Raciocínio 117/200
Aprendendo a descer: Precisa desencarcerar pessoas presas em si (parte 6)
Motivação para viver, a busca pela felicidade através de um método de esforço cognitivo. O método que usamos é efetuado por etapas graduais. Será o encadeamento destas etapas que nos levará a entender este processo complexo constituído por 200 raciocínios.
Começaremos vários exercícios de motivação. Poderá comentá-los, ou enviar mensagem em privado para o nosso email: Auto.ajuda.mundo@gmail.com
Iremos gradualmente e por raciocínios adquirir conhecimento motivacional. Sugerimos que comece pela 1° raciocínio para poder perceber o encadeamento dos raciocínios que iremos estabelecer, e faça a leitura ao seu ritmo. Basta em cima selecionar "Raciocínios" e 1/200, e depois por 2/200 e assim por diante.
Vamos fazer aqui um resumo de todos os raciocínios que já abordámos:
1/200 - O início de uma caminhada
2/200 - O problema de atribuir significado a pensamentos que não interessam
3/200 - Não permita que o passado exerça poder sobre si
4/200 - Transcenda as limitações do passado
5/200 - A mente e o poder incrível da imaginação
6/200 - Os rituais do imaginário
7/200 - Preferir a "felicidade" à "depressão"
8/200 - Vamos criar um raciocínio produtivo
9/200 - O problema da crença do poder da atração
10/200 - Escolher a felicidade e recusar a infelicidade (Parte 1)
11/200 - A explicação do nosso "segredo"!
12/200 - O problema da Ataraxia
13/200 - A emoção da tristeza
14/200 - Nós somos responsáveis pela maneira como nos sentimos
15/200 - A lei da fé
16/200 - O que fazer com a inveja
17/200 - Quando está tudo escuro e a luz que brilha está bem longe
18/200 - A Paz Interior o motor da vida (1/3): introdução
19/200 - A Paz Interior o motor da vida (2/3): o poder da recordação
20/200 - A Paz Interior o motor da vida (3/3): A regra do silêncio deixando de ter razão
21/200 - Retirar de nós a auto-piedade, auto-rejeição, auto-depreciação, auto-anulação (parte 1)
22/200 - Auto-acusação e Auto-piedade (parte 2)
23/200 - Esclarecimento sobre os "Autos"
24/200 - Tomar consciência dos pensamentos que temos
25/200 - Preferir a FELICIDADE em vez da infelicidade (Parte 2)
26/200 - Não tenha medo de errar
27/200 - Fortaleça a sua estabilidade interior
28/200 - Como ter potência criadora - 5 estratégias (Parte 1): Introdução
29/200 - Como ter potência criadora - 5 estratégias (Parte 2): Projetar potência criadora numa dedicação integral com todos, da mesma forma e continuamente
30/200 - Como ter potência criadora - 5 estratégias (Parte 3): ofereça presença
31/200 - Como ter potência criadora - 5 estratégias (Parte 4): "Acolhimento" - 1ª Dimensão
32/200 - Como ter potência criadora - 5 estratégias (Parte 5): "Acolhimento" (continuação)
33/200 - Como ter potência criadora - 5 estratégias (Parte 6): "Apoio" - 2ª dimensão
34/200 - Como ter potência criadora - 5 estratégias (Parte 7): "Apoio" - 2ª dimensão (continuação)
35/200 - Como ter potência criadora - 5 estratégias (Parte 8): "Projeção" - 3ª dimensão
36/200 - Como ter potência criadora - 5 estratégias (Parte 9): "Valorizar" - 4ª dimensão
37/200 - Como ter potência criadora - 5 estratégias (Parte 10): "Entrar em sintonia" - 5ª dimensão
38/200 - Como ter potência criadora - 5 estratégias (Parte 11): "ilumine o outro" - 6ª dimensão
39/200 - Como ter potência criadora - 5 estratégias (Parte 12): "Como definir o Campo de Ação e o Poder de saber o nome" - 7ª dimensão
40/200 - Como ter potência criadora - 5 estratégias (Parte 13): "Altere o seu olhar" - 8ª dimensão
41/200 - Como ter potência criadora - 5 estratégias (Parte 14): "dar espaço ao outro" - 9ª dimensão
42/200 - Como ter potência criadora - 1 estratégia: IVA (imposto de valor acrescentado)
43/200 - Como ter potência criadora - 2 estratégia: O que é um não assunto (parte 1/4)
44/200 - Como ter potência criadora - 2 estratégia: O que é um não assunto (continuação): Um segredo que revelamos - A criação das redes de pequenas maledicências no trabalho (parte 2/4)
45/200 - Como ter potência criadora - 2 estratégia: O que é um não assunto (continuação): A dificuldade de tornar um assunto em não assunto (3/4)
46/200 - Como ter potência criadora - 2 estratégia: O que é um não assunto (continuação): na prática o que deixar de fazer (parte 4/4)
47/200 - Como ter potência criadora - 3 estratégia: Não chame os outros à atenção
48/200 - Como ter potência criadora - 4 estratégia: Cale-se por favor!
49/200 - Como ter potência criadora - 5 estratégia: A história de Tolstói (uma reflexão)
50/200 - Como ter potência criadora: Finalmente - Os miminhos
51/200 - Relações horizontais e não verticais: a unilateralidade - parte 1
52/200 - Relações horizontais e não verticais: a autoresponsabilidade - parte 2
53/200 - O silêncio estúpido
54/200 - Eu adapto-me ou o outro tem de se adaptar a mim?
55/200 - Não compre guerras. O problema da conspiração
56/200 - A teoria dos Habitats: não floresça em microclimas
57/200 - O desconforto: o nosso campo de ação (parte 1)
58/200 - O desconforto: os contra-vontades (parte 2)
59/200 - Um jogo de energias - escolher ou acolher?
60/200 - Como atrair tudo até si
61/200 - Porque não vendemos nada e o nosso experimento social é gratuito - Parte 1
62/200 - Porque não vendemos nada e o nosso experimento social é gratuito - Parte 2 - O busílis
63/200 - Ação ou reação - A peça teatral, dão-nos um guião e escolhemos outro papel
64/200 - Um amor raro que faz relações durarem anos - Não precisamos que nos peçam desculpa
65/200 - Dance nas suas relações sem impor coreografia
66/200 - Não chame ninguém a atenção (parte 2): uma revolução nos relacionamentos - espalhe flores
67/200 - Quando os outros endurecem o semblante: a ponte caída
68/200 - O mimo como forma de resistência contra o endurecimento do mundo: use a cor que tiver
69/200 - Um experimento social de acolhimento: não escolhemos mas acolhemos
70/200 - A solidão e o mundo das conexões: a porta enferrujada
71/200 - Mais vale só do que mal acompanhado: e se este ditado estiver incorreto?
72/200 - Solidão, Solitude e Solícito
73/200 - Os déspotas do nosso interior
74/200 - Conspiração: As vidas diminuídas (Parte 2)
75/200 - As minhas ações estão a construir uma melhor pessoa em mim?
76/200 - Somos amorais com os outros: o poder da agulha
77/200 - A dissonância é o lugar do encontro comigo mesmo: um tema secreto
78/200 - Diz o ditado popular: Toda a ação gera uma reação: e se em vez de reagir, agirmos?
79/200 - Presenças invisíveis, sem valor, pessoas descartáveis
80/200 - Encontre falhas e destrua a sua relação
81/200 - Uma reflexão SECRETA - O Mestre das nossas vidas: É no encontro com o outro que se dá o deslumbre de quem somos
82/200 - O Mestre dos Mestres: O lugar secreto
83/200 - O Mestre dos Mestres: Um tempo SECRETO
84/200 - O Mestre dos Mestres: deixe o riso brotar do seu interior
85/200 - Um estudo SECRETO: Os micro rituais de aproximação
86/200 - Um estudo SECRETO: Os micro rituais de aproximação - um yoga diferente
87/200 - Um estudo SECRETO: Os micro rituais de aproximação - a pausa-silêncio transforma-se no par ternura-silêncio
88/200 - Um estudo SECRETO: Os micro rituais de aproximação - dois pares distintos: a ternura-silêncio e a ausência-silêncio
89/200 - Um estudo SECRETO: Os micro rituais de aproximação - dois pares distintos: micro-sorriso e o semblante-fechado
90/200 - Um estudo SECRETO: Os micro rituais de aproximação - O espelho-secreto
91/200 - Um estudo SECRETO: Os micro rituais de aproximação - O ritual dentro de mim
92/200 - Um estudo SECRETO: Os micro rituais de aproximação - O ritual fora de mim
93/200 - Um estudo SECRETO: Os micro rituais de aproximação - O ritual fora e o ritual dentro de nós
94/200 - Um estudo SECRETO: Os micro rituais de aproximação - Conversão da vontade
95/200 - Um estudo SECRETO: Os micro rituais de aproximação - Escutar para me escutar (parte 1)
96/200 - Um estudo SECRETO: Os micro rituais de aproximação - Escutar para me escutar: casos de dissonância (parte 2)
97/200 - Um estudo SECRETO: Os micro rituais de aproximação - Escutar para me escutar: a dissonância como alerta do que se passa dentro de mim
98/200 - Um estudo SECRETO: Os micro rituais de aproximação - Escutar para me escutar: a dissonância como resistência do meu interior: o portal
99/200 - Um estudo SECRETO: Os micro rituais de aproximação - Escutar para me escutar: a dissonância como resistência do meu interior: um ouvir domesticado
100/200 - Antes de Reagir, Ajo: Não vou reagir - os mantras
101/200 - Antes de Reagir, Ajo: Só queixas
102/200 - Antes de Reagir, Ajo: Relações de proximidade - o antídoto
103/200 - Antes de Reagir, Ajo: Desabafar: não! Como aliviar o peso das emoções
104/200 - Antes de Reagir, Ajo: O arquivo da emoção e o arquivo da razão
105/200 - Antes de Reagir, Ajo: Sofismas emocionais: o encarceramento da emoção
106/200 - Os rituais do imaginário - parte 2: Não somos o que sabemos, somos o que estamos dispostos a aprender
107/200 - Os rituais do imaginário (parte 3): inteligência emocional e espiritualidades
108/200 - Antes de Reagir, Ajo: Chamam-me a atenção
109/200 - Antes de Reagir, Ajo: Chamam-me a atenção - a ponte que não se quebra
110/200 - Antes de Reagir, Ajo: Chamam-me à atenção - ver em mim o que ainda resiste
111/200 - Antes de Reagir, Ajo: O disco riscado das relações
112/200 - Aprendendo a descer: Não há pessoas difíceis, há um eu difícil (parte 1)
113/200 - Aprendendo a descer: Todos os dias, são para descer (Parte 2)
114/200 - Aprendendo a descer: encontros inesperados (parte 3)
115/200 - Aprendendo a descer: Fico estupefacto com o que encontrei (parte 4)
116/200 - Aprendendo a descer: Bem vindo ao fundo (parte 5)
Hoje iremos analisar o nosso Raciocínio 117/200 - Aprendendo a descer: Precisa desencarcerar pessoas presas em si (parte 6)
Se a outra pessoa me faz doer, tenho aqui a minha oportunidade. Não é um acaso, não é um azar. É uma redescoberta a mim mesmo. E aqui conseguimos entrar na profundidade do nosso ser.
O outro, a outra, ele ou ela, fazem-me um convite silencioso para eu olhar para mim mesmo e perceber, finalmente, agir sobre aquilo que eu mesmo criei dentro de mim.
A dor que surge em mim não é a culpa do outro. É o alarme do meu interior, a batida na porta da cela que construí, a advertência de que algo ainda está preso e precisa ser libertado em mim.
É nesse instante que começa o processo de desencarcerar as pessoas que mantenho presas dentro de mim.
Não é apenas perdoar ou esquecer. É mesmo um desmontar a estrutura que aprisionou essas memórias, essas imagens, essas pessoas que eu mesmo coloquei atrás de grades imaginárias.
É tocar na madeira emperrada, ouvir o rangido, sentir a resistência e, mesmo assim, empurrar.
Cada reação do outro que me provoca, que me machuca, é uma chave.
Cada gesto áspero, cada palavra ríspida, cada olhar desconfortável me dá a oportunidade de olhar para dentro e perguntar:
"Qual parte minha está a reagir assim? Qual prisão interna está a pedir liberdade?"
E, nesse movimento consciente, descubro que a dor se transforma.
De punição passa a oportunidade.
De conflito, passa a caminho.
De sofrimento, passa a despertar.
A dor provocada pelo outro deixa de ser um inimigo.
Torna-se um Mestre involuntário, aquele que, sem saber, me aponta para a cela interna que precisa ser aberta.
E eu, com consciência e ternura, posso começar a libertar o que prendi.
É aqui, neste encontro doloroso, que a verdadeira transformação acontece:
não fora de nós, não nos outros, mas na estrutura interna que nós mesmos construímos e que agora temos a chance de reconstruir.
Estou a tentar ser o mais incisivo possível. O outro não tem culpa daquilo que temos vindo a criar dentro de nós mesmos.
E assim, cada desafio externo deixa de ser uma ameaça e passa a ser um espelho.
Não é no outro que reside a fonte da dor, mas na sombra que carregamos e que, por tanto tempo, recusámos ver.
Quando aceitamos este olhar interno, a raiva dissolve-se em compreensão, o julgamento transforma-se em compaixão, e o aperto no peito abre-se em espaço para respirar.
Não se trata de justificar o comportamento alheio, mas de reconhecer a nossa própria construção emocional e o poder que temos de libertá-la.
Cada resistência que sentimos, cada irritação súbita, cada impulso de defesa, revela uma porta entreaberta e é aí que podemos escolher caminhar, com coragem, para o desconhecido dentro de nós.
Escolher não reagir impulsivamente é, na verdade, um ato de amor próprio e de presença consciente.
E à medida que praticamos este encontro com a própria sombra, transformamos a dor em clareza.
A transformação não depende da mudança do outro, mas do despertar da minha consciência dentro de mim.
E cada passo, por mais pequeno que pareça, é uma reconstrução do que sempre fomos chamados a ser, inteiros, livres, compassivos.
Tento mostrar que o outro, a outra não é culpado da forma como vemos as coisas.
Isto é um ponto essencial, mostrar que a responsabilidade não está no outro, mas na forma como reagimos internamente.
O outro não é culpado.
Não é responsável pelas prisões que construímos, pelas feridas que insistimos em carregar, pelas histórias que contamos a nós mesmos sobre quem somos e quem são esses outros e essas que ocupam espaço em nós.
"Ela é uma estúpida",
"Odeio trabalhar com ela"
"Já nem aguento vê-lo"
Cada gesto áspero, cada palavra ríspida, cada silêncio desconfortável, não passa de um convite para olhar para dentro, não uma acusação.
Não é no outro que reside a falha. É na nossa própria resistência, naquilo que ainda não nos permitimos ver ou sentir.
Quando conseguimos separar a ação do outro da nossa reação interna, começamos a respirar diferente.
O outro deixa de ser inimigo, deixa de ser ameaça, deixa de ser motivo de dor.
E, nesse espaço de liberdade, percebemos que a única culpa que podemos carregar é a de não estarmos conscientes, de não termos olhado para dentro com coragem e ternura.
É aí que a verdadeira responsabilidade começa: dentro de nós.
E o outro, simplesmente, nos oferece o reflexo de algo que podemos escolher transformar.
"Ela é uma estúpida"!
É uma frase que parece falar do outro, mas na verdade revela muito mais sobre o que se passa dentro de nós.
Não tenho forma mais objetiva que esta de me expressar para que entenda que quando fala do outro e da outra, está de facto a falar de si mesmo e do quanto podia mudar em si.
São expressões de fadiga, de frustração, de limites ignorados, de dores antigas que encontram no outro um alvo fácil.
Quando olhamos mais profundamente, percebemos que nenhuma destas frases descreve realmente a pessoa diante de nós, descreve o estado interno de quem as pronuncia.
Um amigo apresentou-me uma pessoa com a qual não consege lidar. Quando conheci a pessoa adorei-a.
Porque o outro pode até ter dito algo duro, feito algo que nos incomodou, cruzado uma fronteira que não deveria.
Mas a intensidade da nossa reação, essa explosão que veste o outro com rótulos, nasce de algo que já estava vivo em nós antes mesmo do encontro acontecer.
E então o foco muda: já não se trata de tentar mudar o outro, de culpá-lo, de castigá-lo com a nossa irritação ou rejeição.
Trata-se de perceber o que essas frases denunciam: a parte dentro de nós que ainda não foi vista, cuidada, compreendida.
O outro torna‑se apenas o gatilho, não a causa.
O espelho, não o culpado.
E é nesse momento, quando deixamos de lutar contra o reflexo e começamos a olhar para a origem, que a verdadeira transformação acontece.
A culpa dissolve‑se, o julgamento amacia, e abrimos espaço para uma nova forma de ver uma forma que não aprisiona o outro, nem a nós.
Sinto impaciência, ressentimento, julgamento, não são dela, são meus.
E quando tomo posse desses sentimentos, quando deixo de projetá-los no outro, começo a recuperar o meu poder.
O outro não é o problema.
O outro não precisa mudar para que eu me liberte.
A transformação começa dentro, no silêncio em que me permito observar o que surge, sem me julgar por sentir.
É aí, nesse espaço de consciência, que a raiva se torna luz. Me mostra o que está preso, me mostra o que pede atenção e cuidado.
E ao cuidar da minha raiva, ao olhar para ela com ternura e coragem, descubro que o outro não é inimigo, mas uma oportunidade.
Uma oportunidade para aprender a gerir os meus limites, para compreender as minhas feridas, para crescer em presença e compaixão.
O que parecia conflito externo revela-se, na verdade, um mapa interno para o meu interior.
E cada encontro difícil deixa de ser uma ameaça para se tornar uma ponte, uma ponte que me leva de volta a mim mesmo.
Sim estou a compreender que preciso lidar com sentimentos profundos em mim.
Iremos continuar no próximo Raciocínio.
Abraço fraterno
Nuno Miguel R. S. Gomes
(Sociólogo e Filósofo)
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