
Raciocínio 98/200
Um estudo SECRETO: Os micro rituais de aproximação - Escutar para me escutar: a dissonância como resistência do meu interior: o portal
Motivação para viver, a busca pela felicidade através de um método de esforço cognitivo. O método que usamos é efetuado por etapas graduais. Será o encadeamento destas etapas que nos levará a entender este processo complexo constituído por 200 raciocínios.
Começaremos vários exercícios de motivação. Poderá comentá-los, ou enviar mensagem em privado para o nosso email: Auto.ajuda.mundo@gmail.com
Iremos gradualmente e por raciocínios adquirir conhecimento motivacional. Sugerimos que comece pela 1° raciocínio para poder perceber o encadeamento dos raciocínios que iremos estabelecer, e faça a leitura ao seu ritmo. Basta em cima selecionar "Raciocínios" e 1/200, e depois por 2/200 e assim por diante.
Vamos fazer aqui um resumo de todos os raciocínios que já abordámos:
1/200 - O início de uma caminhada
2/200 - O problema de atribuir significado a pensamentos que não interessam
3/200 - Não permita que o passado exerça poder sobre si
4/200 - Transcenda as limitações do passado
5/200 - A mente e o poder incrível da imaginação
6/200 - Os rituais do imaginário
7/200 - Preferir a "felicidade" à "depressão"
8/200 - Vamos criar um raciocínio produtivo
9/200 - O problema da crença do poder da atração
10/200 - Escolher a felicidade e recusar a infelicidade (Parte 1)
11/200 - A explicação do nosso "segredo"!
12/200 - O problema da Ataraxia
13/200 - A emoção da tristeza
14/200 - Nós somos responsáveis pela maneira como nos sentimos
15/200 - A lei da fé
16/200 - O que fazer com a inveja
17/200 - Quando está tudo escuro e a luz que brilha está bem longe
18/200 - A Paz Interior o motor da vida (1/3): introdução
19/200 - A Paz Interior o motor da vida (2/3): o poder da recordação
20/200 - A Paz Interior o motor da vida (3/3): A regra do silêncio deixando de ter razão
21/200 - Retirar de nós a auto-piedade, auto-rejeição, auto-depreciação, auto-anulação (parte 1)
22/200 - Auto-acusação e Auto-piedade (parte 2)
23/200 - Esclarecimento sobre os "Autos"
24/200 - Tomar consciência dos pensamentos que temos
25/200 - Preferir a FELICIDADE em vez da infelicidade (Parte 2)
26/200 - Não tenha medo de errar
27/200 - Fortaleça a sua estabilidade interior
28/200 - Como ter potência criadora - 5 estratégias (Parte 1): Introdução
29/200 - Como ter potência criadora - 5 estratégias (Parte 2): Projetar potência criadora numa dedicação integral com todos, da mesma forma e continuamente
30/200 - Como ter potência criadora - 5 estratégias (Parte 3): ofereça presença
31/200 - Como ter potência criadora - 5 estratégias (Parte 4): "Acolhimento" - 1ª Dimensão
32/200 - Como ter potência criadora - 5 estratégias (Parte 5): "Acolhimento" (continuação)
33/200 - Como ter potência criadora - 5 estratégias (Parte 6): "Apoio" - 2ª dimensão
34/200 - Como ter potência criadora - 5 estratégias (Parte 7): "Apoio" - 2ª dimensão (continuação)
35/200 - Como ter potência criadora - 5 estratégias (Parte 8): "Projeção" - 3ª dimensão
36/200 - Como ter potência criadora - 5 estratégias (Parte 9): "Valorizar" - 4ª dimensão
37/200 - Como ter potência criadora - 5 estratégias (Parte 10): "Entrar em sintonia" - 5ª dimensão
38/200 - Como ter potência criadora - 5 estratégias (Parte 11): "ilumine o outro" - 6ª dimensão
39/200 - Como ter potência criadora - 5 estratégias (Parte 12): "Como definir o Campo de Ação e o Poder de saber o nome" - 7ª dimensão
40/200 - Como ter potência criadora - 5 estratégias (Parte 13): "Altere o seu olhar" - 8ª dimensão
41/200 - Como ter potência criadora - 5 estratégias (Parte 14): "dar espaço ao outro" - 9ª dimensão
42/200 - Como ter potência criadora - 1 estratégia: IVA (imposto de valor acrescentado)
43/200 - Como ter potência criadora - 2 estratégia: O que é um não assunto (parte 1/4)
44/200 - Como ter potência criadora - 2 estratégia: O que é um não assunto (continuação): Um segredo que revelamos - A criação das redes de pequenas maledicências no trabalho (parte 2/4)
45/200 - Como ter potência criadora - 2 estratégia: O que é um não assunto (continuação): A dificuldade de tornar um assunto em não assunto (3/4)
46/200 - Como ter potência criadora - 2 estratégia: O que é um não assunto (continuação): na prática o que deixar de fazer (parte 4/4)
47/200 - Como ter potência criadora - 3 estratégia: Não chame os outros à atenção
48/200 - Como ter potência criadora - 4 estratégia: Cale-se por favor!
49/200 - Como ter potência criadora - 5 estratégia: A história de Tolstói (uma reflexão)
50/200 - Como ter potência criadora: Finalmente - Os miminhos
51/200 - Relações horizontais e não verticais: a unilateralidade - parte 1
52/200 - Relações horizontais e não verticais: a autoresponsabilidade - parte 2
53/200 - O silêncio estúpido
54/200 - Eu adapto-me ou o outro tem de se adaptar a mim?
55/200 - Não compre guerras. O problema da conspiração
56/200 - A teoria dos Habitats: não floresça em microclimas
57/200 - O desconforto: o nosso campo de ação (parte 1)
58/200 - O desconforto: os contra-vontades (parte 2)
59/200 - Um jogo de energias - escolher ou acolher?
60/200 - Como atrair tudo até si
61/200 - Porque não vendemos nada e o nosso experimento social é gratuito - Parte 1
62/200 - Porque não vendemos nada e o nosso experimento social é gratuito - Parte 2 - O busílis
63/200 - Ação ou reação - A peça teatral, dão-nos um guião e escolhemos outro papel
64/200 - Um amor raro que faz relações durarem anos - Não precisamos que nos peçam desculpa
65/200 - Dance nas suas relações sem impor coreografia
66/200 - Não chame ninguém a atenção (parte 2): uma revolução nos relacionamentos - espalhe flores
67/200 - Quando os outros endurecem o semblante: a ponte caída
68/200 - O mimo como forma de resistência contra o endurecimento do mundo: use a cor que tiver
69/200 - Um experimento social de acolhimento: não escolhemos mas acolhemos
70/200 - A solidão e o mundo das conexões: a porta enferrujada
71/200 - Mais vale só do que mal acompanhado: e se este ditado estiver incorreto?
72/200 - Solidão, Solitude e Solícito
73/200 - Os déspotas do nosso interior
74/200 - Conspiração: As vidas diminuídas (Parte 2)
75/200 - As minhas ações estão a construir uma melhor pessoa em mim?
76/200 - Somos amorais com os outros: o poder da agulha
77/200 - A dissonância é o lugar do encontro comigo mesmo: um tema secreto
78/200 - Diz o ditado popular: Toda a ação gera uma reação: e se em vez de reagir, agirmos?
79/200 - Presenças invisíveis, sem valor, pessoas descartáveis
80/200 - Encontre falhas e destrua a sua relação
81/200 - Uma reflexão SECRETA - O Mestre das nossas vidas: É no encontro com o outro que se dá o deslumbre de quem somos
82/200 - O Mestre dos Mestres: O lugar secreto
83/200 - O Mestre dos Mestres: Um tempo SECRETO
84/200 - O Mestre dos Mestres: deixe o riso brotar do seu interior
85/200 - Um estudo SECRETO: Os micro rituais de aproximação
86/200 - Um estudo SECRETO: Os micro rituais de aproximação - um yoga diferente
87/200 - Um estudo SECRETO: Os micro rituais de aproximação - a pausa-silêncio transforma-se no par ternura-silêncio
88/200 - Um estudo SECRETO: Os micro rituais de aproximação - dois pares distintos: a ternura-silêncio e a ausência-silêncio
89/200 - Um estudo SECRETO: Os micro rituais de aproximação - dois pares distintos: micro-sorriso e o semblante-fechado
90/200 - Um estudo SECRETO: Os micro rituais de aproximação - O espelho-secreto
91/200 - Um estudo SECRETO: Os micro rituais de aproximação - O ritual dentro de mim
92/200 - Um estudo SECRETO: Os micro rituais de aproximação - O ritual fora de mim
93/200 - Um estudo SECRETO: Os micro rituais de aproximação - O ritual fora e o ritual dentro de nós
94/200 - Um estudo SECRETO: Os micro rituais de aproximação - Conversão da vontade
95/200 - Um estudo SECRETO: Os micro rituais de aproximação - Escutar para me escutar (parte 1)
96/200 - Um estudo SECRETO: Os micro rituais de aproximação - Escutar para me escutar: casos de dissonância (parte 2)
97/200 - Um estudo SECRETO: Os micro rituais de aproximação - Escutar para me escutar: a dissonância como alerta do que se passa dentro de mim
Hoje iremos analisar o nosso Raciocínio 98/200 - Um estudo SECRETO: Os micro rituais de aproximação - Escutar para me escutar: a dissonância como resistência do meu interior: o portal
Quando digo que preciso escutar o OUTRO para me escutar(1), a imagem em si é muito forte(2). Coloco o OUTRO como meio para me escutar.(3)
E aqui introduzo a noção de dissonância(4), aquele momento que algo provoca afastamento(5). Uma perspetiva diferente(6), um pensar diferente(7), um não entender o que eu digo(8), ou eu mesmo não sou compreendido pelo outro.(9)
Quando o OUTRO não me entende(10), quando há desencontro entre o que digo e o que é recebido(11), algo se rompe na continuidade da comunicação(12), e é precisamente neste rasgo(13) que me posso escutar(14) de outro modo.(15)
Não vou corrigir o outro(16) [havemos de falar muito sobre isto - nunca corrigir].(17)
O afastamento que a dissonância provoca(18), para nós é abertura(19), para trabalharmos o nosso interior.(20)
Fora do Movimento de Motivação e de Auto-Ajuda a dissonância é resistência(21), é afastamento(22), é fricção(23), é o que separa as relações.(24)
No nosso Movimento, a dissonância é o oposto deste conceito(25). É o meio pelo qual eu vou aproximar-me mais.(26)
A dissonância, então, deixa de ser resistência(27) e passa a ser presença do OUTRO dentro do meu interior(28), o ponto em que me torno habitado.(29)
É como se o silêncio entre duas vozes(30) fosse o lugar exato onde algo em mim começa a ouvir-se pela primeira vez.(30)
A dissonância não é ruído nem erro(31), é o ponto onde algo dentro de mim ainda não se deixa domesticar(32), como se cada som que não encaixa fosse uma espécie de defesa(33), um lembrete de que ainda há vida(34), ainda há algo que não foi absorvido pelo costume.(35)
A resistência interior é o que impede a minha escuta de ouvir o OUTRO.(36)
Há uma escuta que busca harmonia(37), e há outra que aceita o conflito como forma de escuta interior(38) e aqui entramos dentro do SEGREDO.(39)
Esta segunda escuta(40) vira o ouvido para dentro(41), para escutar o atrito.(42)
O som do que ainda não se entende(43), o que ainda não encontrou forma.(44)
Então a paz não vem da ausência de conflito(45), mas do gesto de o ouvir com o nosso interior.(46)
A paz vem porque o interior deixa de ser um território de resistência(47) e passa a ser um lugar de acolhimento.(48)
A segunda escuta é o momento em que passo a ouvir o meu interior:(49)
- o que vou fazer?(50)
- como vou responder?(51)
- vou ficar calado, e deixo passar?(52)
- o que isto me perturba?(53)
O SEGREDO nasce não do silêncio calmo(54), mas desse murmúrio interior(55) onde o conflito ainda pulsa(56). Onde questionamos.(57)
Porque é ali que o Mestre dos Mestres fala(58) não em frases claras(59), mas em vibrações que nos obrigam a ficar(60). E aqui meditamos no nosso interior(61) na procura da felicidade:(62)
- o que posso fazer?(63)
- como devo agir?(64)
Essa escuta não é harmónica no início(65); é como estar num campo cheio de ruídos(66) e deixar que, aos poucos, um padrão se revele(67), pela minha vontade em querer compreender-me(68), pela minha entrega.(69)
O meu texto encontra uma respiração própria(70), uma cadência entre o que se ouve fora e o que se escuta dentro.(71)
A forma como faço o deslocamento da dissonância(72), de resistência para presença(73) é de uma lucidez rara(74), um ritual de aproximação.(75)
Há uma linha que corre por baixo de tudo: o "escutar para me escutar"(76) como gesto de aproximação(77), mesmo quando a relação parece romper-se.(78)
O rasgo vira portal(79). A dissonância é o nosso portal(80) onde nos encontramos connosco mesmos(81) e onde vamos estabelecer o encontro com o OUTRO.(82)
O modo como introduzo o "SEGREDO"(83), não como mistério esotérico(84), mas como vibração interior(85) onde o Mestre fala(86), dá ao meu texto uma dimensão meditativa muito pura.(87)
Quem é Mestre?(88)
O OUTRO.(89)
Quem é o Mestre dos Mestres?(90)
O meu interior, onde tudo é produzido.(91)
- o que acontece depois de ouvir o atrito?(92)
- o que nasce no corpo quando se deixa passar uma situação dissonante, sem corrigir?(93)
Repare que começamos fora(94), no gesto de escutar o OUTRO(95), atravessamos o rasgo da dissonância(96), e regressamos para dentro(97), onde o Mestre dos Mestres fala.(98)
Depois de ouvirmos o atrito(99), o corpo primeiro resiste(100). Tensiona-se(101). O hábito quer fechar.(102)
Mas se ficamos(103), se não fugimos(104) nem corrigimos(105), algo muda(106), o corpo começa a abrir por dentro(107), como se a vibração do desconforto se tornasse calor.(108)
- o outro grita(109)
- eu calo-me(110)
Quando se deixa passar uma situação dissonante(111), sem corrigir(112), nasce um silêncio habitado(113). O corpo escuta-se como se fosse ouvido de fora(114). E nesse instante(115), o OUTRO deixa de estar separado(116), já está dentro.(117)
A dissonância transforma-se em matéria de comunhão.(118)
Este é o verdadeiro micro ritual de aproximação(119). Permanecer no ponto onde o som ainda fere(120), até que ele se torne música interior.(121)
Estamos perante o fora e o dentro(122). O modo como a dissonância é transformada em presença(123), e não em obstáculo(124), cria uma inversão de valor que é alquímica.(125)
O que antes afastava(126) torna-se o próprio meio da aproximação.(127)
O conflito não se dissolve(128), amadurece(129). E o Mestre dos Mestres surge aqui não como uma figura de sabedoria(130), mas como o lugar sensível(131) onde o desconforto encontra voz(132), onde o corpo aprende a permanecer sem fugir.(133)
Este "silêncio habitado"(134) de que falo é o ponto mais delicado porque não é ausência de som(135), é escuta expandida.(136)
É o corpo inteiro em vibração(137), reconhecendo que o OUTRO já está dentro.(138)
A dissonância, então, não é só um portal(139), é o próprio limiar da transformação.(140)
O verdadeiro micro ritual de aproximação é o permanecer no ponto onde o som nos fere(141), e onde interiormente temos de o transformar em música interior.(142)
Quando me deparo com a dissonância(143), com aquilo que me poderia separar(144), quando estou diante da fricção na relação(145), tenho aqui uma oportunidade para me escutar interiormente(146) e de perceber o que me está a afetar.(147)
Lembre-se que já falámos anteriormente que não é o OUTRO que me afeta(148), sou eu que me afeto(149). E aqui começa todo o nosso trabalho interior.(150)
O que precisamos aqui é de alargar(151) até dissolver as fronteiras entre dentro e fora.(152)
A dissonância deixa de ser conceito(153) e torna-se um gesto(154), Movimento(155), matéria viva de aproximação.(156)
Há um fio subterrâneo que conduz tudo aqui:(157)
- A passagem do "ouvir o OUTRO"(158)
- para o "ouvir o atrito"(159)
- e, depois, para o "ouvir o meu próprio corpo".(160)
A escuta cresce como uma espiral(161), começa no mundo(162), atravessa o rasgo(163), e regressa à intimidade(164) onde o Mestre dos Mestres fala.(165)
O nosso interior começa por interrogar:(166)
- o que vou fazer?(167)
- como vou agir?(168)
- como poderei me aproximar mais?(169)
Retiro a dissonância no outro(170), e coloco a dissonância apenas em mim(171). Faço-o de forma introspetiva(172). Quero compreender porque estou afetado?(173)
A alquimia que proponho é de transformar o som que dói(174) em música interior(175). E aqui neste gesto encontramos o coração do ritual.(176)
E é nesse ponto que o corpo, finalmente, se torna escuta(177). Já não há distinção entre ouvir e ser ouvido.(178)
O OUTRO entra, habita, ressoa(179). O Mestre não está mais diante de nós(180). O mestre é o OUTRO que provoca o som que ressoa em mim(181). É o som que me atravessa(182). É o meu próprio corpo em atenção viva.(183)
Então o atrito ganha som dentro de mim(184) e preciso convertê-lo(185) em TERNURA pelo OUTRO(186) e então poderei "ouvir o atrito"(187) e passa a ser o som para me escutar a mim mesmo.(188)
Quais as resistências que encontro em mim, sempre que me encontro numa situação de atrito, de fricção, de afastamento, de dissonância?(189)
O nosso texto chega a um ponto de maturidade impressionante.(190)
A dissonância não é apenas uma ideia que ilumina o Movimento(191), é o próprio corpo do Movimento.(192)
O texto pulsa com esta vibração entre dentro e fora(193), onde cada frase está num estado de escuta.(194)
A forma como levo o pensamento até ao gesto é de uma precisão viva(195). Não se trata de compreender o que é a dissonância(196), mas de habitá-la(197), deixá-la ressoar(198) até que o meu corpo se torne o lugar onde o atrito é traduzido em TERNURA pelo OUTRO.(199)
Esta conversão é o núcleo alquímico que tenho vindo a desenhar(200). Uma transformação feita pela minha vontade(201), através de uma metamorfose subtil pela permanência.(202)
A resistência começa a dissolver-se(203) e o corpo aprende a converter o atrito em TERNURA.(204)
Tenho vindo a fazer esta abordagem com imensas imagens(205) para criar dentro de si a importância que damos à dissonância(206) como sendo o portal de passagem para o nosso interior.(207)
Neste caso temos:(208)
- a dissonância entre mim e o outro(209)
- algo nos afasta, esse é o poder da dissonância(210)
- mas para nós a dissonância é a chave para me compreender(211) e ver onde ainda resisto(212)
- a dissonância passa a ser o portal(213) para eu entrar no meu interior(214) e me observar(215) e questionar(216)
Aqui chegamos ao coração do nosso próprio método de aproximação(218). Já não é um texto sobre o tema(219), é a própria experiência do tema a ganhar forma.(220)
Quando digo que a resistência começa a dissolver-se(221) e o corpo aprende a converter o atrito em TERNURA(222), defino assim o instante exato da transmutação.(223)
É o ponto em que o corpo deixa de reagir(224) e começa a responder(225). Em que o impulso de defesa(226) se converte em GESTO de ABERTURA.(227)
O que antes era afastamento(228) torna-se campo de trabalho interior.(229)
O foco não é o OUTRO(230), sou eu mesmo:(231)
- como são os meus gestos de abertura?(232)
- como converto momentos de reação em ação consciente?(233)
É um calar para saber agir de forma correta(234) e tudo isto efetua-se no meu tempo(235) e não no tempo do OUTRO.(236)
Por vezes somos confrontados com imposições de respostas dos OUTROS(237), por exemplo quando gritam connosco(238) e querem reações da nossa parte.(239)
Já falei sobre isso:(240)
Raciocínio 63/200 - Ação ou reação - a peça teatral, dão-nos um guião e escolhemos um outro papel
A dissonância, em vez de romper(241), organiza o caminho que podemos tomar(242). Em vez de gritarmos como resposta(243), vamos por outra via.(244)
Estamos perante uma liturgia de aproximação:(245)
- O encontro com o outro — o som que não coincide(246), o desencontro inicial.(247)
- O afastamento — o espaço que se abre, onde o costume falha(248) e o eu se sente separado.(249)
- O reconhecimento da dissonância como a chave(250) — o instante de lucidez(251) em que percebo que o desconforto aponta para algo em mim.(252)
- A travessia para dentro(253) — o portal que se abre quando deixo de corrigir o outro(254) e começo a escutar o que em mim resiste.(255)
Este ciclo é o micro ritual em estado puro(256):
Aproximação → Afastamento → Permanência → Abertura.(257)
Estamos perante o ritual da travessia da dissonância.(258)
O Mestre (o OUTRO)(259) aparece sempre como quem toca o som que revela o que em mim ainda não aprendeu a ouvir.(260)
Eu quero entrar pelo portal do meu interior.(261)
Abraço fraterno
Nuno Miguel R. S. Gomes
(Sociólogo e Filósofo)
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