Raciocínio 113/200
Aprendendo a descer: Todos os dias, são para descer (Parte 2)

Motivação para viver, a busca pela felicidade através de um método de esforço cognitivo. O método que usamos é efetuado por etapas graduais. Será o encadeamento destas etapas que nos levará a entender este processo complexo constituído por 200 raciocínios.

Começaremos vários exercícios de motivação. Poderá comentá-los, ou enviar mensagem em privado para o nosso email: Auto.ajuda.mundo@gmail.com

Iremos gradualmente e por raciocínios adquirir conhecimento motivacional. Sugerimos que comece pela 1° raciocínio para poder perceber o encadeamento dos raciocínios que iremos estabelecer, e faça a leitura ao seu ritmo. Basta em cima selecionar "Raciocínios" e 1/200, e depois por 2/200 e assim por diante.
Vamos fazer aqui um resumo de todos os raciocínios que já abordámos:
1/200 - O início de uma caminhada
2/200 - O problema de atribuir significado a pensamentos que não interessam
3/200 - Não permita que o passado exerça poder sobre si
4/200 - Transcenda as limitações do passado
5/200 - A mente e o poder incrível da imaginação
6/200 - Os rituais do imaginário
7/200 - Preferir a "felicidade" à "depressão"
8/200 - Vamos criar um raciocínio produtivo
9/200 - O problema da crença do poder da atração
10/200 - Escolher a felicidade e recusar a infelicidade (Parte 1)
11/200 - A explicação do nosso "segredo"!
12/200 - O problema da Ataraxia
13/200 - A emoção da tristeza
14/200 - Nós somos responsáveis pela maneira como nos sentimos
15/200 - A lei da fé
16/200 - O que fazer com a inveja
17/200 - Quando está tudo escuro e a luz que brilha está bem longe
18/200 - A Paz Interior o motor da vida (1/3): introdução
19/200 - A Paz Interior o motor da vida (2/3): o poder da recordação
20/200 - A Paz Interior o motor da vida (3/3): A regra do silêncio deixando de ter razão
21/200 - Retirar de nós a auto-piedade, auto-rejeição, auto-depreciação, auto-anulação (parte 1)
22/200 - Auto-acusação e Auto-piedade (parte 2)
23/200 - Esclarecimento sobre os "Autos"
24/200 - Tomar consciência dos pensamentos que temos
25/200 - Preferir a FELICIDADE em vez da infelicidade (Parte 2)
26/200 - Não tenha medo de errar
27/200 - Fortaleça a sua estabilidade interior
28/200 - Como ter potência criadora - 5 estratégias (Parte 1): Introdução
29/200 - Como ter potência criadora - 5 estratégias (Parte 2):
Projetar potência criadora numa dedicação integral com todos, da mesma forma e continuamente
30/200 - Como ter potência criadora - 5 estratégias (Parte 3): ofereça presença
31/200 - Como ter potência criadora - 5 estratégias (Parte 4): "Acolhimento" - 1ª Dimensão
32/200 - Como ter potência criadora - 5 estratégias (Parte 5): "Acolhimento" (continuação)
33/200 - Como ter potência criadora - 5 estratégias (Parte 6): "Apoio" - 2ª dimensão
34/200 - Como ter potência criadora - 5 estratégias (Parte 7): "Apoio" - 2ª dimensão (continuação)
35/200 - Como ter potência criadora - 5 estratégias (Parte 8): "Projeção" - 3ª dimensão
36/200 - Como ter potência criadora - 5 estratégias (Parte 9): "Valorizar" - 4ª dimensão
37/200 - Como ter potência criadora - 5 estratégias (Parte 10): "Entrar em sintonia" - 5ª dimensão
38/200 - Como ter potência criadora - 5 estratégias (Parte 11): "ilumine o outro" - 6ª dimensão
39/200 - Como ter potência criadora - 5 estratégias (Parte 12): "Como definir o Campo de Ação e o Poder de saber o nome" - 7ª dimensão
40/200 - Como ter potência criadora - 5 estratégias (Parte 13): "Altere o seu olhar" - 8ª dimensão

41/200 - Como ter potência criadora - 5 estratégias (Parte 14): "dar espaço ao outro" - 9ª dimensão
42/200 - Como ter potência criadora - 1 estratégia: IVA (imposto de valor acrescentado)
43/200 - Como ter potência criadora - 2 estratégia: O que é um não assunto (parte 1/4)
44/200 - Como ter potência criadora - 2 estratégia: O que é um não assunto (continuação): Um segredo que revelamos - A criação das redes de pequenas maledicências no trabalho (parte 2/4)
45/200 - Como ter potência criadora - 2 estratégia: O que é um não assunto (continuação): A dificuldade de tornar um assunto em não assunto (3/4)
46/200 - Como ter potência criadora - 2 estratégia: O que é um não assunto (continuação): na prática o que deixar de fazer (parte 4/4)
47/200 - Como ter potência criadora - 3 estratégia: Não chame os outros à atenção
48/200 - Como ter potência criadora - 4 estratégia: Cale-se por favor!
49/200 - Como ter potência criadora - 5 estratégia: A história de Tolstói (uma reflexão)
50/200 - Como ter potência criadora: Finalmente - Os miminhos
51/200 - Relações horizontais e não verticais: a unilateralidade - parte 1
52/200 - Relações horizontais e não verticais: a autoresponsabilidade - parte 2
53/200 - O silêncio estúpido
54/200 - Eu adapto-me ou o outro tem de se adaptar a mim?
55/200 - Não compre guerras. O problema da conspiração
56/200 - A teoria dos Habitats: não floresça em microclimas
57/200 - O desconforto: o nosso campo de ação (parte 1)
58/200 - O desconforto: os contra-vontades (parte 2)
59/200 - Um jogo de energias - escolher ou acolher?
60/200 - Como atrair tudo até si
61/200 - Porque não vendemos nada e o nosso experimento social é gratuito - Parte 1
62/200 - Porque não vendemos nada e o nosso experimento social é gratuito - Parte 2 - O busílis
63/200 - Ação ou reação - A peça teatral, dão-nos um guião e escolhemos outro papel
64/200 - Um amor raro que faz relações durarem anos - Não precisamos que nos peçam desculpa
65/200 - Dance nas suas relações sem impor coreografia
66/200 - Não chame ninguém a atenção (parte 2): uma revolução nos relacionamentos - espalhe flores
67/200 - Quando os outros endurecem o semblante: a ponte caída
68/200 - O mimo como forma de resistência contra o endurecimento do mundo: use a cor que tiver
69/200 - Um experimento social de acolhimento: não escolhemos mas acolhemos
70/200 - A solidão e o mundo das conexões: a porta enferrujada
71/200 - Mais vale só do que mal acompanhado: e se este ditado estiver incorreto?
72/200 - Solidão, Solitude e Solícito
73/200 - Os déspotas do nosso interior
74/200 - Conspiração: As vidas diminuídas (Parte 2)
75/200 - As minhas ações estão a construir uma melhor pessoa em mim?
76/200 - Somos amorais com os outros: o poder da agulha
77/200 - A dissonância é o lugar do encontro comigo mesmo: um tema secreto
78/200 - Diz o ditado popular: Toda a ação gera uma reação: e se em vez de reagir, agirmos?
79/200 - Presenças invisíveis, sem valor, pessoas descartáveis
80/200 - Encontre falhas e destrua a sua relação
81/200 - Uma reflexão SECRETA - O Mestre das nossas vidas: É no encontro com o outro que se dá o deslumbre de quem somos
82/200 - O Mestre dos Mestres: O lugar secreto
83/200 - O Mestre dos Mestres: Um tempo SECRETO
84/200 - O Mestre dos Mestres: deixe o riso brotar do seu interior
85/200 - Um estudo SECRETO: Os micro rituais de aproximação
86/200 - Um estudo SECRETO: Os micro rituais de aproximação - um yoga diferente
87/200 - Um estudo SECRETO: Os micro rituais de aproximação - a pausa-silêncio transforma-se no par ternura-silêncio
88/200 - Um estudo SECRETO: Os micro rituais de aproximação - dois pares distintos: a ternura-silêncio e a ausência-silêncio
89/200 - Um estudo SECRETO: Os micro rituais de aproximação - dois pares distintos: micro-sorriso e o semblante-fechado
90/200 - Um estudo SECRETO: Os micro rituais de aproximação - O espelho-secreto
91/200 - Um estudo SECRETO: Os micro rituais de aproximação - O ritual dentro de mim
92/200 - Um estudo SECRETO: Os micro rituais de aproximação - O ritual fora de mim
93/200 - Um estudo SECRETO: Os micro rituais de aproximação - O ritual fora e o ritual dentro de nós
94/200 - Um estudo SECRETO: Os micro rituais de aproximação - Conversão da vontade
95/200 - Um estudo SECRETO: Os micro rituais de aproximação - Escutar para me escutar (parte 1)
96/200 - Um estudo SECRETO: Os micro rituais de aproximação - Escutar para me escutar: casos de dissonância (parte 2)
97/200 - Um estudo SECRETO: Os micro rituais de aproximação - Escutar para me escutar: a dissonância como alerta do que se passa dentro de mim
98/200 - Um estudo SECRETO: Os micro rituais de aproximação - Escutar para me escutar: a dissonância como resistência do meu interior: o portal
99/200 - Um estudo SECRETO: Os micro rituais de aproximação - Escutar para me escutar: a dissonância como resistência do meu interior: um ouvir domesticado
100/200 - Antes de Reagir, Ajo: Não vou reagir - os mantras
101/200 - Antes de Reagir, Ajo: Só queixas
102/200 - Antes de Reagir, Ajo: Relações de proximidade - o antídoto
103/200 - Antes de Reagir, Ajo: Desabafar: não! Como aliviar o peso das emoções
104/200 - Antes de Reagir, Ajo: O arquivo da emoção e o arquivo da razão
105/200 - Antes de Reagir, Ajo: Sofismas emocionais: o encarceramento da emoção
106/200 - Os rituais do imaginário - parte 2: Não somos o que sabemos, somos o que estamos dispostos a aprender
107/200 - Os rituais do imaginário (parte 3): inteligência emocional e espiritualidades
108/200 - Antes de Reagir, Ajo: Chamam-me a atenção
109/200 - Antes de Reagir, Ajo: Chamam-me a atenção - a ponte que não se quebra
110/200 - Antes de Reagir, Ajo: Chamam-me à atenção - ver em mim o que ainda resiste
111/200 - Antes de Reagir, Ajo: O disco riscado das relações
112/200 - Aprendendo a descer: Não há pessoas difíceis, há um eu difícil (parte 1) 

Hoje iremos analisar o nosso Raciocínio 113/200 - Aprendendo a descer: Todos os dias, são para descer (Parte 2)

Todos os dias, são para descer ao encontro comigo mesmo(1), para me encontrar dentro de mim(2). Quando estou com o OUTRO(3) reencontro em mim(4) esta necessidade de encontro comigo mesmo(5). É pois o OUTRO que desperta em mim a humanidade dos meus gestos(6), do meu carinho(7), da minha entrega(8). É o OUTRO que produz em mim a mudança que preciso continuamente(9) fazer em mim.(10)

Assim percebo que cada encontro(11), por mais breve que seja(12), me devolve a mim próprio(13) de um modo novo(14). O OUTRO funciona como espelho vivo(15), refletindo partes minhas(16) que sozinho não saberia ver(17), obrigando-me a olhar com mais sinceridade para o que sinto(18), para o que desejo(19) e para o que ainda preciso transformar.(20)

O encontro com o o OUTRO devolve-me aquilo que preciso mudar(21) ainda mais quando este OUTRO se apresenta a mim como pessoa "difícil".(22)

É precisamente nesse confronto que surgem as partes de mim que preferia não ver.(23)

A impaciência, o desconforto, a resistência que o outro desperta revelam fragilidades que ainda carrego(24) e que, sem esse espelho incômodo(25), talvez continuassem escondidas(26). E aqui surge o meu deslumbramento:
(27)Raciocínio 21:6 - Quando nos apercebemos que atualmente somos o resultado das nossas ações, começamos a ter um deslumbre de compreensão de nós mesmos(6).

(28)Raciocínio 81 - Uma reflexão SECRETA - O Mestre das nossas vidas: É no encontro com o outro que se dá o deslumbre de quem somos

(29)Raciocínio 112:23-25 - "Deslocamos o foco do OUTRO para nós mesmos(23). Em vez de atribuir a alguém o rótulo de "difícil"(24), viramo-nos para nós mesmos e aqui começa o nosso deslumbramento.(25)"

(30)Raciocínio 112:189-201 - "É a descoberta das minhas dificuldades que provocam em mim o deslumbramento(189). E é curioso que o meu deslumbramento surge com um brilho que nasce justamente do encontro com as minhas próprias sombras(190). Ele aparece quando me permito ver com mais nitidez, quando reconheço as minhas fragilidades e, ainda assim, decido permanecer comigo mesmo(191). O deslumbramento que falo é um espanto íntimo: a descoberta(192). É o momento em que percebo que a minha humanidade, com tudo o que ela carrega, não me diminui mas amplia-me(193). Permite-me ver que há uma beleza profunda em reconhecer o que antes parecia confuso(194), em iluminar partes minhas que por muito tempo ficaram escondidas(195). E é dessa iluminação interna que nasce a sensação de encantamento(196). Não é o encantamento com o mundo lá fora(197), mas comigo mesmo(198), com a minha capacidade de crescer(199), de me reinventar(200) e de transformar cada encontro com o OUTRO num novo caminho para dentro de mim.(201)"

Percebemos que até aquilo que inicialmente me fere ou me desestabiliza pode transformar-se em construção(31). O deslumbramento nasce desse instante(32) em que reconheço que a dificuldade que o OUTRO me apresenta(33) não é um peso(34), mas uma porta aberta para compreender melhor quem sou.(35)

Há uma espécie de claridade súbita quando noto que a vida me oferece exatamente os encontros de que preciso(36), mesmo quando parecem contrariar o que desejo.(37)

É como se, no meio do desconforto, algo em mim se iluminasse(38) e dissesse: "é aqui, é neste ponto que ainda podes crescer"(39). E esse brilho interior(40), inesperado e discreto(41), torna-se quase um agradecimento silencioso pelo que descubro em mim através de cada encontro(42), sobretudo daqueles que me obrigam a ir além do que eu já conhecia de mim mesmo(43). Mais uma vez encontramo-nos diante de um tema SECRETO.(44)

A dificuldade que o OUTRO me apresenta na relação com ele(45) obriga-me a ajustar o meu gesto(46), a rever a minha escuta(47), a transformar a forma como acolho o que não controlo.(48)

Paradoxalmente, é nesse desafio que encontro oportunidades mais sinceras de crescimento(49), pois aquilo que surge como obstáculo(50) acaba por ser convite para uma mudança mais profunda em mim(51). Este Movimento interior encontra-se indisponível ao vulgo.(52)

Ao deixar-me tocar pela presença do OUTRO difícil(53), descubro camadas de mim que antes permaneciam adormecidas(54), e é nessa partilha silenciosa(55), do que ele faz e que me afeta(56), que vou aprendendo a ser mais inteiro.(57)

Cada gesto recebido ou oferecido abre espaço para que eu me reencontre(58), para que eu me escute com mais profundidade(59) e para que compreenda que a mudança que procuro(60) começa sempre por esta abertura ao encontro comigo(61) e com o OUTRO(62), num Movimento contínuo(63) de retorno e descoberta.(64)

A descida que preciso empreender comigo mesmo(65) através do OUTRO(66) não é um Movimento brusco nem totalmente claro à primeira.(67)

É um PROCESSO de ir desaprendendo certezas(68) e abrindo espaço para ver aquilo que habitualmente escondo em mim.(69)

Estou a falar de hábitos(70) que precisam de ser desaprendidos(71) porque nos afastam de nós mesmos(72) e do tipo de humanidade que desejo cultivar.(73)

Entre esses hábitos, o falar mal de pessoas ausentes(74) quando, na verdade, o que precisamos é de coragem para tratar diretamente com elas aquilo que nos incomoda.(75)

Também o abandonar das partilhas de conversas de corredor(76) que alimentam intrigas(77) e criam ruído desnecessário entre colegas.(78)

O mesmo vale para o hábito de comentar negativamente sobre os outros(79) em vez de enfrentar com honestidade cada situação com quem a vive connosco.(80)

Além disso, é essencial compreender que os assuntos que tratamos com a nossa chefia(81), sejam eles problemas pessoais, profissionais ou questões delicadas(82), pertencem ao espaço privado entre mim e a chefia(83) e não devem ser levados para conversas informais com colegas.(84)

Do mesmo modo, as quezílias e tensões no local de trabalho(85) devem ser resolvidas diretamente com quem está envolvido(86), num diálogo discreto e respeitoso(87), e não expostas a terceiros(88) que nada têm a ver com o conflito.(89)

Desaprender estes hábitos(90) exige uma descida interior(91) porque obriga-me a reconhecer as minhas inseguranças, medos e impulsos(92) que me levam a procurar atalhos emocionais(93) em vez de assumir a responsabilidade nas minhas relações.(94)

Falar pelas costas(95), envolver terceiros(96), procurar validação em corredores(97) e confidências fáceis(98) são formas de evitarmos a vulnerabilidade que o encontro direto requer.(99)

E é exatamente aqui que entra o papel do OUTRO como espelho(100). Quando alguém nos confronta ou nos expõe o desconforto deste comportamento(101), aquilo que inicialmente parece crítica ou dureza(102) revela-se um convite a olhar mais profundamente para dentro de mim.(103)

Esta descida interior leva-me a perceber que cada gesto de exposição indevida(104), cada crítica silenciosa(105), cada comentário feito na sombra(106) nasce de algo por resolver em mim(107). Insegurança, necessidade de aprovação, medo de confronto, sensação de inferioridade ou até um hábito herdado de ambientes onde essa postura é normalizada.(108)

Ao reconhecermos isto, começamos a compreender que mudar não é apenas ajustar comportamentos(109), mas transformar o modo como sentimos e nos relacionamos.(110)

E é neste PROCESSO que surge um tipo de claridade(111) que se aproxima daquele deslumbramento de que falei antes(112), a descoberta de que a mudança real nasce quando deixo de fugir de mim.(113)

Quando escolhemos o caminho mais íntegro, mesmo que mais exigente.(114)

Quando percebemos que o silêncio ético(115), a conversa direta(116), a confidência bem guardada(117) e a honestidade humilde com o OUTRO(118) me devolvem dignidade(119), força e uma humanidade maior.(120)

Cada vez que evito cair nos velhos hábitos(121), abro um espaço novo dentro de mim(122), um espaço onde o respeito, a verdade e a responsabilidade começam a ganhar corpo dentro de mim(123)

É neste terreno mais limpo que o encontro com o OUTRO deixa de ser motivo de inquietação(124) e passa a ser oportunidade para o meu crescimento(125). Um crescimento firme, consciente e profundamente MEU(126).

Esta descida acontece quando deixo que o impacto do OUTRO seja ele afetuoso, neutro ou difícil(127) me toque o suficiente(128) para abalar as minhas defesas.(129)

Não é sobre me perder(130), mas sobre me aproximar mais profundamente do que sou verdadeiramente(131), exatamente porque o OUTRO ativa zonas internas(132) que sozinho raramente alcançaria.(133)

Descer interiormente por mim mesmo significa reconhecer as reações que surgem(134) quando estou com o OUTRO(135). A irritação, a admiração, o medo, a ternura, a resistência.(136)

Cada uma dessas respostas é uma entrada para o meu subterrâneo emocional(137), "oh meu Deus, que Movimento este!"(138) onde guardo padrões antigos, expectativas, feridas e também potenciais ainda não vividos.(139)

O OUTRO, ao provocar-me(140), ajuda-me a aceder a essas camadas que não se revelam na superfície do meu dia-a-dia.(141)

É um Movimento exigente(142) porque implica olhar sem fugir.(143)

Fora do nosso Movimento de Motivação e Auto-Ajuda, os outros fogem daquilo que consideram tóxico, diferente:(144)
(145)Raciocínio 37:10-20 - "O "tóxico" para nós numa relação é um projeto de encontro connosco mesmos(10). Aquilo que nos magoa no outro é, muitas vezes, o espelho do que ainda não fizemos em nós(11). O "tóxico" deixa de ser só sobre o outro e passa a ser sobre como nos encontramos dentro desse reflexo(12). Uma relação difícil obriga-nos a olhar para dentro de nós mesmos(13), a perceber as feridas, os medos, as inseguranças(14). É como se o desconforto fosse um convite(15): ou fugimos dele [que é o que as pessoas todas fazem em relação às pessoas "tóxicas"](16), ou aceitamos mergulhar e transformar.(17)No fundo, o tóxico pode ser lido como um laboratório íntimo(18). É duro, mas pode revelar: onde ainda não nos sintonizámos connosco(19), onde ainda não nos alinhámos com o nosso próprio coração.(20)".

(146)Raciocínio 63:236-240 -
"Portanto os outros são o nosso laboratório(236). São a forma para o meu desenvolvimento(237). É por isso que o termo tóxico(238) não tem sequer nenhum sentido para nós(239). Precisamos dos outros para crescer emocionalmente.(240)"

(147)Raciocínio 64:235-263 -
"E os tóxicos? [Termo que não acreditamos](235). Esses entram também dentro do nosso Experimento Social(236). Cada pessoa é o nosso Laboratório de Experiência de amor(237), por isso não existem para nós pessoas tóxicas(238). É uma afirmação que desinstala o discurso dominante(239), aquele que nos empurra para categorias rápidas, defensivas, rotulantes(240). Faço aqui um gesto radical: recusamos a lógica da exclusão afetiva(241). Digo com o coração aberto, que cada encontro é matéria-prima(242) para a Prática do AMOR em PROCESSO(243). Cada relação serve de Campo de Ensaio(244), de chão, onde aprendemos a amar com mais inteireza e lucidez(245). Dizer que "não existem pessoas tóxicas" é dizer que a toxicidade não reside no ser do outro(246), nem mesmo na dinâmica relacional(247) e, mais ainda, no modo como escolhemos situar-nos na relação(248). E aqui nasce o gesto da minha Responsabilidade Amorosa(249). Esta responsabilidade não é passiva(250), pelo contrário, é sobre a minha Presença Atenta(251). Não me afasto porque o outro é "tóxico"(252), não julgamos o outro como descartável(253). Não proponho um amor com um critério para "avaliar" o outro(254), mas como uma Prática de Permanência(255), um Laboratório Vivo(256) onde não se descarta ninguém(257), não se rejeitam pessoas(258), não se classificam pessoas(259), CONSTRÓI-SE(260). Dizer que "cada pessoa é o nosso laboratório de experiência de amor" não é dizer que todas as relações são fáceis ou desejáveis(261), é dizer que mesmo aquilo que sentimos como fricção, limite ou dor pode ser atravessado com a minha consciência afetiva.(262). Consegue ver a diferença(263)? Implica notar quando me fecho, quando me exaltas, quando me defendo, quando cedo em excesso, quando tenho medo de dececionar ou quando procuro agradar".

Cada gesto meu diante do OUTRO torna-se mensagem, sinal, orientação sobre o MEU caminho interior(148) a seguir dentro de mim mesmo.(149)

A descida pede a minha humildade(150), de reconhecer que não tenho todas as respostas(151), que ainda preciso curar, ajustar, aprender.(152)

A descida pede pois entrega(153): confiar que este Movimento para dentro(154), provocado pelo encontro com o OUTRO(155), não me diminui, expande-me.(156)

Porque ao descer, encontro solo firme onde antes havia apenas impulsos confusos.(157)

Encontro a verdade do que sinto(158), e é a partir dela que me transformo.(159)

Este PROCESSO não é rápido, mas é profundamente fecundo.(160)

É por isso que o OUTRO, mesmo quando desafia ou inquieta(161), se torna um aliado inesperado.(162)

É ele que ilumina o caminho da minha descida(163), mostrando-me, sem saber, onde ainda tenho de tocar em mim para me tornar mais inteiro.(164)

Bem vindo à descida.(165)

Abraço fraterno
Nuno Miguel R. S. Gomes
(Sociólogo e Filósofo)

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