Raciocínio 118/200
Aprendendo a descer: Preciso desencarcerar pessoas
- continuação (parte 7)

Motivação para viver, a busca pela felicidade através de um método de esforço cognitivo. O método que usamos é efetuado por etapas graduais. Será o encadeamento destas etapas que nos levará a entender este processo complexo constituído por 200 raciocínios.

Começaremos vários exercícios de motivação. Poderá comentá-los, ou enviar mensagem em privado para o nosso email: Auto.ajuda.mundo@gmail.com

Iremos gradualmente e por raciocínios adquirir conhecimento motivacional. Sugerimos que comece pela 1° raciocínio para poder perceber o encadeamento dos raciocínios que iremos estabelecer, e faça a leitura ao seu ritmo. Basta em cima selecionar "Raciocínios" e 1/200, e depois por 2/200 e assim por diante.
Vamos fazer aqui um resumo de todos os raciocínios que já abordámos:
1/200 - O início de uma caminhada
2/200 - O problema de atribuir significado a pensamentos que não interessam
3/200 - Não permita que o passado exerça poder sobre si
4/200 - Transcenda as limitações do passado
5/200 - A mente e o poder incrível da imaginação
6/200 - Os rituais do imaginário
7/200 - Preferir a "felicidade" à "depressão"
8/200 - Vamos criar um raciocínio produtivo
9/200 - O problema da crença do poder da atração
10/200 - Escolher a felicidade e recusar a infelicidade (Parte 1)
11/200 - A explicação do nosso "segredo"!
12/200 - O problema da Ataraxia
13/200 - A emoção da tristeza
14/200 - Nós somos responsáveis pela maneira como nos sentimos
15/200 - A lei da fé
16/200 - O que fazer com a inveja
17/200 - Quando está tudo escuro e a luz que brilha está bem longe
18/200 - A Paz Interior o motor da vida (1/3): introdução
19/200 - A Paz Interior o motor da vida (2/3): o poder da recordação
20/200 - A Paz Interior o motor da vida (3/3): A regra do silêncio deixando de ter razão
21/200 - Retirar de nós a auto-piedade, auto-rejeição, auto-depreciação, auto-anulação (parte 1)
22/200 - Auto-acusação e Auto-piedade (parte 2)
23/200 - Esclarecimento sobre os "Autos"
24/200 - Tomar consciência dos pensamentos que temos
25/200 - Preferir a FELICIDADE em vez da infelicidade (Parte 2)
26/200 - Não tenha medo de errar
27/200 - Fortaleça a sua estabilidade interior
28/200 - Como ter potência criadora - 5 estratégias (Parte 1): Introdução
29/200 - Como ter potência criadora - 5 estratégias (Parte 2):
Projetar potência criadora numa dedicação integral com todos, da mesma forma e continuamente
30/200 - Como ter potência criadora - 5 estratégias (Parte 3): ofereça presença
31/200 - Como ter potência criadora - 5 estratégias (Parte 4): "Acolhimento" - 1ª Dimensão
32/200 - Como ter potência criadora - 5 estratégias (Parte 5): "Acolhimento" (continuação)
33/200 - Como ter potência criadora - 5 estratégias (Parte 6): "Apoio" - 2ª dimensão
34/200 - Como ter potência criadora - 5 estratégias (Parte 7): "Apoio" - 2ª dimensão (continuação)
35/200 - Como ter potência criadora - 5 estratégias (Parte 8): "Projeção" - 3ª dimensão
36/200 - Como ter potência criadora - 5 estratégias (Parte 9): "Valorizar" - 4ª dimensão
37/200 - Como ter potência criadora - 5 estratégias (Parte 10): "Entrar em sintonia" - 5ª dimensão
38/200 - Como ter potência criadora - 5 estratégias (Parte 11): "ilumine o outro" - 6ª dimensão
39/200 - Como ter potência criadora - 5 estratégias (Parte 12): "Como definir o Campo de Ação e o Poder de saber o nome" - 7ª dimensão
40/200 - Como ter potência criadora - 5 estratégias (Parte 13): "Altere o seu olhar" - 8ª dimensão

41/200 - Como ter potência criadora - 5 estratégias (Parte 14): "dar espaço ao outro" - 9ª dimensão
42/200 - Como ter potência criadora - 1 estratégia: IVA (imposto de valor acrescentado)
43/200 - Como ter potência criadora - 2 estratégia: O que é um não assunto (parte 1/4)
44/200 - Como ter potência criadora - 2 estratégia: O que é um não assunto (continuação): Um segredo que revelamos - A criação das redes de pequenas maledicências no trabalho (parte 2/4)
45/200 - Como ter potência criadora - 2 estratégia: O que é um não assunto (continuação): A dificuldade de tornar um assunto em não assunto (3/4)
46/200 - Como ter potência criadora - 2 estratégia: O que é um não assunto (continuação): na prática o que deixar de fazer (parte 4/4)
47/200 - Como ter potência criadora - 3 estratégia: Não chame os outros à atenção
48/200 - Como ter potência criadora - 4 estratégia: Cale-se por favor!
49/200 - Como ter potência criadora - 5 estratégia: A história de Tolstói (uma reflexão)
50/200 - Como ter potência criadora: Finalmente - Os miminhos
51/200 - Relações horizontais e não verticais: a unilateralidade - parte 1
52/200 - Relações horizontais e não verticais: a autoresponsabilidade - parte 2
53/200 - O silêncio estúpido
54/200 - Eu adapto-me ou o outro tem de se adaptar a mim?
55/200 - Não compre guerras. O problema da conspiração
56/200 - A teoria dos Habitats: não floresça em microclimas
57/200 - O desconforto: o nosso campo de ação (parte 1)
58/200 - O desconforto: os contra-vontades (parte 2)
59/200 - Um jogo de energias - escolher ou acolher?
60/200 - Como atrair tudo até si
61/200 - Porque não vendemos nada e o nosso experimento social é gratuito - Parte 1
62/200 - Porque não vendemos nada e o nosso experimento social é gratuito - Parte 2 - O busílis
63/200 - Ação ou reação - A peça teatral, dão-nos um guião e escolhemos outro papel
64/200 - Um amor raro que faz relações durarem anos - Não precisamos que nos peçam desculpa
65/200 - Dance nas suas relações sem impor coreografia
66/200 - Não chame ninguém a atenção (parte 2): uma revolução nos relacionamentos - espalhe flores
67/200 - Quando os outros endurecem o semblante: a ponte caída
68/200 - O mimo como forma de resistência contra o endurecimento do mundo: use a cor que tiver
69/200 - Um experimento social de acolhimento: não escolhemos mas acolhemos
70/200 - A solidão e o mundo das conexões: a porta enferrujada
71/200 - Mais vale só do que mal acompanhado: e se este ditado estiver incorreto?
72/200 - Solidão, Solitude e Solícito
73/200 - Os déspotas do nosso interior
74/200 - Conspiração: As vidas diminuídas (Parte 2)
75/200 - As minhas ações estão a construir uma melhor pessoa em mim?
76/200 - Somos amorais com os outros: o poder da agulha
77/200 - A dissonância é o lugar do encontro comigo mesmo: um tema secreto
78/200 - Diz o ditado popular: Toda a ação gera uma reação: e se em vez de reagir, agirmos?
79/200 - Presenças invisíveis, sem valor, pessoas descartáveis
80/200 - Encontre falhas e destrua a sua relação
81/200 - Uma reflexão SECRETA - O Mestre das nossas vidas: É no encontro com o outro que se dá o deslumbre de quem somos
82/200 - O Mestre dos Mestres: O lugar secreto
83/200 - O Mestre dos Mestres: Um tempo SECRETO
84/200 - O Mestre dos Mestres: deixe o riso brotar do seu interior
85/200 - Um estudo SECRETO: Os micro rituais de aproximação
86/200 - Um estudo SECRETO: Os micro rituais de aproximação - um yoga diferente
87/200 - Um estudo SECRETO: Os micro rituais de aproximação - a pausa-silêncio transforma-se no par ternura-silêncio
88/200 - Um estudo SECRETO: Os micro rituais de aproximação - dois pares distintos: a ternura-silêncio e a ausência-silêncio
89/200 - Um estudo SECRETO: Os micro rituais de aproximação - dois pares distintos: micro-sorriso e o semblante-fechado
90/200 - Um estudo SECRETO: Os micro rituais de aproximação - O espelho-secreto
91/200 - Um estudo SECRETO: Os micro rituais de aproximação - O ritual dentro de mim
92/200 - Um estudo SECRETO: Os micro rituais de aproximação - O ritual fora de mim
93/200 - Um estudo SECRETO: Os micro rituais de aproximação - O ritual fora e o ritual dentro de nós
94/200 - Um estudo SECRETO: Os micro rituais de aproximação - Conversão da vontade
95/200 - Um estudo SECRETO: Os micro rituais de aproximação - Escutar para me escutar (parte 1)
96/200 - Um estudo SECRETO: Os micro rituais de aproximação - Escutar para me escutar: casos de dissonância (parte 2)
97/200 - Um estudo SECRETO: Os micro rituais de aproximação - Escutar para me escutar: a dissonância como alerta do que se passa dentro de mim
98/200 - Um estudo SECRETO: Os micro rituais de aproximação - Escutar para me escutar: a dissonância como resistência do meu interior: o portal
99/200 - Um estudo SECRETO: Os micro rituais de aproximação - Escutar para me escutar: a dissonância como resistência do meu interior: um ouvir domesticado
100/200 - Antes de Reagir, Ajo: Não vou reagir - os mantras
101/200 - Antes de Reagir, Ajo: Só queixas
102/200 - Antes de Reagir, Ajo: Relações de proximidade - o antídoto
103/200 - Antes de Reagir, Ajo: Desabafar: não! Como aliviar o peso das emoções
104/200 - Antes de Reagir, Ajo: O arquivo da emoção e o arquivo da razão
105/200 - Antes de Reagir, Ajo: Sofismas emocionais: o encarceramento da emoção
106/200 - Os rituais do imaginário - parte 2: Não somos o que sabemos, somos o que estamos dispostos a aprender
107/200 - Os rituais do imaginário (parte 3): inteligência emocional e espiritualidades
108/200 - Antes de Reagir, Ajo: Chamam-me a atenção
109/200 - Antes de Reagir, Ajo: Chamam-me a atenção - a ponte que não se quebra
110/200 - Antes de Reagir, Ajo: Chamam-me à atenção - ver em mim o que ainda resiste
111/200 - Antes de Reagir, Ajo: O disco riscado das relações
112/200 - Aprendendo a descer: Não há pessoas difíceis, há um eu difícil (parte 1)
113/200 - Aprendendo a descer: Todos os dias, são para descer (Parte 2)
114/200 - Aprendendo a descer: encontros inesperados (parte 3)
115/200 - Aprendendo a descer: Fico estupefacto com o que encontrei (parte 4)
116/200 - Aprendendo a descer: Bem vindo ao fundo (parte 5) 
117/200 - Aprendendo a descer: Precisa desencarcerar pessoas presas em si (parte 6)

Hoje iremos analisar o nosso Raciocínio 118/200 - Aprendendo a descer: Preciso desencarcerar pessoas - continuação (parte 7)

Os sentimentos que projetamos nos outros são, na verdade, reflexos de partes nossas que estão presas e precisam de libertação.(1)

Preciso desencarcerar as pessoas que retenho dentro de mim.(2)

Cada raiva que sinto, cada julgamento que faço, cada impulso de acusar o OUTRO, é, na verdade, uma prisão interna.(3)

A raiva produzida em mim(4) através dele ou dela não pertence a eles(5), pertence a mim(6). A raiva vem de dentro de mim.(7)

Não é nem a Carla, nem a Filomena, nem o João, nem mesmo o Rui a razão da sua raiva(8). A ira vem de dentro de nós.(9)

A pessoa que julgo, que odeio, que me irrita, é apenas o reflexo do que ainda não libertei dentro de mim.(10)

Se não aprendo a lidar com a raiva que sinto(11), se não a abraço com consciência(12), continuo a mantê-la refém dentro do meu próprio ser.(13)

Vão aparecer muitas Filomenas na sua vida, muitas Sofias, muitas Carlas.(14)

O que você sente dentro de si vem apenas com outra máscara(15). Mas é o sentimento que é produzido em nós mesmos que temos de aprender a lidar.(16)

As emoções que outras pessoas despertam em nós(17) apenas são o sinal de alerta para eu lidar com essa emoção(18) e não com essa pessoa.(19).

Retira o foco da pessoa(20) e coloco o foco na emoção que é produzida em mim(21) e naquilo que está apenas a acontecer dentro de mim.(22)

Não consigo ser mais objetivo que isto.(23)

Libertar o OUTRO, nesse sentido, é libertar-me a mim mesmo.(24)

O desfoco: O OUTRO.(25)
O foco: o que preciso trabalhar em mim.(26)

Cada conflito, cada desconforto, cada provocação é um convite(27). Não para punir, não para resistir, mas para olhar para dentro de mim(28) e abrir as portas das celas internas que eu construí em mim.(29)

É aí que a verdadeira libertação começa a acontecer(30), quando cuido daquilo que é meu(31), devolvo a liberdade às partes minhas que estavam presas(32) e, assim, deixo o OUTRO livre também, mesmo que ele nem saiba disso.(33)

A raiva deixa de ser inimiga, a culpa deixa de ser fardo, e o julgamento transforma-se em chave.(34)

E cada vez que faço este trabalho interno(35), descubro que o mundo externo se torna mais leve(36), porque já não carrego ninguém dentro de mim contra a sua vontade.(37)

As "pessoas" que sentimos raiva ou julgamento estão dentro de nós através da memória(38), aprisionadas em nossa própria interioridade.(39)

Essas pessoas que carregamos dentro de nós não são pessoas mas imagens de emoções e de sentimentos profundos(40) que temos vindo a alimentar durante anos(41) e que nos aprisionam a um estado de crianças imaturas(42) que não conseguem lidar com um grito.(43)

Quando mergulho no mais profundo do meu ser(44), elas "as pessoas que não gosto" estão lá(45), presas, olhando para mim, aguardando que eu as reconheça.(46)

Consigo nomear cada uma delas: Anabela, Patrícia, Joana, o Alexandre, o António... a raiva, o medo, a indignação, o ressentimento, todas têm rosto, todas têm voz, todas têm história.(47)

Eu consigo contar cada história e consigo imitar cada emoção que me foi provocada(48). 

Enquanto eu projetar, enquanto culpar o OUTRO, essas pessoas continuam presas dentro de mim.(49)

O OUTRO não é o responsável(50); a raiva que vejo nele ou nela é apenas a manifestação externa daquilo que ainda não libertei em mim.(51)

Libertá-las significa assumir o que é meu(52), acolher cada emoção, cada memória, cada julgamento(53), e dar a cada uma a atenção e o cuidado que merece.(54)

E quando faço isso quando olho, nomeio, abraço e libero(55), essas pessoas deixam de estar encarceradas.(56)

O OUTRO deixa de ser o alvo(57), e a minha interioridade se transforma:(58)
- pesada torna-se leve,(59)
- confusa torna-se clara,(60)
- densa torna-se livre.(61)

É assim que a verdadeira reconciliação acontece(62), não fora, mas dentro de mim(63), na coragem de enfrentar as minhas prisões(64) e abrir as portas que eu mesmo construí.(65)

As pessoas do nosso passado ou presente servem como gatilhos(66) [havemos de falar em "gatilhos](67), mas o que está "preso" é um sentimento em nós(68), invocado pela memória(69) e pela história que temos com elas.(70)

Por exemplo, a Anabela representa a raiva(71). Só de me lembrar dela, sinto a raiva profunda que habita em mim.(72)

A Anabela está dentro de mim pela memória(73). Ao recordar certas situações(74), invoco a raiva(75), e esse é o sentimento que precisa ser olhado.(76)

Libertar a Anabela dentro de mim significa trabalhar a raiva(77), acolher esse sentimento(78) e aprender a lidar com ele.(79)

Quando consigo fazer isso, encontro uma nova forma de estar na presença da Anabela(80). A TERNURA torna-se a maneira de me relacionar(81), porque sei que a raiva que surge não é sobre ela(82), é o sentimento que preciso trabalhar em mim.(83)

Assim, o trabalho interno transforma a experiência externa.(84)

Não é a Anabela que precisa mudar(85), mas eu preciso aprender a lidar com o que em mim foi despertado pela Anabela(86). Preciso lidar com a raiva que sinto(87). Preciso lidar com várias emoções.(88)

E quando consigo tratar o meu sentimento profundo(89), liberto tanto a Anabela da prisão que habita dentro de mim(90) quanto a minha própria raiva.(91)

O trabalho aqui é muito prático: quem são esses nomes?(92)

Quem são as pessoas que não suportamos?(93)

Que sentimento profundo está associado a cada uma dessas pessoas para os trabalharmos?(94)

Cada pessoa que nos desperta irritação, raiva, medo ou tristeza é um portal para um sentimento profundo que vive dentro de nós.(95)

Não se trata de mudar a outra pessoa(96), mas de olhar para o que ela ativa em mim.(97)

Para cada nome, cada rosto que surge na memória, pergunto:(98)
- Que sentimento profundo está associado a esta pessoa?(99)
- Raiva, medo, ressentimento, inveja, tristeza?(100)

Quando conseguimos identificar isso(101), começamos a separar a projeção que fazemos ao OUTRO(102) como causa dos nossos problemas(103), da emoção que é nossa.(104)

O passo seguinte é trabalhar esse sentimento(105): acolhê-lo, entendê-lo, dar-lhe espaço e voz.(106)

Quando sentimos raiva da Anabela, não é a Anabela que está presa(107), é a raiva dentro de nós.(108)

Quando sentimos ressentimento do João, não é o João que precisa mudar(109), é o ressentimento que precisa ser libertado dentro de nós.(110)

Isto é bem mais complexo do que simples(111). É por isso que estamos juntos neste PROCESSO interior.(112)

Libertar cada sentimento é, na prática, libertar a pessoa que nele estava aprisionada dentro de nós.(113)

É olhar para a memória(114), reconhecer o que se move em nós(115), e tratar o que precisa de cuidado.(116)

É aqui, nesta prática consciente(117), que transformamos a nossa relação connosco mesmos e com os outros.(118)

Abraço fraterno
Nuno Miguel R. S. Gomes
(Sociólogo e Filósofo)

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