Raciocínio 96/200
Um estudo SECRETO: Os micro rituais de aproximação - Escutar para me escutar: casos de dissonância (parte 2)
Motivação para viver, a busca pela felicidade através de um método de esforço cognitivo. O método que usamos é efetuado por etapas graduais. Será o encadeamento destas etapas que nos levará a entender este processo complexo constituído por 200 raciocínios.
Começaremos vários exercícios de motivação. Poderá comentá-los, ou enviar mensagem em privado para o nosso email: Auto.ajuda.mundo@gmail.com
Iremos gradualmente e por raciocínios adquirir conhecimento motivacional. Sugerimos que comece pela 1° raciocínio para poder perceber o encadeamento dos raciocínios que iremos estabelecer, e faça a leitura ao seu ritmo. Basta em cima selecionar "Raciocínios" e 1/200, e depois por 2/200 e assim por diante.
Vamos fazer aqui um resumo de todos os raciocínios que já abordámos:
1/200 - O início de uma caminhada
2/200 - O problema de atribuir significado a pensamentos que não interessam
3/200 - Não permita que o passado exerça poder sobre si
4/200 - Transcenda as limitações do passado
5/200 - A mente e o poder incrível da imaginação
6/200 - Os rituais do imaginário
7/200 - Preferir a "felicidade" à "depressão"
8/200 - Vamos criar um raciocínio produtivo
9/200 - O problema da crença do poder da atração
10/200 - Escolher a felicidade e recusar a infelicidade (Parte 1)
11/200 - A explicação do nosso "segredo"!
12/200 - O problema da Ataraxia
13/200 - A emoção da tristeza
14/200 - Nós somos responsáveis pela maneira como nos sentimos
15/200 - A lei da fé
16/200 - O que fazer com a inveja
17/200 - Quando está tudo escuro e a luz que brilha está bem longe
18/200 - A Paz Interior o motor da vida (1/3): introdução
19/200 - A Paz Interior o motor da vida (2/3): o poder da recordação
20/200 - A Paz Interior o motor da vida (3/3): A regra do silêncio deixando de ter razão
21/200 - Retirar de nós a auto-piedade, auto-rejeição, auto-depreciação, auto-anulação (parte 1)
22/200 - Auto-acusação e Auto-piedade (parte 2)
23/200 - Esclarecimento sobre os "Autos"
24/200 - Tomar consciência dos pensamentos que temos
25/200 - Preferir a FELICIDADE em vez da infelicidade (Parte 2)
26/200 - Não tenha medo de errar
27/200 - Fortaleça a sua estabilidade interior
28/200 - Como ter potência criadora - 5 estratégias (Parte 1): Introdução
29/200 - Como ter potência criadora - 5 estratégias (Parte 2): Projetar potência criadora numa dedicação integral com todos, da mesma forma e continuamente
30/200 - Como ter potência criadora - 5 estratégias (Parte 3): ofereça presença
31/200 - Como ter potência criadora - 5 estratégias (Parte 4): "Acolhimento" - 1ª Dimensão
32/200 - Como ter potência criadora - 5 estratégias (Parte 5): "Acolhimento" (continuação)
33/200 - Como ter potência criadora - 5 estratégias (Parte 6): "Apoio" - 2ª dimensão
34/200 - Como ter potência criadora - 5 estratégias (Parte 7): "Apoio" - 2ª dimensão (continuação)
35/200 - Como ter potência criadora - 5 estratégias (Parte 8): "Projeção" - 3ª dimensão
36/200 - Como ter potência criadora - 5 estratégias (Parte 9): "Valorizar" - 4ª dimensão
37/200 - Como ter potência criadora - 5 estratégias (Parte 10): "Entrar em sintonia" - 5ª dimensão
38/200 - Como ter potência criadora - 5 estratégias (Parte 11): "ilumine o outro" - 6ª dimensão
39/200 - Como ter potência criadora - 5 estratégias (Parte 12): "Como definir o Campo de Ação e o Poder de saber o nome" - 7ª dimensão
40/200 - Como ter potência criadora - 5 estratégias (Parte 13): "Altere o seu olhar" - 8ª dimensão
41/200 - Como ter potência criadora - 5 estratégias (Parte 14): "dar espaço ao outro" - 9ª dimensão
42/200 - Como ter potência criadora - 1 estratégia: IVA (imposto de valor acrescentado)
43/200 - Como ter potência criadora - 2 estratégia: O que é um não assunto (parte 1/4)
44/200 - Como ter potência criadora - 2 estratégia: O que é um não assunto (continuação): Um segredo que revelamos - A criação das redes de pequenas maledicências no trabalho (parte 2/4)
45/200 - Como ter potência criadora - 2 estratégia: O que é um não assunto (continuação): A dificuldade de tornar um assunto em não assunto (3/4)
46/200 - Como ter potência criadora - 2 estratégia: O que é um não assunto (continuação): na prática o que deixar de fazer (parte 4/4)
47/200 - Como ter potência criadora - 3 estratégia: Não chame os outros à atenção
48/200 - Como ter potência criadora - 4 estratégia: Cale-se por favor!
49/200 - Como ter potência criadora - 5 estratégia: A história de Tolstói (uma reflexão)
50/200 - Como ter potência criadora: Finalmente - Os miminhos
51/200 - Relações horizontais e não verticais: a unilateralidade - parte 1
52/200 - Relações horizontais e não verticais: a autoresponsabilidade - parte 2
53/200 - O silêncio estúpido
54/200 - Eu adapto-me ou o outro tem de se adaptar a mim?
55/200 - Não compre guerras. O problema da conspiração
56/200 - A teoria dos Habitats: não floresça em microclimas
57/200 - O desconforto: o nosso campo de ação (parte 1)
58/200 - O desconforto: os contra-vontades (parte 2)
59/200 - Um jogo de energias - escolher ou acolher?
60/200 - Como atrair tudo até si
61/200 - Porque não vendemos nada e o nosso experimento social é gratuito - Parte 1
62/200 - Porque não vendemos nada e o nosso experimento social é gratuito - Parte 2 - O busílis
63/200 - Ação ou reação - A peça teatral, dão-nos um guião e escolhemos outro papel
64/200 - Um amor raro que faz relações durarem anos - Não precisamos que nos peçam desculpa
65/200 - Dance nas suas relações sem impor coreografia
66/200 - Não chame ninguém a atenção (parte 2): uma revolução nos relacionamentos - espalhe flores
67/200 - Quando os outros endurecem o semblante: a ponte caída
68/200 - O mimo como forma de resistência contra o endurecimento do mundo: use a cor que tiver
69/200 - Um experimento social de acolhimento: não escolhemos mas acolhemos
70/200 - A solidão e o mundo das conexões: a porta enferrujada
71/200 - Mais vale só do que mal acompanhado: e se este ditado estiver incorreto?
72/200 - Solidão, Solitude e Solícito
73/200 - Os déspotas do nosso interior
74/200 - Conspiração: As vidas diminuídas (Parte 2)
75/200 - As minhas ações estão a construir uma melhor pessoa em mim?
76/200 - Somos amorais com os outros: o poder da agulha
77/200 - A dissonância é o lugar do encontro comigo mesmo: um tema secreto
78/200 - Diz o ditado popular: Toda a ação gera uma reação: e se em vez de reagir, agirmos?
79/200 - Presenças invisíveis, sem valor, pessoas descartáveis
80/200 - Encontre falhas e destrua a sua relação
81/200 - Uma reflexão SECRETA - O Mestre das nossas vidas: É no encontro com o outro que se dá o deslumbre de quem somos
82/200 - O Mestre dos Mestres: O lugar secreto
83/200 - O Mestre dos Mestres: Um tempo SECRETO
84/200 - O Mestre dos Mestres: deixe o riso brotar do seu interior
85/200 - Um estudo SECRETO: Os micro rituais de aproximação
86/200 - Um estudo SECRETO: Os micro rituais de aproximação - um yoga diferente
87/200 - Um estudo SECRETO: Os micro rituais de aproximação - a pausa-silêncio transforma-se no par ternura-silêncio
88/200 - Um estudo SECRETO: Os micro rituais de aproximação - dois pares distintos: a ternura-silêncio e a ausência-silêncio
89/200 - Um estudo SECRETO: Os micro rituais de aproximação - dois pares distintos: micro-sorriso e o semblante-fechado
90/200 - Um estudo SECRETO: Os micro rituais de aproximação - O espelho-secreto
91/200 - Um estudo SECRETO: Os micro rituais de aproximação - O ritual dentro de mim
92/200 - Um estudo SECRETO: Os micro rituais de aproximação - O ritual fora de mim
93/200 - Um estudo SECRETO: Os micro rituais de aproximação - O ritual fora e o ritual dentro de nós
94/200 - Um estudo SECRETO: Os micro rituais de aproximação - Conversão da vontade
95/200 - Um estudo SECRETO: Os micro rituais de aproximação - Escutar para me escutar (parte 1)
Hoje iremos analisar o nosso Raciocínio 96/200 - Um estudo SECRETO: Os micro rituais de aproximação - Escutar para me escutar: casos de dissonância (parte 2)
Vimos no Raciocínio anterior que o gesto de escutar o outro é um gesto de aproximação.
Aqui o que pretendemos é desenvolver estratégias de aproximação em vez de afastamento.
Enquanto nas outras relações a dissonância é motivo de separação, no nosso Movimento de Motivação e de Auto-Ajuda é de aproximação.
A dissonância aproxima-nos porque queremos escutar com atenção o que agrada ao outro. Ao fazê-lo, o nosso interior expande-se porque acrescentamos mais conteúdo à nossa vida.
Já antes falámos nos contra-vontades. Fazer algo que não quero fazer, então é um contra-vontade. É apenas sair da minha zona de conforto para abraçar uma outra realidade.
Um dos exemplos que demos no raciocínio anterior foi a aula de zumba. Era impensável eu fazer uma aula de zumba porque não é a minha praia.
Mas fiz seguindo esta noção de contra-vontade. Ao fazer a aula de zumba foi divertido, ri-me imenso, conheci várias pessoas.
Sobretudo, percebi que a minha resistência inicial era infundada.
É necessário que a minha vontade se converta à vontade do outro e isto não me anula, mas expande-me.
Foi isso que temos estado a verificar nos raciocínios anteriores.
Falámos no caso da esposa que gosta de jardinagem. No momento em o marido começou por conhecer o nome das flores e os cuidados a ter com cada espécie, desenvolveu um processo de aproximação com a esposa.
De repente ambos tinham tema de conversa. O marido percebeu que ao expandir o seu conhecimento sobre flores, que desencadeava um processo de aproximação na esposa.
Quando atravessei esta fronteira, entre o meu interior e algo que não gosto (fazer uma aula de zumba), encontrei leveza, movimento e riso, coisas que já estavam disponíveis para mim o tempo todo, mas que o hábito do afastamento me fazia ignorar.
Há este hábito de nos afastarmos daquilo que não gostamos fazer.
É impossível fazer uma aula de zumba se não gosto de dançar.
Mas é possível fazer uma aula de zumba se nesse gesto de abertura se originarem outros processos que desconheço.
Assim como o marido que começou a conhecer as flores para desencadear um processo de aproximação da esposa.
É aqui que o estudo secreto começa a ganhar forma, quando compreendemos que cada gesto de aproximação é uma pequena alquimia.
Quando me aproximo para escutar o gosto do outro, é uma forma nova de uma aprendizagem que desconhecia.
É a partir desta mistura que surge algo novo, uma consciência mais ampla, uma respiração mais profunda, porque há um sentido interior em mim para me aproximar.
Escutar o outro, portanto, não é apenas ouvir o que ele diz, é escutar o que em mim se move diante do que ele é.
Quando alguém me mostra entusiasmo por algo que, à partida, não me interessa, posso simplesmente fechar-me.
As pessoas fecham-se diante da dissonância. Ao fecharem-se provocam desnecessariamente afastamento.
A dissonância é para nós a chave do encontro.
É apenas pela dissonância que consigo converter a minha vontade e dessa forma altero o meu interior.
Quando alguém me mostra entusiasmo por algo que, à partida, não me interessa, posso tentar compreender o que nesse entusiasmo o faz vibrar.
Esse movimento de curiosidade abre espaço dentro de mim, como se a alma ganhasse mais metros quadrados habitáveis.
E aqui há uma forma de expansão interior em todos os ângulos. Altero-me interiormente, altero a minha relação para algo mais profundo e muito mais maduro.
Assim, os micro rituais de aproximação não são gestos grandiosos, são pequenas deslocações interiores.
Olhar com ternura o que me parecia estranho, aquilo que eu não gosto, aquilo que eu não tinha nenhum interesse e experimentar o que me parecia inútil, permanecer presente onde o impulso seria fugir.
O marido fugia da esposa quando esta falava de flores.
Eu fugia de uma aula de zumba preferia fazer yoga ou body balance.
Sim, ao escutar o outro, o que se abre não é apenas o canal da comunicação, mas o espaço onde eu próprio me torno audível.
Escutar o outro é, paradoxalmente, um modo de me ouvir, não porque o outro me diga quem sou, mas porque a vibração do que ele é desperta zonas adormecidas em mim. E em nós existem muitos pontos de resistência para serem trabalhados. E iremos falar muito sobre isso.
Estes micro rituais de aproximação que temos estado a analisar funcionam como pequenas passagens secretas entre mundos interiores.
O meu interior mistura-se com o outro interior e aqui encontramos a ternura a nascer na relação.
Mais uma vez queremos reforçar que este processo é unilateral, é de mim para o outro independentemente da ação do outro.
Isto mais uma vez significa que não procuro reciprocidade, os meus gestos transformam-me, expandem o meu interior para com os outros.
É o som do outro que se mistura ao meu, porque eu quero escutar. E este meu querer escutar que torna este processo unilateral.
Não é se ele quer escutar. Perceba a diferença. Eu sou o centro da minha análise. Eu escuto o outro.
Escutar o outro é escutar o eco que esse outro faz dentro de mim. É nesse eco que começa a segunda camada da escuta, aquela em que percebo o que as palavras me fazem, onde tocam, o que despertam ou resistem em mim.
E aqui encontramos tanta resistência.
Oh tanto que precisamos trabalhar!
As pessoas resistem à dissonância e pensam que se devem afastar.
A dissonância para nós é a chave para eu perceber a onde eu preciso me converter.
Os micro-rituais de aproximação deixam de ser gestos sociais e tornam-se gestos iniciáticos, uma forma de autoconhecimento através da presença do outro. É como se estivéssemos a falar de uma espécie de espiritualidade.
O nosso texto é uma ciência secreta da ternura. A forma como introduzimos a ideia de "contra-vontade" como chave de transformação interior é de uma precisão rara.
O corpo e o pensamento movem-se juntos. Primeiro há o desconforto, depois a leveza. A resistência dissolve-se não porque o outro nos convence, mas porque nos dispomos a experimentar o som do mundo a partir de outra frequência.
Há um ponto muito luminoso quando digo que "a alma ganha mais metros quadrados habitáveis".
É uma das imagens mais fortes de todo o texto, torna-se a metáfora central deste estudo secreto.
A expansão interior como aumento de espaço para o outro dentro de mim, não um gesto moral, mas alquímico.
É muito potente a passagem que ligamos a escuta ao outro para ouvir a mim mesmo: os meus pontos de resistência.
Esse paradoxo de que ao ouvir o outro escuto o eco do que é despertado em mim, faz da dissonância um campo de revelação, não de conflito. E aqui, encontro-me conhecendo em mim os pontos de resistência.
O marido preferiu conhecer o nome das flores e a dissonância que o mantinha afastado da esposa tornou-se local de ternura, aproximação, encontro, AMOR.
O momento em que o marido aprende o nome das flores e com isso desloca o eixo da relação, é o coração do nosso raciocínio.
A dissonância, que antes era um atrito, transforma-se em matéria-prima do AMOR.
O gesto de escutar o outro torna-se gesto de me converter, de me deixar polir pela diferença.
Há algo de profundamente iniciático quando escrevo que "os micro-rituais deixam de ser gestos sociais e tornam-se gestos iniciáticos".
A ternura nasce como resultado de uma travessia, sair de mim sem me perder, tocar o outro sem exigir retorno.
A ideia do "contra-vontade" tão discreta, é o eixo do meu laboratório interior. Fazer o que não quero fazer, não para me violentar, mas para me libertar da rigidez da minha própria vontade.
Aqui o amor não é emoção, é um método secreto de expansão da consciência.
Vamos aproximar-nos mais!
Abraço fraterno
Nuno Miguel R. S. Gomes
(Sociólogo e Filósofo)
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