
Raciocínio 82/200
O Mestre dos Mestres: O lugar secreto
Motivação para viver, a busca pela felicidade através de um método de esforço cognitivo. O método que usamos é efetuado por etapas graduais. Será o encadeamento destas etapas que nos levará a entender este processo complexo constituído por 200 raciocínios.
Começaremos vários exercícios de motivação. Poderá comentá-los, ou enviar mensagem em privado para o nosso email: Auto.ajuda.mundo@gmail.com
Iremos gradualmente e por raciocínios adquirir conhecimento motivacional. Sugerimos que comece pela 1° raciocínio para poder perceber o encadeamento dos raciocínios que iremos estabelecer, e faça a leitura ao seu ritmo. Basta em cima selecionar "Raciocínios" e 1/200, e depois por 2/200 e assim por diante.
Vamos fazer aqui um resumo de todos os raciocínios que já abordámos:
1/200 - O início de uma caminhada
2/200 - O problema de atribuir significado a pensamentos que não interessam
3/200 - Não permita que o passado exerça poder sobre si
4/200 - Transcenda as limitações do passado
5/200 - A mente e o poder incrível da imaginação
6/200 - Os rituais do imaginário
7/200 - Preferir a "felicidade" à "depressão"
8/200 - Vamos criar um raciocínio produtivo
9/200 - O problema da crença do poder da atração
10/200 - Escolher a felicidade e recusar a infelicidade (Parte 1)
11/200 - A explicação do nosso "segredo"!
12/200 - O problema da Ataraxia
13/200 - A emoção da tristeza
14/200 - Nós somos responsáveis pela maneira como nos sentimos
15/200 - A lei da fé
16/200 - O que fazer com a inveja
17/200 - Quando está tudo escuro e a luz que brilha está bem longe
18/200 - A Paz Interior o motor da vida (1/3): introdução
19/200 - A Paz Interior o motor da vida (2/3): o poder da recordação
20/200 - A Paz Interior o motor da vida (3/3): A regra do silêncio deixando de ter razão
21/200 - Retirar de nós a auto-piedade, auto-rejeição, auto-depreciação, auto-anulação (parte 1)
22/200 - Auto-acusação e Auto-piedade (parte 2)
23/200 - Esclarecimento sobre os "Autos"
24/200 - Tomar consciência dos pensamentos que temos
25/200 - Preferir a FELICIDADE em vez da infelicidade (Parte 2)
26/200 - Não tenha medo de errar
27/200 - Fortaleça a sua estabilidade interior
28/200 - Como ter potência criadora - 5 estratégias (Parte 1): Introdução
29/200 - Como ter potência criadora - 5 estratégias (Parte 2): Projetar potência criadora numa dedicação integral com todos, da mesma forma e continuamente
30/200 - Como ter potência criadora - 5 estratégias (Parte 3): ofereça presença
31/200 - Como ter potência criadora - 5 estratégias (Parte 4): "Acolhimento" - 1ª Dimensão
32/200 - Como ter potência criadora - 5 estratégias (Parte 5): "Acolhimento" (continuação)
33/200 - Como ter potência criadora - 5 estratégias (Parte 6): "Apoio" - 2ª dimensão
34/200 - Como ter potência criadora - 5 estratégias (Parte 7): "Apoio" - 2ª dimensão (continuação)
35/200 - Como ter potência criadora - 5 estratégias (Parte 8): "Projeção" - 3ª dimensão
36/200 - Como ter potência criadora - 5 estratégias (Parte 9): "Valorizar" - 4ª dimensão
37/200 - Como ter potência criadora - 5 estratégias (Parte 10): "Entrar em sintonia" - 5ª dimensão
38/200 - Como ter potência criadora - 5 estratégias (Parte 11): "ilumine o outro" - 6ª dimensão
39/200 - Como ter potência criadora - 5 estratégias (Parte 12): "Como definir o Campo de Ação e o Poder de saber o nome" - 7ª dimensão
40/200 - Como ter potência criadora - 5 estratégias (Parte 13): "Altere o seu olhar" - 8ª dimensão
41/200 - Como ter potência criadora - 5 estratégias (Parte 14): "dar espaço ao outro" - 9ª dimensão
42/200 - Como ter potência criadora - 1 estratégia: IVA (imposto de valor acrescentado)
43/200 - Como ter potência criadora - 2 estratégia: O que é um não assunto (parte 1/4)
44/200 - Como ter potência criadora - 2 estratégia: O que é um não assunto (continuação): Um segredo que revelamos - A criação das redes de pequenas maledicências no trabalho (parte 2/4)
45/200 - Como ter potência criadora - 2 estratégia: O que é um não assunto (continuação): A dificuldade de tornar um assunto em não assunto (3/4)
46/200 - Como ter potência criadora - 2 estratégia: O que é um não assunto (continuação): na prática o que deixar de fazer (parte 4/4)
47/200 - Como ter potência criadora - 3 estratégia: Não chame os outros à atenção
48/200 - Como ter potência criadora - 4 estratégia: Cale-se por favor!
49/200 - Como ter potência criadora - 5 estratégia: A história de Tolstói (uma reflexão)
50/200 - Como ter potência criadora: Finalmente - Os miminhos
51/200 - Relações horizontais e não verticais: a unilateralidade - parte 1
52/200 - Relações horizontais e não verticais: a autoresponsabilidade - parte 2
53/200 - O silêncio estúpido
54/200 - Eu adapto-me ou o outro tem de se adaptar a mim?
55/200 - Não compre guerras. O problema da conspiração
56/200 - A teoria dos Habitats: não floresça em microclimas
57/200 - O desconforto: o nosso campo de ação (parte 1)
58/200 - O desconforto: os contra-vontades (parte 2)
59/200 - Um jogo de energias - escolher ou acolher?
60/200 - Como atrair tudo até si
61/200 - Porque não vendemos nada e o nosso experimento social é gratuito - Parte 1
62/200 - Porque não vendemos nada e o nosso experimento social é gratuito - Parte 2 - O busílis
63/200 - Ação ou reação - A peça teatral, dão-nos um guião e escolhemos outro papel
64/200 - Um amor raro que faz relações durarem anos - Não precisamos que nos peçam desculpa
65/200 - Dance nas suas relações sem impor coreografia
66/200 - Não chame ninguém a atenção (parte 2): uma revolução nos relacionamentos - espalhe flores
67/200 - Quando os outros endurecem o semblante: a ponte caída
68/200 - O mimo como forma de resistência contra o endurecimento do mundo: use a cor que tiver
69/200 - Um experimento social de acolhimento: não escolhemos mas acolhemos
70/200 - A solidão e o mundo das conexões: a porta enferrujada
71/200 - Mais vale só do que mal acompanhado: e se este ditado estiver incorreto?
72/200 - Solidão, Solitude e Solícito
73/200 - Os déspotas do nosso interior
74/200 - Conspiração: As vidas diminuídas (Parte 2)
75/200 - As minhas ações estão a construir uma melhor pessoa em mim?
76/200 - Somos amorais com os outros: o poder da agulha
77/200 - A dissonância é o lugar do encontro comigo mesmo: um tema secreto
78/200 - Diz o ditado popular: Toda a ação gera uma reação: e se em vez de reagir, agirmos?
79/200 - Presenças invisíveis, sem valor, pessoas descartáveis
80/200 - Encontre falhas e destrua a sua relação
81/200 - Uma reflexão SECRETA - O Mestre das nossas vidas: É no encontro com o outro que se dá o deslumbre de quem somos
Hoje iremos analisar o nosso Raciocínio 82/200 - O Mestre dos Mestres: O lugar secreto
Gostaria de aprofundar esta reflexão que iniciei no raciocínio anterior(1) para termos uma compreensão do lugar secreto.(2)
Os outros produzem em nós a abertura para um local secreto(3) que pode ser aberto com a perceção da nossa própria consciência.(4)
Já antes disse que não estou a falar de nada extra sensorial, nem esotérico. Nada de metafísico. Toda a nossa experiência cognitiva dá-se no mundo físico, através da análise, do conhecimento dos raciocínios que ajudam apenas a nos podermos desenvolver interiormente.
Também já o disse que é apenas uma Auto-Ajuda, sendo desse modo um projeto interior desencadeado por cada pessoa na medida que for avançando neste entendimento que é gradual e gradativo.
O lugar secreto encontra-se em nós mesmos e são os outros pela fricção connosco que produzem um encontro de nós mesmos connosco mesmos.
O verdadeiro Mestre acende-se no encontro com o outro, sobretudo quando a relação nos devolve partes nossas ainda em atrito.
Como se a fricção abrisse esse lugar secreto onde aprendemos a ver-nos de frente, e nesse espelho vivo descobrimos de que somos feitos.
É precisamente a fricção, a chave que abre este local secreto dentro de nós mesmos.
Este lugar secreto não vem pelo esforço de procurar, surge quando paramos para escutar, e observar o que se passa connosco:
- afinal porque estou a reagir deste modo?
- Porque estou a odiar aquela pessoa?
- Porque não suporto esta senhora?
- Porque me sinto intimidado com isto?
Cada vez que alguém toca num ponto sensível em nós, abre-se uma fenda nesse chão, e é por aí que poderemos ver a luz.
O mais fascinante é que este lugar secreto é um território interior onde o Movimento é sempre de revelação, nunca de conquista.
Este lugar abre-se diante de nós no meio da fricção. Não o encontramos por resistência, mas por permanecer nesse encontro.
Compreenda que não nos afastamos daquilo que nos provoca desconforto, mas aproximamo-nos para tão simplesmente nos compreendermos.
O chão do lugar secreto é feito das nossas próprias memórias e fragilidades.
É secreto porque revela-se apenas no gesto de não virar o rosto, quando aceitamos ver o que há em nós e que se quer esconder.
O ponto central não é a fricção em si, mas o Processo interior que acontece nela: a consciência, o treino das emoções, a calma que cultivamos, a reflexão que nos transforma:
- porque estou a agir desta forma?
- o que poderei alterar na forma como me relaciono com esta pessoa?
O lugar secreto é onde esse trabalho acontece, dentro do nosso ser.
É mais a experiência interna do encontro comigo mesmo, moldada pelo momento da fricção que exige presença e escolha.
Posso escolher reagir de forma áspera ou posso de forma consciente agir.
No lugar secreto, cada fricção deixa de ser apenas atrito e passa a ser matéria-prima, argila para modelar a forma como me construo.
Ali descubro que não sou refém do impulso, mas aprendiz de uma outra linguagem: a da calma que me permite ver, a da reflexão que me abre, a da ternura que me transforma em presença.
O lugar secreto revela-se então não como refúgio que me afasta, mas como oficina silenciosa onde se forjam os meus modos de estar.
E na verdade é isto que estamos à procura, da oficina do nosso interior, onde nós mesmos somos moldados na medida em que nos vamos descobrindo.
É pois no local secreto que o nosso olhar amadurece, aprende a distinguir entre a reação que corta e a ação que pretende dar ternura ao outro.
Precisamos lembrar que o tempo pode ser dilatado dentro de mim, que não preciso responder na medida da pressa que me é imposta. E aqui alteramos por completo as reações e convertemo-las em ações. Será isso que abordarei no Livro 6, onde abordarei: "Antes de Reagir, Ajo".
Nesse local secreto o campo é fértil:
- onde a emoção bruta encontra a escuta,
- onde a raiva se pode transformar em clareza,
- onde a impaciência se pode transformar em gesto aberto.
Porque ao regressar ao mundo a partir do lugar secreto, já não trago apenas a minha voz, mas a possibilidade de criar outra qualidade de encontro, mais ampla, mais humana.
Ter esta consciência que é pelo atrito que poderei aperfeiçoar-me e que é pelo outro que esse atrito vem à luz, independentemente se sai de mim ou se sai do outro, o atrito é a chave para a minha interrogação. É no momento dessa fricção que se abre o local secreto e é nesse local onde está o laboratório da minha experiência.
Aqui eu questiono os meus modos de agir, aqui eu me aperfeiçoou.
Os Raciocínios ajudam-me a ver a realidade com outros olhos na medida em que deixo de culpabilizar os outros e incido tudo no dentro de mim:
- porque reajo assim?
- poderei agir de outra forma?
Não estou interessado nas ações dos outros, nem quero balizar as suas ações.
O nosso projeto interior é com o nosso local secreto que está em nós.
Quando muitas vezes digo que os outros são laboratório da nossa experiência apenas quero dizer que os outros servem nesse "objeto" de estudo, porque o laboratório na verdade está dentro deste local secreto que em nós habita, onde questionamos as coisas, onde as interrogações que fazemos levam-nos a tentar perceber os motivos das nossas reações e ações.
A relação devolve-me partes nossas ainda em atrito. Cada ponto sensível que alguém toca em mim abre uma fenda onde a luz pode entrar.
Este território interior pulsa com as minhas memórias, fragilidades e emoções. É feito de silêncios, mas também de turbulência; é instável, sem margens fixas, e se abre ou se contrai ao ritmo da minha coragem e atenção.
A coragem para me mudar. A coragem na perceção de perceber que não estou a agir bem e que continuo a reagir.
É pois no intervalo entre a reação e a consciência que o eu se desvela. O outro desperta em mim, raiva, ódio, medo, e nós convertemos em TERNURA.
É na nossa resposta interior que nasce a verdadeira aprendizagem.
Cada emoção é matéria-prima de transformação. A ferida pode se converter em cura, a irritação em consciência, a sombra em luz.
O lugar secreto é este espaço interno onde a presença do outro me desafia e me revela, mas não nos impõe nada.
Não se conquista, apenas se habita com atenção e coragem.
A minha consciência molda este território. Quanto mais permanecemos presentes, mais ele se expande. Quando nos fechamos, contrai-se.
Por isso esta necessidade imensa de estarmos conscientes no momento da fricção, para nos transformarmos.
Cada experiência consciente se integra na memória emocional, tornando-se relevo e matéria para o crescimento interior.
O Mestre invisível é o outro, aquele que nos toca sem saber, que nos provoca ou seduz, que nos mostra limites, forças e vulnerabilidades.
Ele não ensina com palavras, mas com a força silenciosa da presença, e a alquimia acontece quando escolhemos observar em vez de reagir automaticamente.
E aqui é fascinante pensarmos que não somos obrigados a reagir como se o outro fosse o dono do tempo. Falei sobre isso quando expliquei que não tenho sequer de seguir o guião que me é entregue;
Raciocínio 63 - Ação ou reação - A peça teatral, dão-nos um guião e escolhemos outro papel
Podemos simplesmente agir de forma consciente, com emoções treinadas para a TERNURA, para o amor, para a bondade e a graciosidade estará no facto que será no meu tempo e não no tempo que o outro me impõe, porque quer uma reação rápida, quer uma resposta.
Neste lugar secreto, cada encontro transforma-se em laboratório interior.
Não há pressa, nem respostas automáticas. Há apenas revelação, cuidado e transformação.
É o espaço onde posso ver o que ainda está oculto em mim e aprender a integrar ternura, coragem, paciência e presença.
E é aí, nesse espaço sagrado e invisível, que o Mestre dos Mestres nos espera. Não do lado de fora, mas dentro de cada fricção, cada emoção despertada, cada espelho que o outro nos oferece.
É nesse lugar secreto que crescemos, nos transformamos e nos aproximamos de quem realmente somos.
No lugar secreto, tudo o que parecia obstáculo revela-se caminho.
A emoção que antes queria gritar transforma-se em matéria de estudo, em espelho luminoso.
A cada desconforto surge a chance de afinar a escuta, de depurar a intenção, de treinar a delicadeza que sustenta a relação.
Não se trata de negar a raiva, o medo, o ódio, mas de acolhê-los no nosso interior até que se convertam em linguagem nova.
Quem é o Mestre dos Mestres?
Não é alguém lá fora, nem uma figura externa que possamos apontar ou estudar.
- Ele é o próprio lugar secreto em nós,
- Ele é o espaço onde cada fricção se transforma em aprendizagem,
- onde cada emoção é matéria-prima para nos transformarmos.
O outro, sem intenção, desperta-nos pontos sensíveis.
A nossa própria consciência observa a reação e escolhe agir com presença.
A coragem de permanecer, de me olhar de frente, de não fugir do desconforto.
Em suma, o Mestre dos Mestres é a alquimia que acontece dentro de mim no nosso lugar secreto, onde todas as experiências se dão, todos os questionamentos.
Tornamo-nos conscientes, e aqui a consciência é esta capacidade de:
- Transformar atrito em clareza,
- Emoção em ternura,
- Impulso em escolha.
É o eu que aprende consigo mesmo, no encontro profundo com a minha própria experiência.
Onde está o Mestre dos Mestres?
Ele é o local secreto.
[Texto escrito em Atenas-Grécia]
Abraço fraterno
Nuno Miguel R. S. Gomes
(Sociólogo e Filósofo)
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