às vezes uma palavra delicada desloca muros enormes(6), às vezes o silêncio já é tijolo(7) ou já é demolição.(8)
Repare que temos defendido o silêncio como forma de calar no momento em que verificamos que temos outro ponto de vista(9) e não há recetividade no outro que nos ouve.(10)
Optamos assim por silenciar porque primamos pela TERNURA da relação(11), primamos sempre pela aproximação(12), e isto não é anulação de mim mesmo(13), é precisamente o oposto(14). É construção do meu interior(15), acalmo o meu ser nesta CONVERSÃO(16) e opto pelo silêncio como forma de domar a minha vontade(17) e dar abertura ao outro para que respire livremente.(18)
Explorámos já esta temática sucessivas vezes:(19)
- "Temos de uma vez por todas libertar os nossos
pais da nossa mente e deixar de estar a cobrar seja o que for. Você agora tem a sua vida e vai vivê-la centrado(a) em si mesmo, e os seus pais fazem claro parte da sua vida, mas não para estar a cobrar situações que aconteceram e que até podem não estar resolvidas" (Raciocínio 4:9,10)
- "um ato profundo de amor: permite que a presença
seja leve, livre de cobranças(45), e que cada um se encontre consigo mesmo
enquanto compartilha a vida com o outro.(46)
" (Raciocínio 41:45,46)
- "não romper relações(40) com cobranças
repetidas(41)
" (Raciocínio 47:40,41)
- "A unilateralidade é isso: - não é cobrança,(37); - não é ajuste de contas,(38); - não é negociação emocional(39). Eu mantenho a ponte sem pedir que o outro caminhe(40), e sem transformar o meu investimento numa exigência disfarçada.(41)" (Raciocínio 52: 37-41)
- "Uma postura rara e poderosa(175): Esta postura é rara e poderosa, porque evita cobranças(176), evita ressentimentos porque não há expetativa no outro(177), promove a liberdade(178) e ao mesmo tempo protege a minha integridade(179), já que essa adaptação é livre e intencional(180), não uma submissão cega(181). Sou eu mesmo que promovo a relação.(182)" (Raciocínio 54:175-182)
Cada ausência de som(20) torna-se um espaço aberto para o outro florescer.(21)
Mas o mesmo silêncio pode ser também o vazio que corrói(22), aquele que retira chão(23), que deixa o outro suspenso(24), sem resposta, sem reconhecimento.(25)
Um silêncio pode ser um tijolo posto com cuidado(26), encaixado no lugar certo para que a estrutura aguente(27). É por isso que as nossas relações precisam de muitos silêncios da nossa parte.(28)
Não procuramos guerras de palavras(29). Queremos construir(30), não destruir relações.(31)
Os silêncios certos(32) são como intervalos que dão música às palavras(33), como pausas que deixam respirar a melodia.(34)
Quando o silêncio é presença(35), ele não fere(36), não pesa(37). Ele sustenta(38), dá chão(39), permite que o outro exista inteiro sem ser esmagado por explicações ou justificações.(40)
Esse silêncio é ativo(41), mesmo sem som(42). É um gesto de respeito(43), de TERNURA(44): eu calo-me para que tu possas caber(45). Eu não disputo território com palavras(46), não quero vencer(47), quero erguer contigo algo que se mantenha.(48)
Oh e como as relações precisam tanto destes silêncios!(49)
E aí, sim, as relações crescem mais pelo que não se diz(50) do que pelo que se insiste em repetir.(51)
Exercício 1
Releia milhares de vezes a frase anterior.
O silêncio é como uma mão invisível que segura o copo cheio de água enquanto o outro bebe(52). Não se vê, não se ouve, mas sem essa mão o copo cairia e tudo se perderia no chão.(53)
Esse silêncio é TERNURA porque sustenta sem se impor(54), dá suporte sem exigir agradecimento.(55)
É a TERNURA pelo outro(56), pelos OUTROS(57), que dá abertura(58), suavidade(59), e eles têm prazer em estar perto.(60)
É o espaço onde o outro pode falar sem medo de interrupção(61), ou até pode não falar, e mesmo assim sentir-se acompanhado.(62)
É como uma luz suave que não precisa brilhar forte(63), mas que impede a escuridão de ser total.(64)
O silêncio como TERNURA é também uma CONVERSÃO da minha vontade(65) em não querer responder sempre, corrigir, justificar.(66)
O meu silêncio é um ato de TERNURA(67). Eu não preciso ocupar o ar entre nós(68), porque confio que o vazio não é ameaça, é colo.(69)
O par silêncio-ternura deixa de ser só pausa(70), torna-se escolha consciente(71), é um ato de CONVERSÃO íntima.(72)
Não é resignação amarga(73), mas a delicadeza de retirar a minha vontade da frente quando percebo que ela não encontra terreno no outro.(74)
E atenção não precisa encontrar terreno no outro.(75)
Não se trata de esperar que a nossa perspetiva um dia encontre espaço(76), nem de guardar esperança de que o outro venha a acolher(77). Se fosse essa espera estaríamos fora do par ternura-silêncio e estaríamos numa relação para mudar a outra pessoa(78), totalmente fora do nosso Movimento de Motivação e de Auto-Ajuda.(79)
Não queremos mudar ninguém no fora de nós(80). É o dentro de nós a nossa máxima transformação.(81)
O silêncio-ternura, neste enquadramento, é um gesto de fidelidade a nós próprios.(82)
E aqui percebemos que estamos mesmo numa estratégia relacional(83), mas não no campo de "gestão do outro"(84). É uma estratégia relacional interior minha.(85)
É um exercício onde a relação serve como espelho para trabalhar a minha vontade(86). Na verdade torna-se a forma de CONVERTER a minha vontade.(87)
Quando calo, não é porque o outro me silenciou(88), nem porque me abdico de mim(89). É porque, diante da resistência(90) ou da diferença(91), eu escolho usar esse instante para praticar uma CONVERSÃO(92): a minha vontade, poderia entrar em disputa(93), é virada para dentro(94), transformada em lugar de cuidado.(95)
E nestes micro rituais de aproximação(96) eu prefiro aproximar-me do que afastar-me.(97)
Procuramos o encontro constante na relação(98). Micro cuidados para nos aproximarmos mais(99), gestos de atenção, de TERNURA.(100)
A TERNURA aqui traduz-se na forma como eu decido habitar o encontro(101), sem exigência(102), sem guerra(103), sem querer ter razão.(104)
Raciocínio 20 - A Paz Interior o motor da vida (3/3): a regra do silêncio, deixando de ter razão
Apenas no Livro 6 quando abordarmos a diferença entre reagir e agir, irei fazer a distinção entre o reagir emocionalmente e agir pela razão:(105)
Raciocínio 104 - Antes de Reagir, Ajo: O arquivo da emoção e o arquivo da razão
Depois no Livro 7 iremos aprender a descer, e só nesse momento e isto porque o PROCESSO é gradativo, é que irei descrever(106): Raciocínio 123 - Aprendendo a descer: Mantenha o equilíbrio - Não há razão! Há relação (parte 12)
É como se cada silêncio fosse um pequeno treino de liberdade(107). Mas aqui a liberdade é a que preciso atribuir ao OUTRO(108), para que o OUTRO possa respirar(109). A liberdade de não precisar afirmar-me sempre(110), de não me deixar prender pela urgência de ser ouvido.(111)
Se pensarmos o silêncio-ternura como disciplina interior(112), ele deixa de ser apenas reação ao que acontece fora(113) e passa a ser prática consciente(114), um exercício de CONVERSÃO contínua da minha vontade.(115)
O silêncio torna-se um espaço de alquimia(116). O impulso bruto é transformado em delicadeza interior.(117)
Não é repressão(118), porque não escondemos nem negamos o que sentimos(119). É antes um modo de nos lapidarmos(120). Eu acolho o Movimento da minha vontade(121) e, em vez de a projetar(122), deixo que se converta em claridade para mim mesmo(123). Eu procuro o encontro, a ternura, a aproximação.(124)
Agora entenda, que esta procura por encontro, ternura e aproximação aplica-se a TODOS e não apenas a algumas pessoas(125). Ao fazê-lo, os encontros tornam-se momentos onde eu mesmo me CONVERTO.(126)
Enquanto noutros relacionamentos é comum a guerra de palavras, a discussão de perspetivas.(127)
A ternura-silêncio tem densidade(128), e cada palavra é escolhida com o cuidado de não ferir(129), mas de iluminar(130). Não se trata de evitar o conflito(131), mas de transformá-lo em claridade, em compreensão.(132)
Cada diferença não é trincheira(133), mas oportunidade de nos lapidarmos(134), de refinar a nossa própria vontade(135), de aproximar sem esmagar, de tocar sem invadir.(136)
O que antes era guerra de palavras torna-se dança de presença(137), onde cada gesto e cada pausa contam tanto quanto o que é dito(138), e o encontro se faz na TERNURA(139) que se deixa espalhar entre nós, silenciosa mas intensa.(140)
E a ternura-silêncio manifesta-se nas pausas que fazemos para não nos impormos.(141)
A ternura-silêncio não grita nem força presença(142). Ela respira nos intervalos(143), nos gestos contidos(144), nas pausas onde não projetamos(145), não cobramos(146), não pressionamos.(147)
É nesses espaços que a claridade da minha vontade se revela(148), que a minha escuta se aprofunda(149), e que o encontro acontece de forma suave(150), quase impercetível, mas real.(151)
Cada pausa é um ato de cuidado(152), não com o outro para mudá-lo(153), mas connosco mesmos(154), para não perdermos a nossa própria harmonia ao refletir no outro.(155)
Nesta CONVERSÃO da minha vontade(156) sou então lapidado(157) e aqui há um ritmo SECRETO(158), que não se impõe mas se deixa sentir.(159)
Cada gesto, cada olhar, cada pausa, funciona como polimento da minha própria vontade(160), tornando-a mais transparente, mais consciente.(161)
Oh e nós queremos ser mais conscientes das nossas palavras, pensamentos e atos.(162)
Não é uma luta para vencer o outro(163) nem para afirmar um ponto de vista(164), é um Movimento de aproximação(165), onde a TERNURA se infiltra(166) entre o que pensamos e o que sentimos(167), tornando visível o invisível.(168)
Nesta CONVERSÃO da minha vontade pela pausa-silêncio(169) dou lugar à ternura-silêncio(170). O pensamento-invisível dá lugar ao sentimento-visível através da expressão do meu ser.(171)
Ao não lutar, ao não projetar, a nossa vontade transforma-se(172) e abre espaço para a ternura-silêncio.(173)
É como se cada pausa fosse um canal(174), permitindo que o invisível do pensamento se torne visível no sentimento(175), e que a expressão do meu ser se manifeste sem violência, sem pressão, apenas com presença.(176)
A nossa vontade deixa de ser ação direta sobre o outro(177) e CONVERTE-SE em claridade interna(178), em lapidação de mim mesmo(179), onde a expressão se torna uma ponte suave entre o que sentimos e o que é percebido, sem reduzir o outro(180), sem tentar mudá-lo.(181)
A pausa-silêncio nasce como uma ausência de ação ou de som(182), um recuo momentâneo no fluxo habitual.(183)
É um espaço que, à primeira vista, parece vazio, neutro, quase frio, porque é apenas o instante em que tudo se suspende(184). Mas o que torna a pausa-silêncio tão fértil é o seu potencial.(185)
Nesse espaço não há pressa(186), não há obrigação, só existe a perceção pura do instante.(187)
Quando essa pausa se abre com atenção e cuidado, ela pode tornar-se ternura-silêncio.(188)
A TERNURA transforma a ausência em presença sentida.(189)
O silêncio deixa de ser apenas vazio(190). Ele passa a carregar delicadeza, intimidade, abertura.(191)
É como se a pausa se vestisse de afeto(192), oferecendo não palavras, mas calor e proximidade.(193)
O Movimento é sutil(194). O silêncio deixa de ser barreira ou vazio e se torna PONTE(195). Ele se torna um abraço sem toque(196), um olhar que respira junto(197), uma presença que não precisa se afirmar para existir.(198)
A ternura-silêncio é, portanto, a metamorfose da pausa(199). De ausência neutra a presença gentil(200), onde cada instante é sentido com cuidado e atenção.(201)
Os dois pares: Pausa-silêncio transforma-se em ternura-silêncio(202). Não apaga os conflitos internos(203), mas os transforma em possibilidade de presença plena(204), em oportunidade de tocar o outro sem tocar de forma agressiva(205), apenas oferecendo, apenas existindo lado a lado.(206)
É um encontro que não consome energia em disputa(207), mas a multiplica em compreensão e suavidade.(208)
E nestes micro rituais de aproximação redobramos a nossa energia em AMOR.(209)
Na prática, pode ser vivido como uma espécie de respiração(210). Surge a vontade de falar(211), respiro fundo(212), deixo passar pela consciência(213) e escolho o silêncio(214). Esta pausa é já um gesto criador.(215)
Aqui o calar é Movimento(216) de transformação interior(217). Cada vez que a vontade de falar se ergue, eu a recolho(218), não por medo nem por resignação(219), mas por decisão lúcida(220). Estou a deslocar a minha energia do fora para o dentro.(221)
É aqui que nasce a força, não em conquistar espaço na mente do outro(222), mas em criar dentro de mim mesmo a vastidão suficiente para não precisar desse espaço.(223)
O silêncio não é falta(224), é plenitude discreta.(225)
A ternura desse gesto está em não querer alterar o curso de ninguém(226) além de mim mesmo.(227)
Este é um PROCESSO belo de mudança interior(228), que se faz tão somente em mim.(229)
É um auto-trabalho que se oferece como presença suave(230): "eu cuido de mim para poder estar contigo sem te tentar mudar".(231)
É simplesmente reconhecer que a minha vontade não precisa de ocupar sempre lugar(232), que a minha palavra não precisa sempre de pousar.(233)
É uma conversão da vontade em leveza(234). Deixo que a minha vontade se dissolva(235), como quem solta um pássaro em vez de o manter preso.(236)
O silêncio-ternura, neste sentido, não exige reciprocidade(237) ele existe por si, como um ato de cuidado que não pede retorno.(238)
A construção não está em convencer ou em ser entendido(239), mas em manter o fio vivo da relação(240), mesmo quando a minha visão fica guardada dentro de mim.(241)
Esta compreensão é muito importante(242). E este guardar não é perda(243), é escolha criadora(244), é escolher TERNURA.(245)
Este calar não é submissão(246), é um gesto de abertura(247). Eu vejo que a minha perspetiva não cabe naquele instante(248), e em vez de forçar a entrada, transformo a minha vontade em espaço livre.(249)
Esta pausa-silêncio converte-se em silêncio-ternura porque não procura vencer(250), procura preservar o encontro.(251)
Calamos não porque não tenhamos nada a dizer(252), mas porque reconhecemos que a proximidade vale mais do que a vitória de um argumento.(253)
Uma colega no trabalho bem conflituosa, sempre pronta para argumentar, contra-argumentar, e sempre queria impor o seu ponto de vista com todos, e tudo era uma guerra de palavras.(254)
Fiz a minha leitura da sua personalidade e ali estava alguém com quem poderia crescer interiormente(255). Como lidar com este perfil e amar?(256) Como não repulsar?(257)
Certa vez depois dela argumentar algo comigo, eu aceitei o que ela disse, e ela disse o seguinte:
- "Porque não argumentas comigo? És a primeira pessoa que não reages"(258)
Eu pensei, se eu reagisse não iria ser uma pessoa boa nem ternurenta(259). O meu silêncio fez dobrar a minha vontade dentro de mim e tentar de alguma forma estabelecer uma PONTE.(260)
É muito fácil destruir as pontes(261). É muito fácil deitar tudo a perder num único deslize.(262)
[Escrito na Blue Lagoon, Ilha de Malta](263)
Abraço fraterno
Nuno Miguel R. S. Gomes
(Sociólogo e Filósofo)
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