Raciocínio 70/200
A solidão e o mundo das conexões:
a porta enferrujada

Motivação para viver, a busca pela felicidade através de um método de esforço cognitivo. O método que usamos é efetuado por etapas graduais. Será o encadeamento destas etapas que nos levará a entender este processo complexo constituído por 200 raciocínios.

Começaremos vários exercícios de motivação. Poderá comentá-los, ou enviar mensagem em privado para o nosso email:
Auto.ajuda.mundo@gmail.com

Iremos gradualmente e por raciocínios adquirir conhecimento motivacional. Sugerimos que comece pela 1° raciocínio para poder perceber o encadeamento dos raciocínios que iremos estabelecer, e faça a leitura ao seu ritmo. Basta em cima selecionar "Raciocínios" e 1/200, e depois por 2/200 e assim por diante.
Vamos fazer aqui um resumo de todos os raciocínios que já abordámos:
1/200 - O início de uma caminhada
2/200 - O problema de atribuir significado a pensamentos que não interessam
3/200 - Não permita que o passado exerça poder sobre si
4/200 - Transcenda as limitações do passado
5/200 - A mente e o poder incrível da imaginação
6/200 - Os rituais do imaginário
7/200 - Preferir a "felicidade" à "depressão"
8/200 - Vamos criar um raciocínio produtivo
9/200 - O problema da crença do poder da atração
10/200 - Escolher a felicidade e recusar a infelicidade (Parte 1)
11/200 - A explicação do nosso "segredo"!
12/200 - O problema da Ataraxia
13/200 - A emoção da tristeza
14/200 - Nós somos responsáveis pela maneira como nos sentimos
15/200 - A lei da fé
16/200 - O que fazer com a inveja
17/200 - Quando está tudo escuro e a luz que brilha está bem longe
18/200 - A Paz Interior o motor da vida (1/3): introdução
19/200 - A Paz Interior o motor da vida (2/3): o poder da recordação
20/200 - A Paz Interior o motor da vida (3/3): A regra do silêncio deixando de ter razão
21/200 - Retirar de nós a auto-piedade, auto-rejeição, auto-depreciação, auto-anulação (parte 1)
22/200 - Auto-acusação e Auto-piedade (parte 2)
23/200 - Esclarecimento sobre os "Autos"
24/200 - Tomar consciência dos pensamentos que temos
25/200 - Preferir a FELICIDADE em vez da infelicidade (Parte 2)
26/200 - Não tenha medo de errar
27/200 - Fortaleça a sua estabilidade interior
28/200 - Como ter potência criadora - 5 estratégias (Parte 1): Introdução
29/200 - Como ter potência criadora - 5 estratégias (Parte 2):
Projetar potência criadora numa dedicação integral com todos, da mesma forma e continuamente
30/200 - Como ter potência criadora - 5 estratégias (Parte 3): ofereça presença
31/200 - Como ter potência criadora - 5 estratégias (Parte 4): "Acolhimento" - 1ª Dimensão
32/200 - Como ter potência criadora - 5 estratégias (Parte 5): "Acolhimento" (continuação)
33/200 - Como ter potência criadora - 5 estratégias (Parte 6): "Apoio" - 2ª dimensão
34/200 - Como ter potência criadora - 5 estratégias (Parte 7): "Apoio" - 2ª dimensão (continuação)
35/200 - Como ter potência criadora - 5 estratégias (Parte 8): "Projeção" - 3ª dimensão
36/200 - Como ter potência criadora - 5 estratégias (Parte 9): "Valorizar" - 4ª dimensão
37/200 - Como ter potência criadora - 5 estratégias (Parte 10): "Entrar em sintonia" - 5ª dimensão
38/200 - Como ter potência criadora - 5 estratégias (Parte 11): "ilumine o outro" - 6ª dimensão
39/200 - Como ter potência criadora - 5 estratégias (Parte 12): "Como definir o Campo de Ação e o Poder de saber o nome" - 7ª dimensão
40/200 - Como ter potência criadora - 5 estratégias (Parte 13): "Altere o seu olhar" - 8ª dimensão

41/200 - Como ter potência criadora - 5 estratégias (Parte 14): "dar espaço ao outro" - 9ª dimensão
42/200 - Como ter potência criadora - 1 estratégia: IVA (imposto de valor acrescentado)
43/200 - Como ter potência criadora - 2 estratégia: O que é um não assunto (parte 1/4)
44/200 - Como ter potência criadora - 2 estratégia: O que é um não assunto (continuação): Um segredo que revelamos - A criação das redes de pequenas maledicências no trabalho (parte 2/4)
45/200 - Como ter potência criadora - 2 estratégia: O que é um não assunto (continuação): A dificuldade de tornar um assunto em não assunto (3/4)
46/200 - Como ter potência criadora - 2 estratégia: O que é um não assunto (continuação): na prática o que deixar de fazer (parte 4/4)
47/200 - Como ter potência criadora - 3 estratégia: Não chame os outros à atenção
48/200 - Como ter potência criadora - 4 estratégia: Cale-se por favor!
49/200 - Como ter potência criadora - 5 estratégia: A história de Tolstói (uma reflexão)
50/200 - Como ter potência criadora: Finalmente - Os miminhos
51/200 - Relações horizontais e não verticais: a unilateralidade - parte 1
52/200 - Relações horizontais e não verticais: a autoresponsabilidade - parte 2
53/200 - O silêncio estúpido
54/200 - Eu adapto-me ou o outro tem de se adaptar a mim?
55/200 - Não compre guerras. O problema da conspiração
56/200 - A teoria dos Habitats: não floresça em microclimas
57/200 - O desconforto: o nosso campo de ação (parte 1)
58/200 - O desconforto: os contra-vontades (parte 2)
59/200 - Um jogo de energias - escolher ou acolher?
60/200 - Como atrair tudo até si
61/200 - Porque não vendemos nada e o nosso experimento social é gratuito - Parte 1
62/200 - Porque não vendemos nada e o nosso experimento social é gratuito - Parte 2 - O busílis
63/200 - Ação ou reação - A peça teatral, dão-nos um guião e escolhemos outro papel
64/200 - Um amor raro que faz relações durarem anos - Não precisamos que nos peçam desculpa
65/200 - Dance nas suas relações sem impor coreografia
66/200 - Não chame ninguém a atenção (parte 2): uma revolução nos relacionamentos - espalhe flores
67/200 - Quando os outros endurecem o semblante: a ponte caída
68/200 - O mimo como forma de resistência contra o endurecimento do mundo: use a cor que tiver
69/200 - Um experimento social de acolhimento: não escolhemos mas acolhemos 

Hoje iremos analisar o nosso Raciocínio 70/200 - A solidão e o mundo das conexões: a porta enferrujada

A solidão é uma espécie de eco interno quando estamos cercados por palavras que não nos acolhem, gestos que não nos veem.

Pode ser um quarto escuro onde os olhos se habituaram à ausência de resposta.

Não quero me alongar a descrever o que é solidão no seu aspeto geral mas quero sim dar-lhe um outro significado.

Apenas dizer que tem obrigatoriamente de sair desse local porque vai contra o nosso Experimento Social e o nosso Processo é precisamente de DESCONFORTO.

Precisa sair da solidão. Não se trata de encontrar alguém. Trata-se de MOVER-SE. De entrarmos num MOVIMENTO que vai alterar o rumo da nossa existência.

Trata-se de abrir uma fissura no hábito de estar só. De dizer, mesmo sem palavras: "não quero mais viver aqui", mesmo que não sinta isso.

E é aí que começa o outro mundo. O das conexões. Não o das ligações em massa, mas o das pontes verdadeiras.

Uma só basta, no início. Uma que nos faça lembrar que somos espelho e não muro.

Nós não podemos ser os muros erguidos.
Não podemos simplesmente ser muros.

Mesmo que tenhamos sido feridos, mesmo que o medo nos sussurre que é mais seguro construir espessuras entre nós e o mundo, simplesmente não podemos erguer esse MURO de separação entre nós e os outros.

Porque ser muro é tornar-se a continuação daquilo que nos separou.
É repetir, em silêncio, o que um dia nos calou.

E nós não viemos ao mundo para calar, viemos para tocar vidas. Viemos para fazer história através da história dos outros.

Podemos ter sido magoados por portas que nunca se abriram, por olhares que desviaram, por ausências que doeram como ausências físicas.

Mas não podemos deixar que isso nos transforme em PEDRA.
Não podemos herdar a lógica do isolamento e chamá-la de proteção.

Se formos muro, o outro torna-se ameaça.
Se formos muro, o amor passa por nós como vento e não fica.
Se formos muro, não há como criar conexão, apenas resistência.

Nós somos ponte.
Somos travessia.
Somos os que empurram a porta enferrujada e dizem: "vem, aqui há espaço".

Mesmo se não vier ninguém de imediato.

Porque é na não-muralha que começa a TERNURA. E nós não podemos ser essa muralha, e precisamos de ser esta TERNURA LÚCIDA e CONTÍNUA

Recusamos a endurecer.
Queremos ser isso, não queremos?

Então não ergamos mais muros, nem por medo, nem por cansaço. 
Se for preciso, choramos junto à porta, mas deixamo-la aberta.
Porque quem deixa a porta aberta um dia recebe a visita certa.
E isso muda tudo.

Nós INAUGURAMOS gestos de TERNURA com TODAS as pessoas. E isso cria um mundo de conexões.

A solidão, se não for abandonada a tempo, adquire a ilusão de pertença. Por isso, o gesto de saída tem de ser deliberado, como quem empurra uma porta enferrujada. Não é fácil. Mas é urgente.

E contrapomos à solidão, o mundo das conexões.

Uma dança de mensagens, vozes, imagens, presenças digitais, presenças físicas, mãos que se tocam ou não, olhares que se cruzam.

É um mundo onde encontramos a nossa disponibilidade ao outro.

Exercício 1
Releia por favor milhares de vezes a frase anterior.

No mundo digital pode começar por ser um like, uma mensagem, um agrado.

Conexão, é quando o silêncio entre duas pessoas se transforma em lugar habitado.

A imagem da porta enferrujada é mesmo justa, porque há a resistência da pessoa que se isola. Existe uma familiaridade entre nós e a porta enferrujada. Uma cumplicidade antiga até.

A porta enferrujada não é só obstáculo é também reflexo. Foi posta ali por nós, ou pelo menos mantida por tanto tempo que acabou por ganhar o nosso cheiro, a nossa maneira de não querer saber o que há do outro lado.

Tornámo-nos íntimos dessa porta. Sabemos o som exato que faz quando tentamos mexê-la, conhecemos as lascas de tinta, a textura fria do ferro.

Às vezes até acariciamo-la com pena, como quem diz: "Hoje não. Amanhã talvez."
E há dias em que essa familiaridade dói mais do que a solidão.

Porque percebemos que já não é o mundo que nos isola. Somos nós que aceitamos ficar ali, em frente à porta, a sussurrar desculpas, a inventar impossibilidades.
Essa familiaridade não é amor.
É hábito.

E o hábito é confortável como uma manta que já não aquece.

Empurrar a porta, então, é um ato de traição, não à nossa dor, mas ao acordo tácito que fizemos com ela. É dizer: "obrigado por me teres protegido até aqui, mas agora quero mais."

Há uma ternura quase violenta neste gesto. Porque exige coragem, mas também compaixão.
Compaixão por quem fomos quando não podíamos abrir.
E coragem para ser quem, agora, escolhe atravessar.
Vamos fazer essa porta gemer um pouco. Talvez esteja a ceder.

Vamos, sim, devagarinho, mas com firmeza. As mãos ainda hesitam não por falta de vontade, mas porque sabem que, ao ceder, a porta já não poderá ser desculpa.

Mas mesmo assim empurramos.
Primeiro o som leve, quase impercetível, como um suspiro de metal a acordar.
Depois um estalido curto, como se algo dentro cedesse.
É o passado a perder força.
É o medo a mudar de forma.

E nesse som rouco, esse gemido de ferrugem e tempo, há algo que vibra dentro de nós também. Como se o próprio corpo estivesse a dizer: "agora. Não amanhã. Agora!"

Porque há vida do outro lado. Não uma vida garantida, segura, previsível mas uma vida com cheiro a ar novo, com luz de outra textura, com a promessa de toque.

Talvez não vejamos ainda o que há para lá da porta.
Mas sabemos que não estamos mais sozinhos frente a ela.
Estamos juntos. Nós estamos consigo para ajudar neste MOVIMENTO, e precisa sim empurrar essa porta enferrujada.

Queremos entregar-lhe um mundo novo cheio de conexões. Não ligações vãs, mas vamos mostrar-lhe um novo caminho de muitas conexões, e o primeiro passo é empurrar a porta enferrujada.

E isso já é MOVIMENTO.

Sair da zona de conforto não é um gesto heroico, não precisa de ser. Pode ser apenas um passo. Um levantar do olhar.

Um "olá" sem garantias. Um estar disponível para ser visto, não na versão ideal, mas na versão nua, real.
E este é o risco mas também a única hipótese de conexão autêntica.

As conexões constroem-se no terreno. Como quem abre uma janela num dia de chuva. Não sabemos se entra luz ou vento, MAS ENTRA VIDA.

E às vezes a vida começa assim com o ranger da porta. Com a ferrugem a ceder.
Com o desconforto que confirma que estamos vivos, prontos para encontrar ou ser encontrados.

A palavra conexão para nós tem um significado radical. Não é apenas aquela ligação vã, mas o significar aquilo que sempre deveria ter sido: presença, olhar, escuta, ternura partilhada.

E isto faz-me lembrar de um acontecimento histórico da minha vida. 
Eu e a minha mãe estávamos num restaurante a comer uma "caldeirada fragateira". Em frente estavam 3 homens a tocar música antiga que nos trouxe lindas memórias. A minha mãe estava balançando com o corpo ao sabor da música. Olhei para os 3 homens e vi que eram franzinos, aspeto de quem passava fome. Perguntei à minha mãe se não se importava que os convidasse a comer connosco, e ela chorou. 
Fui até eles e convidei-os a sentarem-se na nossa mesa. Pararam de tocar e vieram. 
Disse-lhes que pedissem o que quisessem comer e beber. 
E ali estivemos com eles. Com um interesse genuino perguntei de onde eram, com quem estavam em Portugal, se trabalhavam para além de tocarem e cantarem, e quis perceber como era gerida a fonte de rendimento.


Com um interesse genuíno na sua história a minha mente começou logo de imediato a trabalhar. Fiquei com os contatos deles e nessa mesma noite fui falar com o gerente de um restaurante que tem um palco e equipamento de som.


Fiz aquilo que estava ao meu alcance para ajudar os rapazes.


Isto é conexão.


Conexão para nós é mais do que uma ligação vã. É dar um passo, mais um passo, mais um passo e tentar fazer uma ponte de travessia entre o eu e o tu. De tal forma que ambos podemos atravessar de forma a ir e vir.


Estas conexões temos de as fazer com todas as pessoas.


Temos falado sobre isto em vários raciocínios.


Aqui está a cura para a solidão. A cura passa por uma rede vasta de conexões.


Mas para chegar lá, há um gesto inaugural.

Esse gesto é simples, mas tremendo.


É o gesto de empurrar a porta enferrujada.


A porta enferrujada não vai ceder de imediato. Vai chiar. Vai resistir. Vai tentar convencer-nos de que não vale a pena, que tudo continuará igual.


Mas não vamos escutá-la. Porque desta vez não estamos a fugir da solidão, estamos a construir outra coisa.


Estamos a dizer-lhe: obrigado por me teres guardado até agora, mas vamos sair.


E não vamos sair para o vazio, vamos sair para a teia.


Não uma teia que prende, mas uma que sustém. Uma rede de mãos abertas. De encontros que não pedem máscara. De gestos que criam sentido.


Vamos mostrar-lhe isso.


Vamos levar essa solidão pela mão, não como quem a rejeita, mas como quem lhe oferece um lugar melhor para viver.


Porque até a solidão merece ver o sol.

E o primeiro raio de luz entra quando a porta começa a ceder.


Vamos empurrá-la juntos. Tem todo o nosso apoio.


Isto fez-me lembrar um outro episódio.

Uma senhora enviou-nos um email a pedir ajuda. A história era terrível. Tudo estava errado, o seu mundo era tenebroso.


Em cada detalhe da sua história tudo se agrava mais, que nos pareceu numa primeira avaliação que a história era inventada.


De qualquer forma respondi à mensagem com todo o meu coração:

"Vamos encontrar-nos para eu poder perceber melhor a sua história".


Como então criar conexões:

1. O primeiro passo é o nosso, o segundo passo é o nosso, o terceiro passo é o nosso.... e isto significa que a disponibilidade de coração é nossa para haver conexão.


Criar conexões começa dentro de nós, não no outro, não lá fora.


É uma dança em que os primeiros passos são sempre nossos por escolha nossa, porque queremos entrar na dança da conexão, queremos empurrar a porta enferrujada, queremos saber o que está para lá da porta.


Mesmo que não haja esse interesse da nossa parte temos de o fazer.


O primeiro passo é o nosso, é o gesto de sair de dentro. De deixar o conforto do conhecido, mesmo que o conhecido doa. É dizer: quero chegar até ti, mesmo que não saiba ainda que estou a caminho.


O segundo passo é o nosso, é manter a mão estendida mesmo quando não há resposta imediata. É escutar com o corpo inteiro. É não exigir eco, mas oferecer presença.


Porque mesmo sendo disponíveis para os outros por vezes não há eco.


O terceiro passo é o nosso, é não desistir perante a ausência de retorno. Não insistir com violência, mas persistir com ternura.


Como quem rega uma planta que ainda não mostrou sinal.


Porque a disponibilidade de coração é este acto de estar aberto sem me desfazer.

Conexão não é esperar que o outro nos salve da solidão.


É partilhar o que somos, e às vezes, às vezes, esse gesto terno e contínuo encontra eco.


E o outro, vendo a nossa mão firme, decide também estendê-la.


E aí nesse instante breve e milagroso nasce uma ponte.


Empurre a sua porta enferrujada!



Abraço fraterno
Nuno Miguel R. S. Gomes
(Sociólogo e Filósofo)

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